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Os problemas da Zona Norte continuam sem olhar do poder público. Como pode?

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Tempo de Leitura: 4 minutos

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<< Artigo/Meio Ambiente>> === por Eduardo Bizon (*)

Na região administrada pela Subprefeitura Vila Maria Vila Guilherme/Vila Medeiros, mais precisamente no distrito Vila Medeiros, na área localizada no encontro das rodovias Fernão Dias e Presidente Dutra acontecem coisas estranhas.

De maneira escancarada acontecem obras à luz do dia e às vezes na escuridão da noite, sem que haja explicação para o que parece ser mais uma empreitada de desrespeito à população residente que sofreu num passado recente com problemas de enchentes causadas pelo transbordamento do Rio Cabuçú de Cima.

E também amargam os males causados pela circulação irregular de caminhões de todos os tipos e tamanhos, às portas de suas casas, sem que haja a mínima interferência do poder público municipal para orientar o tráfego de maneira organizada e menos traumática para os moradores dessa região densamente povoada.

Ocorre que a Sanca Galpões ligada à Cyrela –  e já escrevi sobre isso neste espaço do DiárioZonaNorte  (link: clique aqui ) , corre contra o tempo para aterrar maquiavelicamente o enorme terreno que antigamente foi ocupado pela fábrica de Brinquedos Estrela – e que,  por acaso, é lindeira ao Rio Cabuçú de Cima.

Por descuido, ou talvez propositalmente,  o lago que ficava ao lado do rio e que servia de várzea nos tempos de cheia foi totalmente eliminado. Ou seja, não existe mais lago algum. A várzea do rio escafedeu-se.


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Sem meio ambiente

A natureza foi desrespeitada. Num futuro próximo efeitos nocivos desse ato cairão como uma praga do Egito sobre residências e empresas situadas na região. Basta chover forte durante vários dias para que a água do rio retorne furiosamente,  uma vez que não contará mais com a área de várzea para acolher o excesso da cheia.

E aí quem pagará pelo erro do capital empresarial que visa  apenas lucro? Sofrerão os moradores da Comunidade do Violão, pátios de fábricas, o Terminal de Cargas Fernão Dias e a garagem dos ônibus da Sambaíba. Todos precisarão investir em escafandros, bóias salva-vidas e barcos para escapar da fúria da água suja descontrolada.


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O Metrô está no caminho

Por outro lado, a audiência pública da Linha 19-Celeste do Metrô — que passará por essa região (leia mais: clique aqui) — determinou alguns pontos que batem de frente com a intenção da Sanca de construir galpões para locação.

A garagem para manutenção dos trens do Metrô prevê a desapropriação dos terrenos das antigas fábricas da Estrela e da Toga, entre outros. Como pode? A obra da Sanca corre a mil por hora como se nada tivesse acontecendo. Duvido que um ser humano normal opte por reformar um o imóvel marcado para desapropriação.

Ocorre que na audiência pública foi dito que as desapropriações de imóveis que passaram por benefícios recentes serão proporcionalmente valorizadas. Talvez seja esse o objetivo da Sanca. Valorizar a área para obter maior valor no ato da desapropriação. Ou talvez, queiram chegar até o final da construção dos galpões e tentar mudar politicamente o local para a garagem do Metrô. Que seria um espanto. Ou talvez esteja ocorrendo coisas que nós meros mortais não estejamos capacitados ao entendimento.


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Outros transtornos

Outro ponto a ser abordado refere-se ao Relatório de Impacto de Vizinhança que o Metrô tem obrigação de apresentar para tranquilizar os munícipes no decorrer da obra e no futuro a partir de 2029 com o funcionamento após conclusão prevista da nova linha.

Hajam visto os transtornos que a Sanca Galpão tem causado à vizinhança do entorno, com milhares de caminhões caçambas passando às portas das residências desrespeitando impunimente as leis de transito, em ruas onde é proibida a circulação destes veículos. Nestes casos a ausência da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) é uma tragédia cômica — (leia mais: clique aqui).

Se a população não pode contar com a Prefeitura para notificar e inibir os transtornos causados pela Sanca, fatalmente não poderá contar com a Prefeitura também durante as obras do Metrô. E neste caso não resta alternativa para a população a não ser contar com a boa vontade do pessoal do Metrô em colaborar e evitar transtornos previsíveis.

Tristemente a administração municipal se distancia cada vez mais da população. Interesses políticos particulares atropelam interesses comuns e de maneira desorientada e irresponsável levam a cidade ao caos. O descaso do administrador público passou a ser rotina no cotidiano do cidadão que não tem a quem recorrer. Do cidadão que paga altos tributos, mas que não vê os tributos retornarem como benefícios à cidade. Do cidadão que fica incomodado, mas não age quando vê dinheiro publico utilizado para fins outros que só o flagrante poderia comprovar como delito.


<<Leia mais detalhes com fotos na reportagem do DiárioZonaNorte:  ” Desastre ambiental: construções na Várzea do Cabuçu jogam fora U$ 90 mi em dinheiro público, provocando enchentes na Z. Norte” (10/04/2022) — clique aqui >>


(*)  Eduardo Bizon – Engenheiro, participante da Agenda 2030, conselheiro do Hospital Municipal Vereador José Storópolli. Morador da Zona Norte e cidadão atuante nos bairros de Vila Maria, Vila Guilherme e Vila Medeiros, com preocupação por toda a região.


Comentários e sugestões: redacao@diariozonanorte.com.br


Nota da Redação: O artigo acima é totalmente da responsabilidade do autor, com suas críticas e opiniões, que podem não ser da concordância do jornal e de seus diretores.


 

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