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Zona Norte tem aumento nos casos de dengue e Prefeitura intensifica combate

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da Redação DiárioZonaNorte

  • A Prefeitura de SP realizou no começo do mês uma força-tarefa contra o mosquito
  • O Estado de São Paulo é o que tem mais casos de dengue nas cidades
  • Em Abadiânia (Goiás) surgiu uma cepa mais forte da dengue

Lá se foram mais de dois anos desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a pandemia da Covid-19. Tudo mudou no mundo, mas agora retornam outras doenças, que preocupam o dia a dia das pessoas na cidade de São Paulo.  Uma delas, já conhecida e volta agora com força total: a dengue – e seus companheiros chikungunya e zika.

A Secretaria Municipal da Saúde, através da Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Norte, informou ao DiárioZonaNorte que foram confirmados 1.023 casos positivos de dengue pelas Unidades de Vigilância em Saúde (Uvis)  da região de abrangência da CRS Norte entre 1º de janeiro e 10 de maio de 2022.

Agentes em visitas casa a casa

Na nota, esclareceu que foi realizada uma ação de força-tarefa de combate a  dengue e demais doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti, realizada pelas equipes das seis Uvis da região de abrangência (aqui é incluída a Zona Noroeste – Freguesia do Ó/Pirituba/Perus) , entre os dias 30 de abril e 1º de maio, contou com 14.697 visitas domiciliares para fiscalização de possíveis focos de reprodução do vetor e orientações preventivas.

O órgão destaca também que foram realizadas 50 ações de bloqueio de criadouros do mosquito e 42 bloqueios de nebulização, sendo 11 de nebulização veicular com o uso de equipamento de UBV-Ultra Nebulização Veicular (conhecido como “fumacê”), com o apoio da Divisão de Vigilância de Zoonoses/Covisa. Também foram entregues 8.586 folhetos  educativos durante a estratégia.
Preparativo para nebulização (UBV) nas ruas
Os casos na Zona Norte
Na Zona Norte, leitores do DiárioZonaNorte enviaram informes sobre focos e casos de dengue em bairros da região. Segundo fontes na região da Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros, foram constatados 93 casos na região e mais de 40 somente em duas comunidades. Em Santana, comenta-se em grupos de WhatsApp que casos foram detectados na Rua Nogueira Accioly (Jardim São Paulo) e outras vias da região.

Nesta 2ª feira (16/05/2022), um leitor fez uma declaração dramática: “Minha mulher com o menino menor foram ao Hospital Dia na Vila Guilherme para fazer os testes de dengue e chikungunya e estão lá aguardando o resultado”. E ainda complementou: “Aqui na região está empesteado e voltou com tudo, com força!”.

Já outra fonte confirma que tem aumentado muito os casos de dengue na Zona Norte e acrescenta que “por falta de ações mais constantes do setor público”. Ele alega que com a pandemia e a preocupação com as vacinações, e depois a chegada de outras doenças, o caso do retorno da dengue foi sendo deixado de lado, em plano inferior.

Agentes visitam um local na V.Guilherme

Nesta sequência, comenta-se que os Comitês da Dengue – que foram criados e que deveriam ser supervisionados diretamente pelas 32 subprefeituras da cidade – entraram também no esquema no compasso de espera das decisões do governo. “Houve um retardo de ações e praticamente nada aconteceu nesta área. E, por outro lado,  o aumento na falta de zeladoria na Zona Norte também contribuiu para os focos do mosquito da dengue”, declarou uma fonte.

Por esse motivo, e com destaque aos locais  de duas comunidades nos arredores das UBS Parque Novo Mundo I e II – incluindo a Ocupação Douglas Rodrigues (ver matéria: https://is.gd/EtzyDe) -, a Subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros participou, nos dias 30 de abril e 01 de maio passado, da força-tarefa da Secretaria Municipal da Saúde, que envolveu na cidade toda com as 28 Unidades de Vigilância de Saúde (Uvis) e 2 mil agentes.

Carro do “Fumacê” nas ruas da V.Maria/V.Guilherme

Com veículo apropriado para nebulização (conhecido como “fumacê”) pelas ruas, a Subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros afirma ter visitado 2.293 imóveis nos dois dias da força-tarefa, com o bloqueio de seis criadores do mosquito, além da distribuição de 1.200 folhetos com instruções de combate à dengue.

Mais ações contra arbovíroses

A Secretaria Municipal da Saúde garante que “a capital paulista intensificou a vigilância dos casos de dengue e outras arbovíroses e ampliou o combate ao mosquito aedes aegypti, com requalificação dos técnicos e agentes de zoonoses e investimento em novos equipamentos e processos de trabalho”.

Na sequência, lembra os números de 2021:  2,7 milhões de ações casa a casa foram realizadas, além de 2.157.481 visitas para bloqueios de criadouros e nebulização e 38.192 vistorias em pontos estratégicos, totalizando 4.895.673 ações contra dengue. E, no contraponto, diz que em 2022, até o momento, 1.570.697 ações já foram realizadas, sendo 549.395 visitas em residências, 1.008.996 ações de bloqueio de criadouros e nebulização, além de 12.306 vistorias em pontos estratégicos.

Agente verifica foco no vaso de residência

A Secretaria Municipal da Saúde acrescenta que, rotineiramente, são desenvolvidas as seguintes atividades na capital paulista: visitas casa a casa; visitas a pontos estratégicos; controle larvário nos pontos estratégicos com o uso de larvicida biológico; bloqueio de transmissão de casos humanos de dengue, zika e chikungunya; atividade de “arrastão”; uso de teste rápido para dengue para direcionar os bloqueios de transmissão; atendimento a solicitação de munícipes; ações educativas, de comunicação em saúde e mobilização social, entre outras.

A partir da notificação de um caso, se desencadeia uma ação de eliminação de criadouros (casa a casa) e aplicação de nebulização nos quarteirões do local. Isso ocorre em até 24 horas.

                              Casos de dengue no município de São Paulo:
Dados provisórios até 10/05/2022 – Sec.Munic. da Saúde

A dengue apresenta, habitualmente, comportamento cíclico, com períodos epidêmicos (duração de 1 a 2 anos) e interepidêmicos, (duração de dois a três anos). O último ano epidêmico, tanto no município como no estado de São Paulo e no Brasil, foi o de 2015. Em 2019, houve aumento nas notificações e casos confirmados, porém, com média transmissão na capital, o que em 2020 não foi observado, pois houve baixa transmissão.

O ano de 2020 não pode ser utilizado como parâmetro para comparações dos casos de dengue na capital. O isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19 trouxe uma situação atípica de baixa circulação de pessoas e uma queda acentuada no número de casos.

Dengue: um perigo a mais

Conforme divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) na cidade de Abadiana, em Goiás, foi detectado o primeiro caso no Brasil da cepa da dengue com características de maior atuação. Essa dengue é originária de países da Ásia, Oriente Médio e África, com graves consequências para o ser humano.

Goiás está em segundo lugar, atrás de São Paulo, em casos de dengue. Inclusive, a capital Goiânia decretou emergência na saúde pública. O Ministério da Saúde informa que monitora esses casos e que foi notificado sobre a detecção do novo genótipo da dengue naquele estado.

Em quatro meses, o Brasil superou os 544 mil casos de dengue registrados no ano passado. De janeiro a abril, houve 654,8 mil notificações da doença. Neste ano, o governo federal informa ter entregues 40 milhões de pastilhas de larvicida para o tratamento de recipiente/depósitos de água para todos os estados e Distrito Federal.  Além disso, foram distribuídos mais de 3 mil quilos de inseticida para o tratamento em pontos estratégicos, como borracharias e ferros-velhos.

Mas, por outro lado, o Ministério da Saúde está, no momento, sem entregar novos kits moleculares, que servem para o diagnóstico da dengue, chikungunya e zika. A  previsão da entrega deste novos kits está prevista em junho.

Os casos no Estado de São Paulo

Consultada pelo DiárioZonaNorte, a Secretaria Estadual da Saúde/SP informa ter registrado, em 2022, até 2 de maio, 107,4 mil casos de dengue e 77 óbitos. Em 2021, no mesmo período, foram contabilizados 104 mil casos de dengue e 41 óbitos.

E lembrou que o enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti é uma tarefa contínua e coletiva. As principais medidas de prevenção são: deixar a caixa d’água bem fechada e realizar a limpeza regularmente; retirar dos quintais objetos que acumulam água; cuidar do lixo, mantendo materiais para reciclagem em saco fechado e em local coberto; eliminar pratos de vaso de planta ou usar um pratinho que seja mais bem ajustado ao vaso; descartar pneus usados em postos de coleta da Prefeitura. E encerra: conforme diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), o trabalho de campo para combate ao mosquito transmissor de dengue compete primordialmente aos municípios.

Em Guarulhos, de acordo com o mais recente boletim divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde, o município registrou 353 casos de dengue entre o dia 1° de janeiro e 5 de maio deste ano. O número é quase a metade do que o registrado no mesmo período de 2021, quando 626 casos foram confirmados. Mas o momento exige atenção de todos para manter o mosquito Aedes aegypti longe das residências.

Um aviso importante: A automedicação é um risco à saúde, ainda mais tratando-se de dengue, para a qual medicamentos anti-inflamatórios não hormonais (ou não esteroides) e derivados de ácido acetilsalicílico (ASS) são contraindicados em todos os casos da doença. No primeiro sintoma e na dúvida, procure imediatamente um posto de saúde.

O combate ao mosquito deve fazer parte da rotina de todos. A colaboração e participação da população é parte fundamental para a redução da transmissão da doença.


Saiba mais sobre a dengue nas matérias do DiárioZonaNorte:

  • Os cuidados com a saúde e nove dicas para prevenir a dengue no período de verão – 23/01/2022 – Clique aqui
  • Vasos em janelas e sacadas podem esconder criadouros da dengue – 03/01/2022 – clique aqui
  • Cansaço, febre e dores no corpo: dengue ou Covid? Pare e analise as diferenças nas duas – 21/01/2021 – clique aqui

<<Com apoio de informações/fontes: Secretarias do Município e do Estado de SP e Ministério da Saúde >>

 

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