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Um pedaço do Carandiru que é escondido e desconhecido dos moradores da Zona Norte

Paisagismo da entrada principal da SAP
Tempo de Leitura: 3 minutos

 

  • Áreas verdes do Complexo Penitenciário do Carandiru contribuem para a estabilidade ecológica da região e da cidade
  • A diversidade de árvores nativas e exóticas é testemunha viva da trajetória do sistema prisional de São Paulo
  • Por questão de segurança, o local não é aberto ao público.

Ao lado do Parque da Juventude-Dom Paulo Evaristo Arns entre as avenidas General Ataliba Leonel e Zaki Narchi, um local supermovimentado com trânsito intenso nas 24 horas. Ninguém imagina o que está dentro daqueles 450 mil metros quadrados de extensão do Complexo Penitenciário do Carandiru.

Do outro lado dos muros altos, concentra-se  em um mesmo espaço, parte importante da história do sistema prisional paulista. Mas o local vai além do imaginário: o local abriga uma vasta amostra de árvores — até exemplares nativos da Mata Atlântica —  de diferentes espécies que circundam os prédios da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), da Penitenciária Feminina Sant’Ana (PFS) e da Penitenciária Feminina da Capital (PFC), além da Coordenadoria de Unidades Prisionais da Região Metropolitana de São Paulo (Coremetro) e do Museu Penitenciário Paulista.

A área verde preservada é um marco importante da Zona Norte para a cidade de São Paulo. Segundo o Inventário Florístico e Fitossanitário feito pela consultoria CR Meio Ambiente com a área da sede da SAP, o local está situado em meio ao centro urbano e contribui para a manutenção da estabilidade ecológica da região.

Com isto, é influenciando nas condições microclimáticas de seu entorno, absorvendo o ruído e atenuando o calor do Sol. Nele há uma grande variedade de composição vegetal, contando com espécies nativas de grande porte, frutíferas e outras forrageiras de fins ornamentais.

O respeito ao meio ambiente também pode ser notado pelo trabalho do Departamento de Engenharia da SAP. Segundo a diretora Andresa Barbosa do Carmo, as ações de preservação e compensação ambiental estão no rol das atividades do departamento.

Pau-Brasil, uma raridade no meio da área verde
Espécies vegetais

Dentre as espécies identificadas, somente na sede da SAP há 653 indivíduos arbóreos, sendo 85 espécies vegetais distribuídas em 41 famílias botânicas. Dentre esses, há nove tipos de palmeiras, com especial destaque para a palmeira imperial.

Há registro da presença de árvore rara, como o Pau Brasil, além do ipê amarelo, pau-ferro, pinus, cedrinho, quaresmeira, araucária, jacarandá mimoso, manacá da serra, dentre tantas outras espécies.

Quanto às plantas frutíferas, somente na sede da SAP há 41 pés de pitanga, além de exemplares de amora, abacate, uva japonesa, goiaba, jaca, tangerina, nêspera, fruta do conde, laranja, jambo amarelo, carambola, jambolão, mexerica, seriguela, caqui, manga, pera, araçá, banana, café e ainda urucum.

Em complemento a esse pomar urbano, estão cerca de 90 pés de jabuticabas, envolvendo parte dos terrenos da Coremetro e PFS. De acordo com antigos servidores, essas árvores frutíferas foram plantadas há mais de 40 anos.

Mais de 90 pés de Jabuticabeiras no local
Viveiro natural

Para quem circula pela região é normal presenciar os bandos de maracanã-nobre, periquito, papagaio, sabiá e demais pássaros. Atraídos pela enorme quantidade de frutos, as aves completam o cenário bucólico em meio à crescente urbanização do bairro.

É comum ouvir o alarido das maracanãs-nobre. De acordo com Anelise Magalhães, Analista Ambiental da Divisão de Fauna Silvestre da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da cidade de São Paulo, elas estão sempre em bandos. Voltam barulhentas para seus ninhos quando anoitece, e ao amanhecer repetem a algazarra. Não é à toa que recebem esse nome. Maraka’Nà vem do tupi que quer dizer semelhante a um chocalho.

Na área de abrangências da Coremetro e PFS também há grandes touceiras de bambus. O imenso paredão de colmos, que atinge mais de 30 metros, serve, muitas vezes, como ponto de encontro das aves que frequentam a área geração após geração.

Para completar o quadro da área verde, há ainda uma fonte com carpas ornamentais bem no coração da SAP. É impossível não se encantar com a harmonia do colorido dos peixes em meio às grandes árvores do local.


<<Com apoio de informações/fonte: Ass.Imprensa Coremetro/Secretaria da Administração Penitenciária / Sônia Pestana e Mariana Amud Fernandes / Fotos: Sônia Pestana>>


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