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Novo Centro de Idoso será implantado em antigo prédio abandonado no Tremembé

Tempo de Leitura: 6 minutos

 

da Redação DiárioZonaNorte

  • O antigo prédio tem muitas histórias e deve acomodar um Centro de Idoso-URSI
  • O terreno do antigo prédio faz divisa com a UBS Dona Mariquinha Sciascia 
  • Hoje a URSI está localizada na Av. Nova Cantareira, no Tucuruvi

Uma rua tranquila no bairro do Tremembé, na Zona Norte, que só é alterada pelo movimento das pessoas que se dirijam à Unidade Básica de Saúde (UBS) Dona Mariquinha Sciascia. Justamente ao lado dela, um imóvel abandonado contracena com o tempo do passado da Rua Dr. José Vicente, n. 228, que foi remarcado com o 79 à mão com tinta vermelha já apagada.

O velho sonho dos moradores e dos grupos de saúde da região pode virar realidade. Neste espaço pode surgir um novo espaço exclusivo à Unidade de Referência à Saúde do Idoso (URSI), que ficou ignorada apesar dos vários pedidos por anos, engavetada e esquecida em um canto qualquer. A atual URSI funciona atualmente no Ambulatório de Especialidades (AE) Tucuruvi na Av.Nova Cantareira, distante do Tremembé.

Prédio como era antes, com portão.

Um fator a mais para esse sonho pode se tornar realidade, que já está incluído no Programa de Metas 2021-2024 da Prefeitura de São Paulo, através de audiência públicas online. Em 19 de abril deste ano, houve a proposta número 472, pedindo a requalificação do imóvel para implantação da URSI, o Centro de Idosos. No pedido, referências aos banheiros, rampas de acesso, piso, telhado, comunicação visual e pintura no prédio.

E o tempo passou

Depois de ter convivido com reuniões e ações sociais, o velho e abandonado prédio que estava sob os cuidados da Subprefeitura Jaçanã/Tremembé passou para a Secretaria Municipal da Saúde. Na gestão do subprefeito Alexandre Baptista Pires, o imóvel foi transferido em 2019, com edital publicado no Diário Oficial da Cidade.

Em seus domínios que ultrapassam dois anos, somente agora a Secretaria Municipal da Saúde, através da Coordenadoria Regional da Saúde (CRS-Norte), informa em nota ao DiárioZonaNorte– que depois de várias cobranças, demorou seis dias para resposta de sua Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Saúde —-, confirma “que há um plano que prevê a reforma e adequação do imóvel, nos moldes propostos pela Sescretaria Municipal da Saúde para instalação de um equipamento de saúde que atenda às necessidades do território”.

A nota ainda acrescenta que “a CRS-Norte esclarece que, por meio de sua da assessoria jurídica, foi aberto um processo para contratação de empresa especializada para o serviço de manutenção de terreno, como alvenaria, chapisco, limpeza externa, remoção de entulho da área interna, construção de um muro e instalação de arame sobre o muro para proteção do imóvel”.

Na mesma nota, informa-se que “no último dia 18 de agosto foi aberto o certame licitatório, no edital de Pregão Eletrônico nº 034/2021/CRSN e não teve interessado. Diante do resultado, o edital será republicado na tentativa de concluir a contratação“.

No processo licitatório de 65 páginas informa que o vencedor terá a responsabilidade de alvenaria e chapisco (16 m2), colocação de arame farpado no muro (80 metros), limpeza do terreno (100 m2) e remoçao de entulhos (20 m3). O valor base estimado para a concorrência é de R$ 80 mil.

Já no “relatório ensaio fotográfico”, o documento informa que “virmos que o imóvel necessita de uma grande reforma” e que “está sem água, sem luz e já roubaram toda fiação do imóvel, quebraram o banheiro e alguns vidros, o telhado apresenta muitas infiltrações, existe muita sujeira no interior do imóvel e na parte externa já roubaram o portão de acesso, o mato está alto”.

Um prédio à sua própria sorte

Todo esse tempo, o imóvel ficou esquecido. Não teve mais nenhuma utilidade física para as ações da Prefeitura de São Paulo. E foi depredado interna e externamente. Por sorte não foi ocupado por grupos de famílias sem teto, até o momento, por causa da localização de residências de policiais à sua frente – a região fica próxima do Barro Branco da Polícia Militar, na Invernada, ao lado do Horto Florestal.

O que se vê é muita sujeira do lado de fora, e o mato solto demonstra que ninguém se preocupa pelos cuidados. À frente do imóvel já não há mais o portão de ferro. Ele foi roubado, como outras grades.  A porta principal está completamente aberta para quem quiser entrar. Nem mesmo tem fechadura e maçaneta.

Um  mau cheiro forte vem de dentro para fora, com muitos pontos de fezes  e de urina pelos cantos, que se misturam com muita sujeira.  Jogados ao chão ficaram os resquícios de fios elétricos, que não servem para nada. Não se vê mais as luminárias, interruptores, torneiras e outros objetos.

E desapareceram os móveis e as poltronas de tempos das reuniões do Conselho Participativo Municipal (CPM) da Subprefeitura de Jaçanã-Tremembé, no comando de Alex José de Oliveira Marchiorato – e foi dele o pedido no Programa de Metas 2021-2024 da Prefeitura de São Paulo,  reforçando a requalificação do imóvel na implantação da URSI.

O que foi no passado

EM 2014, o subprefeito de Jaçanã-Tremembé, Edson Viana, descobriu que o imóvel pertencia à Prefeitura de São Paulo e tentou transferir a subprefeitura. Com essa ideia da sede própria levou uma parte dela para ocupar o local. Não deu certo.

Nesta mesma época, os  vários Conselhos (Participativo, Gestores de Saúde e os do meio ambiente CADES e Quinta Ambiental) se uniram e começaram a ocupar o local com várias atividades. Houve  também as reuniões de Governo Local, que aconteceram no até o final de 2016. As fotos de arquivo provam a importância daquele espaço  para a cidadania. Em uma das salas teve até o domínio dos conselheiros para reuniões preparatórias e o arquivo de documentos.

Reunião CPM com vice-prefeita Nádia Campeão

Várias autoridades passaram pelo local em importantes Audiências Públicas. Mas em 2017,  com um novo governo, tudo foi desconstruído e com incertezas de seu destino. Antes,  esse mesmo espaço teve também a companhia da diretoria do Lions Clube de Tremembé Distrito LC—2, que foi fundado há 53 anos (27/09/1968), que discutiu importantes ações sociais sob a presidência de Silvonei Amaro, por um longo tempo — até sendo conhecido e citado como “Prédio do Lions”.

Nada sobrou no meio dos escombros da história. Neste tempo, grupos de conselheiros da saúde na região tentaram usar o espaço para equipamentos aos idosos – até aproveitando a administração da SPDM-Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina na Unidade Básica de Saúde (UBS) Dona Mariquinha Sciascia, ao lado. E nada foi à frente nas gestões de vários subprefeitos.

Reunião CPM-JT com Sec.Saúde, Alexandre Padilha

E o tempo passou e aconteceram os entraves administrativos, com a retirada  de todos os conselhos do prédio. Atualmente no posto de subprefeito de Jaçanã-Tremembé,  Niwton Gilberto de Jesus,  confirma que ” a área em questão foi transferida em 2019 para Secretaria Municipal de Saúde, onde se tornou responsável pela limpeza e conservação do imóvel. A zeladoria realizada pela Subprefeitura é só em área externa”.

O que é a URSI

A Unidade de Referência à Saúde do Idoso (URSI) é uma unidade especializada para atender ao idoso na sua área de abrangência. Ela se insere no nível secundário da atenção à saúde, oferecendo atendimento pela Equipe Interprofissional, em âmbito individual e coletivo, dentro de uma visão integral.

O objetivo das URSI’s é garantir a promoção e atenção integral à saúde do idoso mais fragilizado no nível secundário de assistência do SUS, para que o idoso permaneça na comunidade durante o maior tempo possível e com a maior capacidade funcional atingível, obedecendo aos protocolos de encaminhamento.

As URSI’s devem prestar atendimento às patologias mais complexas, aos problemas específicos do envelhecimento e às complicações das patologias mais prevalentes. Os profissionais dessas Unidades devem assumir, também, ações de prevenção de doenças e de promoção e proteção da saúde, além de ações educativas e de auxílio aos profissionais da atenção primária, num trabalho interprofissional e intersetorial.

A equipe gerontológica é composta idealmente pelos seguintes profissionais com especialização em Gerontologia ou Geriatria: Assistente Social, Enfermeiro, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Médico Geriatra, Nutricionista, Psicólogo e Terapeuta Ocupacional. Outros profissionais fundamentais são Auxiliar Técnico Administrativo e Auxiliar de Enfermagem, estes não necessitando de formação específica.

Os encaminhamentos dos idosos da Atenção Primária para as URSI’s devem obedecer aos protocolos de encaminhamento, onde se especifica as condições passíveis de atenção no nível secundário. Além disso, é necessário conseguir a contra-referência para a Atenção Primária, assim que o plano de condutas e tratamentos for estabelecido pelos profissionais da equipe. << Com apoio de informações: Secretaria Municipal da Saúde>>


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