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CONSEG V.Guilherme-Jd. S.Paulo recebe grande público e tem reunião tumultuada

Tempo de Leitura: 9 minutos

 

da Redação DiárioZonaNorte

  • Os CONSEGs foram criados através do Decreto Estadual nº 23.455, de 10 de maio de 1985, e regulamentado pela Resolução SSP-37, de 10 de maio de 1985.
  • Cada CONSEG é uma entidade de apoio à Polícia Estadual nas relações comunitárias, com coordenação local da Policia Militar e da Policia Civil

A reunião do Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) da Vila Guilherme-Jardim São Paulo, realizada na 4ª feira (18ago2021) no Colégio Amorim-Santa Teresa – na Vila Guilherme (Zona Norte), ocorreu de uma forma totalmente atípica, com seu formato e estrutura alterados – incluindo um bate-boca com uma moradora novata à reunião,  transformando assim a  noite da posse da nova diretoria para biênio 2021-2023

Na sala lotada que, pela primeira vez, recebeu quase 100 pessoas ávidas para debater os problemas da região, estavam comerciantes, trabalhadores de ferro-velho e representantes religiosos, moradores…  Membros de vários segmentos que antes não compareciam as reuniões.

A área

O CONSEG V.Guilherme e Jd. São Paulo (que engloba também Vila Isolina Mazzei, Carandiru e parte de Santana) tem uma importância muito grande por estar no meio de problemas de segurança e zeladoria de uma enorme região de distritos e bairros, com estimativa de quase 250 mil habitantes em 11 quilômetros quadrados.

Nela situam-se pontos de grande movimento como o Terminal Rodoviário do Tietê, Estações do Metrô (Jardim São Paulo, Santana e Carandiru), os Centros de Acolhida para Moradores em Situação de Rua, Conjunto Habitacional Cingapura, Hospital Penitenciário,  ExpoCenterNorte, Cidade Center Norte, a ETEC e o Parque da Juventude, entre outros.

O início da reunião

Sem a leitura de ata da reunião anterior – ou de seus principais pontos debatidos –  e sem execução do hino nacional, o ex-presidente por seis anos e advogado José Maria da Rocha Filho ainda realizou a abertura da reunião, convocando  à mesa de autoridades, os membros natos: Comandante da 3ª Companhia do 5º Batalhão da Policia Militar, Capitão James Carlos; o Delegado-titular do 9º Distrito Policial, Antonio Salles Lambert Neto

E, na sequência, chamou o representante do subprefeito Dario José Barreto, de Santana/Tucuruvi/Mandaqui, o assessor de gabinete Thiago Guerra;  subprefeito de Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros, Roberto Godoi;  Comandante da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Santana, Inspetor de Divisão Ramalho.

E mais os representantes de órgãos e empresas de serviços: Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Renato Torlone Chinaglia;  Conselheira Tutelar da região V.Maria/V.Guilherme, Penha Aparecida Pereira Silva Moreira; e estreando a representante da SP Trans da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, Nathalia Groba Lopes Soto.Na plateia, prestigiando a reunião, o diretor do Colégio Amorim-Santa Teresa,  professor Élcio Fernandes, o ex-subprefeito Antônio Manoel Esteves – de Santana/Tucuruvi/Mandaqui; do ativista social Beto Freire; do jornalista Evandro Franco; do empresário Betô – da Casa Shiva, além  de representantes de assessores políticos de vereadores e deputados estaduais.

A posse da nova diretoria

A palavra inicial da mesa foi passada para o Comandante James Carlos, da Policia Militar, que deu posse a  nova diretoria do CONSEG V.Guilherme-Jd.São Paulo para o biênio 2021-2023:  o ex-presidente José Maria da Rocha Filho,  passa a ser o Diretor Social e de Assuntos Comunitários; Eulália Maria Conceição Tallatti, primeira secretária; Vera Lúcia  Lopes Agueda, segunda secretária; Wilson Roberto Padula da Silva, Vice-Presidente; e, por último, o novo presidente Rubens Antonio Lopes Júnior. 

O presidente fala

O novo presidente do CONSEG V.Guilherme-Jd.São Paulo, Rubens Antonio Lopes Júnior, iniciou sua fala em pé em frente à mesa das autoridades e meio nervoso consumiu somente  4 minutos e 45 segundos, de forma simples no seu jeito da   “palavrinha conhecida como empatia, que sabendo usar tudo fica mais fácil”.

Lembrou o lado da cidadania, que deve ser compartilhada por todos os moradores, sem exclusividades pessoais. “Hoje não conseguimos fazer as coisas sozinhos!”, acrescentou, indicando que “o CONSEG é um dos caminhos”.

“Temos situações no cotidiano que precisamos ir aprendendo e como fazer e cobrar”, disse. Não adianta reclamar através das mídias sociais, mas buscar os caminhos certos com as autoridades, “ a gente tem que saber o que, onde e como correr atrás, como a gente deve cobrar, como protocolar… há soluções que devemos ir aprendendo”, insistiu.

Pontuou sobre a importância do CONSEG juntamente com os canais de comunicação públicos, como o telefone 156 da Prefeitura de São Paulo, além do encaminhamento de outras demandas através das autoridades na reunião. Por outro lado, a intenção demonstrada pelo novo presidente é deixar as portas abertas do CONSEG para todos os moradores e representantes dos diversos segmentos.

Ele afirmou que já fez convites aos representantes dos ferro-velhos (que inclusive já participavam no dia da reunião), da Comunidade do Coruja, de templos evangélicos, das igrejas, dos comerciantes (também presentes na reunião), líderes comunitários, diretorias de colégios e outros. “Se unirmos as forças a partir de agora, com paciência e tempo, vamos chegar às soluções com dias melhores para todos”, concluiu em seu primeiro discurso de abertura.

O imprevisto bate-boca

A  maioria da plateia – muitos pela primeira vez na reunião -, desconhecia o formato da reunião, onde as autoridades que formam a mesa tem a palavra inicial, de apresentação, sem intervenção dos presentes, com as demandas sendo apresentadas posteriormente.

Mantendo essa ordem, o primeiro a falar foi  o membro-nato Delegado-titular do 9º Distrito Policial, Antonio Salles Lambert Neto. E, citando que mora na região, o delegado  fez referências aos índices de criminalidade da cidade e disse que “aqui não está ruim” – comparativo bem piores que acontcem em outras regiões da cidade. Com isto, ele tentava corrigir os números divulgados em reportagem do Bom Dia SP da Tv Globo.

A fala do Dr. Lambert Neto foi interrompida por uma  senhora na plateia, sentada  no meio da sala, que gesticulava com a mão negativamente. Por quase sete minutos ininterruptos, a senhora contou uma longa história de ocorrência policial na região. Todos da plateia ficaram focados nela, que  falava alto e rispidamente, com críticas ao um suposto mau atendimento no Distrito Policial e  também de um policial militar.

Com muita dificuldade, o delegado conseguiu retomar a palavra e explicar que deve ter havido algum engano. O Distrito Policial não fecha durante a semana e que tem gente a todo momento para atender as demandas, além dos três delegados. Mas a senhora, logo em seguida, começou de novo a falar. O ex-presidente José Maria teve que intervir para que o assunto não se desenrolasse mais adiante.

O segundo tempo do bate-boca

E a palavra foi passada ao segundo membro-nato do CONSEG, o Capitão James Carlos que usou de sua autoridade, falando forte para que a ordem na reunião fosse retomada.

Mesmo assim, houve um novo bate boca entre o capitão da Policia Militar e a senhora na plateia. Segundo o capitão, se há problemas e reclamações contra policiais o caminho deve ser através dos órgãos de ouvidoria, corregedoria, Justiça e disciplina da Polícia Militar, indicando claramente e nominalmente os acontecimentos. “A senhora tem todo direito de usar a cidadania e reclame, mas pelos caminhos oficiais e com fatos e detalhes”, acrescentou.

E para que o bate-boca não fosse a outras consequências, o ex-presidente do CONSEG teve que novamente intervir para que a senhora parasse de falar na plateia. “Eu pediria que a senhora participasse, mas que permitisse que os outros da plateia pudessem falar. Estamos ouvindo há muito tempo somente a senhora falando”. E aproveitou para dar sequência às falas dos representantes na mesa de autoridades.

A reunião volta ao normal

O ex-presidente do CONSEG continuou na direção da reunião e explicou como são feitas as demandas através de formulário interno, lembrando que a demanda por ser feita também pelo serviço informatizado da Prefeitura de São Paulo, através do telefone 156, e informar o protocolo para o CONSEG. Neste caso, haverá uma comunicação com a Subprefeitura ou órgão responsável. Foi sugerido que o assunto resumido com o número do protocolo possa também ser informado no Grupo de WhatsApp.

Logo em seguida, houve reclamações na plateia que é feito o pedido através do telefone 156, até com demanda simples (tampa de bueiro) e, depois de algum tempo, aparece que o “serviço foi finalizado”, mas o conserto não foi realizado. E a plateia perguntou quem controla ou fiscaliza o andamento e a finalização do pedido?

O subprefeito de Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros, Roberto Godoi, tentou explicar o trâmite dos  via Prefeitura com órgãos e secretarias. Mas informou ainda que a Praça de Atendimento (nas 32 subprefeituras) pode encaminhar esses pedidos, mas o morador informou que fez isto e lá disseram para usar o 156 e que o problema não foi resolvido até o momento — o subprefeito anotou o endereço e ficou de ver o caso.

Da plateia veio mais uma reclamação sobre pedido de poda de árvore, encaminhado pelo 156 e não resolvido. O subprefeito Roberto Godoi explicou que os pedidos de poda envolvem a verificação e o laudo de um agrônomo que vai ao local, vistoriar a árvore. Nos casos que envolvem poda de “galhos entre fios”, o sistema 156 tem essa opção (podendo ser anexada uma foto da situação) e o pedido é encaminhado rapidamente para os serviços da Enel.

O caso dos ferro-velhos

Um comerciante da região, no meio da plateia, informou que foi muito bem atendido no Distrito Policial e pela Policia Militar. Ele disse participou na reportagem do Bom Dia São Paulo e que teve bueiros internos da loja em cinco furtos, nos últimos quatro meses. Mas conseguiu recuperá-los indo a um dos ferro-velhos da região.

Sugeriu ainda, o não funcionamento dos ferro-velhos nas 24 horas, que deve funcionar somente no horário comercial. Em seguida, o delegado disse que inclusive há uma delegacia específica no DEIC que cuida de seu funcionamento e questionou a Prefeitura pode verificar se o local tem alvará de funcionamento. <<Detalhe: indagado quantos Boletins de Ocorrência ele fez para ser atendido, a resposta foi  “fiz três e fui muito bem atendido!”, o que a plateia aplaudiu e ovacionou o comerciante>>

Bailes funk

O Capitão James Carlos dá retorno sobre ações contra os “bailes funk”, ou com referências à perturbação de sossego de uma demanda na Rua Henrique Felipe da Costa.  Ele também faz referências as ações que a Policia Militar tem tomado na região na questão de furto de material nas ruas e recepção em ferro-velhos.”Não estamos alheios a essas reclamações”, completou.   Mais outras duas reclamantes sobre “bailes funk” surgem na plateia. E o Capitão da PM deu mais explicações, com detalhes de locais dos acontecimentos, e  de como como proceder nas formalizações das demandas.

Foi dada a palavra ao visitante especial  Williams Fernandes da Silva – conhecido como MAD, que é o presidente do CONSEG de Perus-Anhanguera, na Zona Noroeste. Ele mostrou que os problemas são parecidos em cada região e comparou o que acontece na sua região. Ele fez conselhos para dar crédito ao CONSEG, ter conversas e relacionamento para solucionar os problemas como cidadãos.

Outros assuntos foram lembrados como o Vizinhança Solidária (com o novo presidente do CONSEG contandfo sua história e dando conselhos), Base Fixa da Policia Militar na Praça Oscar da Silva (o Capitão desmentiu seu fechamento) e cursos profissionalizantes na região (cita a Casa de Cultura Vila Guilherme que não oferece).

O encerramento

Muitas demandas da plateia, relatadas em formulário, chegaram às mãos da diretoria do CONSEG, durante a reunião. Essas demandas não foram lidas e não se sabe quais os assuntos. Nem mesmo foram acrescentadas na ata da reunião. Foram entregues às autoridades da mesa e não tiveram respostas. Como as demandas da reunião anterior, não tiveram devolutivas e não se sabe o que aconteceu em seus encaminhamentos e soluções — ver reportagem anterior: clique aqui. No final da reunião, os moradores participantes foram às conversas com as autoridades.

Aguarda-se a próxima reunião em 15 de setembro (sempre às terceiras 4ªs. feiras do mês), das 19 às 21 horas, no mesmo local: Colégio Amorim-Santa Teresa, à Rua Lagoa Panema, nº. 466 – travessa da Rua Maria Cândida, na Vila Guilherme.  Os interessados em participar do Grupo de WhatsApp/CONSEG VILA GUILHERME /JARDIM SÃO PAULO / SANTANA / ISOLINA MAZZEI / CARANDIRU deve solicitar inclusão através da diretoria: Rubens (Cel. 9-8227.4598), Padula (Cel. 9-61124940) ou José Maria (Cel. 9-9718.0945).

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