Início Cotidiano Ponte Pequena recebe voluntários no “1º Multidão da Limpeza”

Ponte Pequena recebe voluntários no “1º Multidão da Limpeza”

da Redação DiárioZonaNorte

Uma grande transformação ocorreu na cidade, em cerca de  meio século. O que era longe, ficou perto. Um exemplo claro é a Zona Norte, que tudo ficava distante até por questões estratégicas, como a Casa de Detenção, conhecido como Carandiru, inaugurada na década de 1920. Ou, por questões de saúde, o Hospital dos Morphéticos ou Leprosário Guapira, hoje o Hospital São Luiz Gonzaga, que abriu suas portas em setembro de 1904. Ficavam no meio do mato, da Mata Atlântica, entre sítios e fazendas. E há muitos outros exemplos e referências.

A história das pontes === E assim outras regiões, até mais próximas do centro da cidade, como a do velho e conhecido bairro da  Ponte Pequena – que era de madeira e recebeu esse nome por causa da ponte que cruzava o Rio Tamanduateí, na tradução o Rio dos Tamanduás-bandeira – e próximo da Ponte Grande, também de madeira, que atravessava o Rio Tietê para Santana, onde hoje ficou a Ponte das Bandeiras, da década de 40 no governo do prefeito Prestes Maia.

Tudo mudando === E a vida era mais tranquila, na época dos cavalos, burros, charretes e carroções. Mais tarde, os primeiros carros e a chegada dos ônibus de nariz, precedendo a grande revolução dos bondes elétricos. Neste período, a chegada dos imigrantes que ocupavam  os cortiços da Ponte Pequena. E a vida ia se modificando com as novidades da “modernidade daquela época”, com o crescimento do comércio ao redor da Ponte Pequena.

O remo era o esporte === Naquele espaço houve muita história. E o local foi crescendo recebendo clubes à beira do Rio Tietê, que era navegável, e trouxe o remo como esporte. O Clube Tietê, o Floresta (mudou para Espéria) e da Associação Atlética São Paulo — que dizem que lá foi construída a primeira piscina da cidade. Ali era o “point” da população nos finais de semana para acompanhar (nas águas limpas do Tietê!) as provas de remo, observando da Ponte Grande e nas laterais do rio. A cidade não disponha de muita programação cultural  — a não os saraus e os bailes. A vida era mais pacata!

Av.Tiradentes – hoje.

O que tem a Ponte Pequena === Mas o progresso foi chegando e o tempo passando. Em 26 de setembro de 1975 foi inaugurada a Estação Ponte Pequena da Linha Azul do Metrô – que faz o trecho Vila Mariana até o Tucuruvi. E 10 anos depois, uma nova Estação foi construída com a ajuda financeira de comerciantes armênios da região. E como homenagem a Estação passou a ser conhecida como Armênia. De lá para cá o nome Ponte Pequena foi sendo trocado por Armênia e sendo esquecido. De um lado, a região está próxima do Parque da LuzPinacoteca, Museu de Arte SacraFatec, do antigo Presídio Tiradentes, da ROTA, e de várias empresas e entidades; de outro lado,  pela Av. Cruzeiro do Sul, tem Shopping D,  Colégio MilitarMuseu da CMTC, e outros.

Praça Bento de Camargo Barros com passarela/Clube Tietê.

O olhar para o bairro === Tudo isto para mostrar a importância da Ponte Pequena, um bairro localizado no Distrito do Bom Retiro, na região central da cidade. E faz divisas com o Bom RetiroCanindé e Santana (Zona Norte). Do passado, hoje a Ponte Pequena está largada à sorte.

O governo municipal esqueceu do lugar, apesar de pertencer à Subprefeitura da Sé, mas é como se estivesse na periferia. E os moradores estão morando em uma região deteriorada pelo tempo. Velhos casarões,  casas humildes e sem cuidados, o comércio pequeno e sem incentivo, um transito infernal na Cruzeiro do Sul e na Avenida do Estado junto com a Santos Dumont e Tiradentes  — inclusive esta Avenida teoricamente terminaria junto à Estação do Metrô, mas tem continuação do outro lado do Rio Tamanduateí, a partir da Av. do Estado até a Marginal — pouca gente sabe disto.

Tem uma bela Praça Bento de Camargo Barros (em frente ao Clube Tietê) — que está sendo dominada por moradores de rua com barracos e viciados com drogas — e que poderia ser um local de lazer para os moradores, com segurança da Guarda Civil Metropolitana, e até sendo “adotada” por alguma empresa do local ou até um pool de empresas.

Ações de limpeza === Por outro lado, os moradores não colaboram com o lugar, que vive sujo, imundo. À noite a Av. Cruzeiro do Sul e as ruas fazem parte da penumbra — apesar das “promessas” que a Ilume (a empresa responsável da iluminação pública) ia mudar toda a iluminação. É lixo nas calçadas, embaixo do viaduto, ao lado do Santuário das Almas, nem se preocupam e defecam nas esquinas e urinam nas portas. E muito lixo com os moradores de rua, com seus carrinhos de bagulhos.

Juntando pneus nos baixos do metrô. As fotos do álbum desta reportagem mostram o estado do lugar. Esse lado negativo foi o resultado das ações do “1º Multidão da Limpeza” – e não Mutirão, já que a intenção é para o comparecimento de uma “multidão” –, que aconteceu no sábado (27/04/2019), das 11 às 13h30, com a presença de cerca de 15 voluntários.

Os caminhos do lixo === Mas desde às 7 horas da manhã, 15 caminhões de limpeza da Inova estavam circulando pela região e cerca de 50 funcionários nas ações.  Rodrigo Silveira Carlosencarregado Operacional de Zeladoria da Inova, estava coordenando o pessoal da capinação, varrição, coleta e pintura, desde a Av. Santos Dumont (inclusive o canteiro central) e a Praça Bento de Camargo Barros.

Depois junto com os voluntários do  1º Multidão da Limpeza, que seguiram pela Rua Porto Seguro até a Av. Cruzeiro do Sul (em frente ao terreno que seria a Cracolândia na Zona Norte – em frente ao Shopping D) e retornou pela Rua Guaporé,  seguindo pela Av. Tiradentes até a Praça Bento de Camargo Barros. Inclusive, essa praça  além dos barracos de moradores de rua e do pessoal de drogas, mostra ainda um grande perigo para pedestres, já que o pessoal usa a passarela em frente ao Clube Tietê — onde podem ocorrer assaltos e outros delitos.

A organização das ações === Joana D´Arc Figueira, advogada e moradora da Ponte Pequena há 30 anos, tem o seu lado de voluntária como ativista social e foi a idealizadora deste “1º Multidão da Limpeza” – que retornará em breve, com mais participantes, e também incentivará outros bairros/locais da Zona Norte. Ela conseguiu o apoio do Subprefeito da Sé, Francisco Roberto Arantes Filho – que esteve no local no final dos serviços — , com a retaguarda da Inova.

Como representante da Subprefeitura da Sé, a Coordenadora de Governo Local, Ingrid Martins, que  esteve o tempo todo acompanhando  e incentivando os serviços de limpeza, no local. O pessoal da Lindoya Verão — que tem escritório e depósito na Ponte Pequena — enviou fardos de água mineral para os voluntários e o pessoal da Inova, que estavam embaixo de um Sol de quase 30 graus.

Outros bairros farão ações de limpeza === Uma outra incentivadora foi a presidente da Associação Amigos do Jardim São Paulo e Zona Norte, Alba Medardoni, que ficou impressionada com o estado das coisas: “Eu passo de carro por aqui e vi que tinha sujeira. Mas, meu Deus!, aqui no local a situação é muito feia mesmo”, observou. Alba foi incansável na limpeza das calçadas, retirando até pequenos papéis no meio das festas do chão.  “Essas ações são muito importantes para a educação e conscientização dos moradores. E faremos em breve ações também no Jardim São Paulo e outros bairros, com apoio da Joana”, comentou. 

 E o exemplo começa cedo, pois junto aos adultos estava o pequeno Theo, de 3 anos, com sua vassourinha e pá, ajudando a limpar a Ponte Pequena, ao lado de sua mãe Marcela. No caminho da limpeza, vários moradores elogiaram a iniciativa e prometeram que vão ajudar da próxima vez. Foi observado a esses moradores que “se cada morador cuidasse de seu metro quadrado, limpando e cuidando de sua rua, seria muito agradável para todos”.

Os agradecimentos === A ativista social e idealizadora do 1º Multidão da Limpeza mandou um recado nas mídias sociais: “Foi incrível, muito obrigadaaaaaaaaaaaa!!! Nas últimas décadas, é a primeira vez que presencio tanto cuidado para com a nossa região, foi massa! Queremos sempre, Subprefeitura da Sé,  e que a população conserve!”. Depois em sua página do Facebook fez mais agradecimentos e mandou uma nova mensagem: “Dia incrível de cidadania. Juntos, demos nosso recado: podemos e devemos limpar e conservar nossa região. Sigamos fazendo a nossa parte, fiscalizando e cobrando (tanto o poder público, quanto a população porca e mal educada). Lugar de lixo É NO LIXO!! E aí, morador/comerciante, já limpou sua calçada hoje???? Obrigada DiárioZonaNorte, Alba Medardoni, Patricia, JuJu, Carol, Celso, Elizabete Barreto, Noemi Silveira, Waldir Mazzei, Brite, Silvana (da Lyndoia Verão), Ingrid (Subprefeitura Sé), o Subprefeito Roberto Arantes, Marcela e o pequeno Theo – e o pessoal excepcional da Inova. NÓS fazemos a diferença. Em breve tem mais...”.  É isto, a Ponte Pequena deu o exemplo de cidadania para os demais bairros, a cidade e os moradores. E todos ficam na expectativa para que essas ações sejam copiadas e executadas por todos!