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O passado e o presente nos 118 anos do Tucuruvi, sinônimo de progresso na região

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da Redação DiárioZonaNorte
O  bairro do Tucuruvi completa 118 anos de história neste domingo (24out2021). Como acontece com outros bairros da Zona Norte, a data  quase fica no esquecimento e nas homenagens — apesar de um evento fechado e de última hora da Subprefeitura Santana/Tucuruvi/Mandaqui, nas mãos de interesses politicos de vereadores ou candidatos às eleições do ano que vem.

A palavra Tucuruvi  tem origem na língua tupi e significa “gafanhoto verde”, através da junção dos termos tukura (gafanhoto) e oby(verde). E homenageando o bairro, o gafanhoto é também mascote da escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi

Os distritos que fazem divisa com o distrito: Tremembé (Norte), Jaçanã (Leste), Vila Medeiros (Sudeste), Santana (Sudoeste), Mandaqui (Oeste) e Vila Guilherme (Sul). E 17 bairros que compõem a região: Vila Dom Pedro II, Parada Inglesa, Jardim França, Vila Mazzei, Jardim Kerlakian, Jardim Barro Branco, Jardim Dona Leonor Mendes de Barros, Jardim Maria Antônia, Parque Rodrigues Alves, Tucuruvi, Vila Pedrosa, Vila Gustavo, Vila Nivi, Vila Constança, Vila Santa Terezinha, Parque Vitória e Vila Cachoeira

O início

O primeiro núcleo de povoamento da área  foi criado em 1903, quando o inglês William Harding comprou terrenos na região, formando o  bairro  Parada Inglesa. Era só mata na continuidade da Serra da Cantareira.

Um pouco mais adiante das terras da  Parada Inglesa, o  então Sítio Pedregulho pertencente a Bento Ribeiro da Silva, foi vendido para  Mariano Antônio Pedro por 128 contos de réis.

Esta mesma propriedade foi revendida para Ignácio Joaquim por 158 contos de réis e passou a se chamar Sítio Lavrinhas, sendo posteriormente herdada por Claudino Ignácio Joaquim que, em 1914 vendeu as terras para o italianoHenrique Mazzei.

Os primeiros loteamentos

Mazzei então, dividiu o sítio em loteamentos dos 500 mil metros quadrados em lotes de dez por quarenta metros e dez por cinquenta metros, ocupados por pomares e jardins que aproveitavam o declive acentuado dessa região, vendendo-os em pequenas prestações.  O loteamento deu início a Vila Mazzei.

Em terreno cedido pelos Mazzei, foi iniciada, em 1918, a construção da Igreja Menino Jesus, na atual avenida Mazzei.   O distrito manteve aspectos rurais durante muito tempo.

O mesmo Henrique Mazzei  foi contratado pela família Medeiros para o  trabalho de arruamento e loteamento de um novo bairro que viria a ser a Vila Medeiros, fundada oficialmente  em  11 de outubro de 1912.

Tramway da  Cantareira

Tramway Cantareira ligava o Centro até a Serra da Cantareira, desenvolvendo o distrito em torno de suas estações. Este trem era um dos únicos meios de transporte dos moradores do distrito até a década de 1960.

Anteriormente denominadoCantareira, a área foi desmembrada  do distrito deSantana, pela Lei 2.104 de 29 de dezembro de 1925.

Só em 1934 o distrito da Cantareira passou oficialmente a denominar-se distrito do Tucuruvi, com sede no bairro Tremembé, ocupando uma área de 89 quilômetros quadrados.

Foi por meio da articulação dos moradores Manuel Gomes, João Gualberto de Almeida Pires, Manoel Tomé Novaese o capitão Ary Gomes que a a sede foi transferida do Tremembé para o Tucuruvi  e com  ela,  a mudança de sua denominação para subdistrito de Tucuruvi, através do Decreto 6.618, de 21 de agosto de 1934.

O progresso

Hoje, o Tucuruvi está transformado com o lançamento quase diário de modernos empreendimentos. A região é um emaranhado de prédios, que até escondem o perfil à distância da Serra da Cantareira.

O metrô tem o terminal no Tucuruvi, ao lado de um shopping, com os pontos de ônibus municipais e até da EMTU com a vizinha Guarulhos.

No antigo espaço do Condominio Valparaizo, vários supermercados ocuparam o terreno e o último foi o Carrefour. Em seguida, esse supermercado foi ao chão e no lugar surgiu o TriMais, com seus 96 caixas e várias lojas. Ao lado, um prédio que vai comportar escritórios.

A principal rua do comércio continua sendo a Avenida Tucuruvi, onde os grandes magazines também aderiram. Na mesma avenida fica o prédio da Subprefeitura da região, mas que lamentavelmente não conservaram a antiga casa do inglês Willian Harding, o precursos do desenvovimento da região.

Tucuruvi tem um pouco de tudo e cresce a cada dia.

Palacete de William Harding, onde está a Subprefeitura

    Depoimentos de antigo morador da região

Tucuruvi de Ontem – Bons Tempos Aqueles

por Paulo Sérgio Freitas (*) – A rua onde morávamos, Rua Enótria, perto da Igreja do Menino Jesus do Tucuruvi, não tinha calçamento. A minha mãe odiava isso – também, veio da Rua Clélia, na Lapa, e morava no mesmo prédio onde hoje é o Olímpia, e naquela época era o Cine Nacional.

Porém, eu me divertia muito, e foi por minha causa que meu pai resolveu se mudar, pra que eu, com quatro anos de idade, não atravessasse a Rua Clélia sozinho, pois pegava as chaves de casa, no bolso do avental da minha mãe e saía às escondidas.

As casas em Tucuruvi não tinham grades, não tinham muros altos e eram raras as que tinham garagem. O pessoal andava a pé e de ônibus; nem metrô tinha, e o ônibus ia até a Praça do Correio. Todos se conheciam e, como se dizia na época, “São Paulo é uma cidade que produz, de dia falta água, de noite falta luz”.

Com essa falta d’água, tínhamos que nos socorrer com uma vizinha, onde íamos buscar água no poço, e essa maratona de todos na casa dela era feita com muita alegria – ao menos por nós crianças.

As noites sem luz eram alegradas pela grande maioria dos vizinhos sentados em frente as suas casas, com as cadeiras na calçada conversando amenidades, e nós, as crianças, adorávamos aquela falta de luz, pois, assim, podíamos ficar brincando até tarde da noite sem que nossas mães nos chamassem para tomar banho e jantar.

O lixeiro era uma carroça, puxada a cavalos, e as latas de lixo eram latas mesmo, que os catadores despejavam dentro da carroça; não havia garrafa pet e nem sacos plásticos. As compras vinham em saquinhos de papel; o pão era, na maioria das vezes, uma bengala ou um filão, e o leite vinha em garrafa de vidro com tampinha de alumínio.

As quartas-feiras eram dias de feira, onde se comprava de tudo, tudo mesmo; não havia supermercados, e as compras dos demais mantimentos eram feitas na venda e anotadas na caderneta, que eram pagas de quando em quando pela minha mãe.

Aos domingos, íamos à missa na Igreja do Menino Jesus do Tucuruvi. Quem não fosse à missa não ia à matinê no Cine Valparaíso ou no Cine Tucuruvi.  Ah, bons tempos aqueles no Tucuruvi!


<< Com apoio de informações/fonte: (*) “Nossos Bairros, Nossas Vidas” – “São Paulo, Minha Cidade” – SP Turis / Prefeitura da Cidade de São Paulo>>


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