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Mais uma vez, a cidade de São Paulo foi paralisada com a greve do SindMotoristas

Assembleia com trabalhadores / Fim da greve
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da Redação DiárioZonaNorte

Conforme anunciado, o Sindicato dos  Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo – SindMotoristas parou a cidade desde a zero hora desta 4ª.feira (28/06/2022). Durante o dia todo, foi o caos no transporte público sem ônibus nos terminais da cidade. Mais de 2,5 milhões de usuários deixaram de usar as 675 linhas paralisadas, envolvendo 6 mil ônibus de 14 empresas.

Um dia muito sofrido para a população da cidade. Gente que perdeu o dia no emprego, outros que ficaram perdidos entre os terminais vazios e a sequência das linhas, já que só funcionaram algumas linhas locais nos bairros. No final da tarde, a população começou a se dirigir aos terminais, com o anúncio do fim da greve.

Nova reunião entre os representantes do SindMotoristas e da SP Urbanuss (o sindicato patronal, das empresas) aconteceu por volta das 15 horas no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A decisão do TRT foi direta: greve abusiva e com retorno imediato das frotas de ônibus nas ruas. E mais multa de R$100 mil por causa das duas últimas paralisações.

Até por volta das 19 horas, os terminais retornavam vagarosamente com as linhas e muita gente. Segundo um dos diretores do SindMotoristas, a normalização não seria total por causa do deslocamento dos motoristas e cobradores até as garagens das empresas de ônibus, já que moram longe e teriam dificuldades.

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Assembleia nesta 4a.feira
SindMotoristas e o fim da greve

Às 19h37, o SindMotoristas divulgou nota com o título “Greve é encerrada e trabalhadores têm conquistas inéditas!”,  depois de uma assembleia com os trabalhadores, com  justificativas para o fim da greve.

No comunicado informa que “Embora o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) tenha considerado a greve abusiva, determinando o retorno imediato das atividades, a diretoria do SindMotoristas avalia o movimento grevista como positivo, pois garantiu avanços históricos nas reivindicações da categoria como o pagamento de 100% das horas extras, por exemplo.

A Justiça confirmou o reajuste de 12,47% nos salários e no ticket refeição retroativo a 1º de maio e renovou as principais cláusulas existentes da CCT.

Para a direção do sindicato, o entendimento da corte foi um xeque-mate nos patrões, ao entender que as horas extras e feriados devam ser pagos com 100% acima do valor da hora normal, conforme a lei 13.103/2015.

“Com a decisão da justiça, os trabalhadores têm o direito de pausa a cada 4 horas trabalhadas. As empresas deverão acatar a decisão e se adequarem à essa realidade, não podendo descontar nas horas extras dos trabalhadores”, afirmou o presidente em exercício, Valmir Santana da Paz (Sorriso)

A não concessão deste intervalo penaliza o empregador com o pagamento de multa, além do pagamento a título de horas extras (horário normal + 50%) de todo o tempo eliminado do intervalo.

Ainda, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) deve ser objeto de negociação e a adequação de nomenclaturas e plano de carreiras do setor de manutenção, teve o prazo de 60 dias para que definição.

Segundo classifica, a greve foi inevitável. Para o sindicato, a greve foi inevitável. “O descaso do SPUrbanuss levou os trabalhadores a fazerem uso da greve, que é a nossa ferramenta de luta. Não tínhamos outro caminho diante de tanto impasse e intransigência”, explicou Sorriso.

Comentários de usuários, que sofreram com a greve, foram sobre os objetivos do SindMotoristas, que deveriam deixar as “catracas” abertas e realizar uma “greve branca” para mexer com as empresas. “Uma maneira de mostrar às empresas que só pensam nos lucros”, comentaram. E, desta forma, sem prejuízos para a cidade.

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Acerto no TRT e ganhos dos trabalhadores/SindMotoristas
Críticas ao prefeito

Em entrevista na manhã desta 4ª.feira (29/06/2022), o prefeito Ricardo Nunes fez sérias críticas aos dirigentes do SindMotoridas, considerando a paralisação de “irresponsável”, sem atender a decisão do TRT com a primeira paralisação, há 15 dias. Segundo o prefeito, não houve aviso com antecedência sobre a greve e a paralisação não atendeu a frota de 80% de ônibus nas ruas.

Em resposta, o SindMotoristas divulgou comunicado em repúdio às declarações do prefeito. Segundo o comunicado, em entrevistas às emissoras de rádio e tv, o gestor do município tem afirmado que “a decisão da greve é uma atitude irresponsável e que suspeita que o sindicato tem agido em conluio com as empresas”. Diante do pronunciamento, o sindicato da categoria lamenta e repudia tal posição, considerada pela direção da entidade como “leviana, covarde, e infeliz”.

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Ilustração no Comunicado do SindMotoristas/Site

Durante as visitas às garagens do sistema, realizadas nessa madrugada, Sorriso tem falado sobre o assunto. “Primeiramente, cabe dizer que o prefeito tem agido covardemente, pois sempre terceiriza a sua responsabilidade em dialogar com o sindicato e reconhecer a essencialidade dos trabalhadores em transportes que estão legitimamente reivindicando os seus direitos. Outros ataques partidos do prefeito são levianos”, afirmou o presidente em exercício da entidade, Valmir Santana da Paz (Sorriso).

O sindicalista também afirmou que o prefeito de São Paulo tem desprezado os profissionais que atuaram na linha de frente da pandemia e não pararam um único dia no transporte da maior cidade do país. “Foram mais de 3 mil trabalhadores contaminados e centenas de mortos pela COVID-19. Hoje os trabalhadores que tanto se doaram pedem o mínimo de reconhecimento”, disse.

Para o presidente licenciado do sindicato, o prefeito de São Paulo se esqueceu do compromisso com a categoria. Ele se esqueceu daqui que seu comprometeu quando ainda era candidato, quando o sindicato o levava e preparava suas agendas nas garagens para que ele, e o Bruno Covas, se reunissem com os trabalhadores. Além disso, protocolizamos uma pauta de reivindicações na Prefeitura. O prefeito pode ter a memória curta, nós não”, afirmou Noventa. <<Com apoio de informações/fonte: Assessoria de Imprensa/SindMotoristas>>


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