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Com Carnaval só em 2022, X-9 Paulistana muda para quadra localizada na Vila Maria

Foto: Adriano Moraes/X-9
da Redação DiárioZonaNorte 

No próximo mês de março, a Escola de Samba X-9 Paulistana deixa sua quadra da Rua Paulo Silva Araújo, 25 – ao lado do Sesc Jardim São Paulo/Santana. Foram seis anos nesta quadra em seus 46 anos de existência — antes o mesmo local serviu de Barracão de alegorias por 20 anos.

A Imobiliária VMX apressou-se em dependurar a placa de “Aluga-se” no galpão de 1.100 metros quadrados, que terá o desembolso mensal de 25 mil reais mensais e mais um IPTU de 1.300 reais.

Em março, a X-9 Paulistana estará em uma nova quadra na Vila Maria, próxima da Av. Guilherme Cotching. No momento, está sendo realizada grande reforma no local, com pintura, palco e até um espaço especial no estilo de camarotes na parte superior. Muita preocupação da Diretoria da agremiação para oferecer aos sambistas e componentes da escola. No lado de fora, as pinturas tradicionais da escola e o logo-brasão.

“Dos mais de 20 anos naquele antigo espaço, seis foram de quadra. Mas chegou um momento, que a quantidade de reclamações estavam demais, tanto para a X-9 Paulistana quanto para o proprietário. Assim, decidimos encerrar as atividades no antigo endereço e corrermos atrás de um não tão distante, mas que a gente conseguisse realizar nossos ensaios e eventos com mais tranquilidade.”, lamenta o presidente da X-9 Paulistana, Ailton Martinelli da Silva (Branco).

Branco – pres. X-9 Paulistana

Com a pandemia, que mudou a vida de todos, a X-9 Paulistana também foi afetada – até financeiramente -, mas apesar das poucas atividades na quadra, o samba não foi esquecido nas veias dos sambistas da escola.

Tudo seguiu no cardápio: samba-enredo, fantasias, adereços, alegorias e outros componentes. Até os carros-alegóricos sendo montados no Barracão, até o final do mês — e, em seguida, os artistas amazonenses viajam à Parintins para descanso com as famílias, e retornam em junho.

Como neste ano não haverá o palco do Sambódromo — o cancelamento foi anunciado no dia 12 de fevereiro em coletiva pelo prefeito –, tudo está sendo planejado para o Carnaval 2022. “Quanto ao adiamento do carnaval 2021, acredito que foi o melhor a se fazer nesse momento, pois precisamos salvar vidas. E sem dúvida que, em 2022, iremos vir com a energia de dois anos acumulados e vai ser inesquecível”, lembrou o presidente Branco.

Ele lembrou ainda que a escola de samba já está trabalhando com cautela, com protocolos de segurança e, até o momento, foi escolhido o tema, finalizadas as fantasias pilotos e o samba-enredo já está em fase de finalização. E concluiu: “Assim, de uma forma tranquila, lançaremos  a nossa escola mais um ano para nossa comunidade.”

A X9 Paulistana vai desfilar no Grupo de Acesso com o enredo “Arapuca Tupi – A reconquista de uma terra sem dono”, de autoria do carnavalesco Igor Carneiro e do jornalista Júlio Poloni, com apoio da pesquisa e desenvolvimento pelo departamento cultural da agremiação.

Com o enredo que mostra e demonstra a sabedoria de nossos índios junto à natureza, a X-9 Paulistana busca seu retorno ao Grupo Especial. A escola vai mostrar tudo que tem de direito no desfile programado às 2 horas da madrugada de 28 de fevereiro de 2022 (2ª. feira) , disputando com Morro da Casa Verde, Camisa Verde e Branco, Independente Tricolor, Pérola Negra, Leandro de Itaquera, Estrela do Terceiro Milênio e Mocidade Unida da Mooca.

Feijoada do Mestre &  Muito Samba

No dia 13 de março (sábado), a X-9 Paulistana abre mais oitavo evento com o prato principal com uma bela feijoada, junto aos sambistas e a comunidade. Com todos os protocolos de segurança de acordo com os órgãos de saúde, o encontro excepcionalmente será no Clube Guapira (Rua Dr. José de Camargo Aranha, 376 – Jaçanã), das 13 às 16 horas.

A camisa especial da bateria e a feijoada a vontade terão o custo único de R$60,00. Acontecerá homenagens aos mestres Guilherme e Gustavo, com muito samba puxado pelo Alysson Dias e a participação da Acadêmicos do Salgueiro. As reservas de convites da feijoada com a camisa da bateria da X-9 Paulistana podem ser feitas com o Mestre Fábio no telefone (11) 9-8221-0857 ou no Instagram da bateria.

O que representa o enredo

O enredo “Arapuca Tupi – A reconquista de uma terra sem dono”, trata-se  de um tema indígena de caráter crítico-social, baseado em uma história fictícia, que carrega traços de um universo distópico revertido a uma utopia carnavalesca. Ou seja, a trama inicia-se no caos e se encerra vislumbrando um país que todos sonhamos.

Além da ficção, o enredo pretende atirar uma flecha certeira na questão nacional da devastação do nosso meio ambiente e na atual desmoralização das lutas indígenas de forma reflexiva e verdadeira.

Sabe aquela ideia que todos já ouvimos alguém dizer: “- Vamos devolver a terra pros índios e pedir desculpas pelo estrago”? . Partindo dessa premissa nasceu a idealização do tema, que vai além de um simples plano de devolução ou um pedido de desculpas.

Diante do caos social em que se encontra nossa nação, a civilização perdida e desconsolada, se rende à frente de uma operação indígena, que surge a fim de propor soluções imediatas para a sociedade a partir de princípios e ensinamentos próprios, que serão aplicados transformando o panorama caótico em uma perspectiva conveniente e otimista na intenção de reconstruir um país mais justo.

Nesta história, tais ensinamentos serão aplicados de forma pacifica num clima de redenção e purificação, permeando a exuberante cultura nativa, suas crenças e hábitos.

A partir daí, a providencial “arapuca” armada pelos nativos, apresentará os principais elementos para a reconquista de um mundo melhor por meio da preservação da natureza, liberdade, igualdade, fartura e respeito; adventos de esperança e purificação de um novo tempo que renascerá, devolvendo ao povo indígena sua legitimidade.

O desfecho do desfile, reflete a valorização de nossa arte numa releitura dos movimentos culturais e de manifestações carnavalesca comemorando este novo mundo e sua verdadeira identidade.

Com essa proposta a X-9 Paulistana, pretende fazer um “auê” inesquecível em sua história, se consolidar definitivamente no seu espaço de direito e trilhar um caminho de novas conquistas e vitórias.

O que é a X-9 Paulistana 

O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba X-9 Paulistana foi fundado em 12 de fevereiro de 1975, no bairro da Parada Inglesa, Zona Norte de São Paulo, por um grupo de amigos que comemoravam no famoso Bar do Japonês a vitória do seu time de futebol, o Grêmio Internacional Parada Inglesa (Gipi), time de várzea da região.

Como em qualquer comemoração, era indispensável uma boa batucada regada com muita cerveja. Assim surgiu a ideia de fundar uma escola de samba, o G.R.C.E.S. Filhotes da X-9, tendo como presidente Luiz Ademar Moura Campos.

A trajetória da Filhotes da X-9 no carnaval paulistano divide-se em duas partes distintas. Da sua fundação até meados da década de 1980, sua participação era tímida, inexperiente.

A partir de 1986, observam-se as mudanças com Laurentino Borges Marques (Lauro) assumindo a presidência e estabelecendo uma diretoria mais atuante. Lauro ficou à frente da agremiação verde-vermelha-branca até novembro de 2001, quando faleceu, assumindo a presidência José Manoel Gaspar até abril/2013.

Para o carnaval de 2014, André dos Santosassumiu a presidência da X-9 Paulistana por onde ficou por quatro Carnavais. De 2018 até o momento, a presidência está nas mãos de Ailton Martinelli, o Branco

Um pouco do sucesso nos desfiles

Com nova administração, a X-9 assumiu um estilo arrojado e profissional. Resultado? Torna-se campeã em todos os grupos intermediários (IV, III, II e I), atingindo ao máximo, em 1995, com o enredo“Arco-Íris da Ilusão”, seu objetivo: integrar o Grupo Especial das Escolas de Samba de São Paulo, sendo campeã em 1997 com o enredo “Amazônia, a Dama do Universo”, fato inédito para uma escola de samba com apenas três desfiles no Grupo Especial.

 Em 1998, com “Sonhos de um Cowboy Brasileiro”, ficou com a nona colocação e, em 1999, com “Laços e Abraços no Mundo do Mercosul”, ocupou o terceiro lugar. Já em 2000 levou o campeonato com a Vai-Vai, sacudindo o Sambódromo com o enredo“Quem É Você, Café?”, em que contou o ciclo cafeeiro no Brasil acontecido didaticamente no período “inicial” de 1730 a 1770.

Em 2001, com o enredo “Estive Aqui, Lembrei-me de Você… Me Leva, Brasil!”, classificou-se em terceiro. No ano seguinte, a agremiação entrou na avenida com o tema “Aceito Tudo… Quem Sou Eu? O Papel!”, fez um desfile campeão, mas nem tudo deu certo. No início do desfile houve problemas com o som e houve atraso na cronometragem. No fim das contas, a X-9 ultrapassou 1 minuto de seu desfile e perdeu seis valiosos pontos que a levaria a dividir o título com a Gaviões da Fiel.

Em 2003, a escola entrou na avenida ao amanhecer com o enredo “Pi, Iê, Rê, Jeribatiba ou Pinheiros. A Deusa dos Rios Clama por Sua Preservação. Se Ele Muda de Curso, Pode Mudar Sua História”, um samba contagiante que levantou os foliões. Mesmo fazendo um lindo desfile e sendo a favorita de sábado, na pesquisa Ibope/Rede Globo, a X-9 ficou com nota 9,5 do público (somente atrás da Gaviões da Fiel, com 9,7) e obteve a terceira colocação.

Em 2019 a emoção tomou conta de todos os amantes do carnaval e do samba, com o desfile da X-9 em homenagem ao grande artista Arlindo Cruz. Momento marcante e histórico para toda comunidade Xisnoveana.


Nota da Redação: As fotos da reportagem (acima) e mais as publicadas no álbum (abaixo) foram flagradas antes da pandemia do Coronavirus/Covid-19. No momento e nas próximas atividades, a X-9 Paulistana segue todas as normas de saúde e segurança das autoridades.


<< Com apoio de informações/fonte: Ass.Imprensa X-9 Paulistana/Leandro Nascimento>>