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Vila Medeiros comemora 109 anos esquecida na Zona Norte pelas autoridades

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  • O Distrito pertence à Subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme
  • A Igreja Nossa Senhora do Loreto localiza-se na região

Sempre esquecido pela Prefeitura de São Paulo, e principalmente pela Subprefeitura de Vila Maria/Vila Guilherme, que nunca lembra que tem o distrito de Vila Medeiros, o bairro comemora nesta 2ª feira (11/10/2021) mais um ano de sua fundação: 109 anos. Igualmente esquecido como os demais bairros da Zona Norte, a Prefeitura e as “autoridades” nada fazem de homenagem.

Mas os quase 150 mil habitantes convivem em uma ára de um pouco mais de sete quilômetros quadrados. Fazem parte do território os bairros de Vila Sabrina, Vila Ede, Vila Munhoz, Jardim Brasil, Jardim Guançã, Jardim Julieta, Conjunto Promorar Fernão Dias, Jardim Neid, Vila Alegria, Vila Elisa, Vila Luisa e parte do Parque Novo Mundo. É um distrito localizado entre a Vila Maria, Vila Guilherme, Tucuruvi, Jaçanã, Itapegica e Ponte Grande — esses dois pertencentes ao município de  Guarulhos.

Na história da Vila Medeiros considera-se a fundação em 1912, com o loteamento realizado pela Companhia Paulistana de Terrenos. O primeiro lote dos futuros distritos municipais veio com a Vila Guilherme em 1912 e Vila Maria em 1917. O nome  teria se originado por causa da família Medeiros de Jordão, que adquiriu a região em 1909.

O começo na Fazenda dos Medeiros

O historiador Levino Ponciano lembra em seu livro “São Paulo  de A a Z”  (Editora Senac) que a Vila Medeiros, como outros bairros paulistanos, era apenas uma grande fazenda. No final do século XIX a área foi desmembrada e, posteriormente, no inicio do século XX dividida, primeiro em grandes chácaras, e logo em seguida em loteamentos.

A família Medeiros de Jordão comprou uma área de 50 alqueires em 1909 e lentamente foi retalhando a fazenda.

Tempos difíceis para os moradores, pois os habitantes da região tinham de andar a pé quilômetros e quilômetros ate a Estação do Tucuruvi, e lá tomar o trem da Cantareira.

Exemplo disso foram os primeiros moradores da Vila Ede, que chegaram ao local lá pelas primeiras décadas do século XX. Faltava tudo, a não ser o espírito de luta dos moradores. Recebeu o nome de Vila Ede por ter sido loteada em terras pertencentes a Ede Mazzei, uma das filhas do grande loteador da Zona norte Henrique Mazzei.

O local era inseguro e a região, quase esquecida, como tantas outras! Somente em 1954 o bairro se ligou ao centro, pelo ônibus da linha Concórdia – Vila Medeiros.

O resto é a historia dos bairros de São Paulo: a luta de pessoas comuns em busca de um lugar ao sol no espaço paulistano. São moradores em sua grande maioria operários buscando um lugar na grande cidade. << Fonte: Levino Ponciano – Bairros São Paulo  de A a Z / Editora: Senac São Paulo>>

Vila Medeiros – Saudades de Minha Infância
Já no site “São Paulo, Minha Cidade”, da SP Turis, a moradora da Vila Medeiros, Marisa Cristina Consoni, publicou em 29/03/2009, com o título acima:
Passei a minha infância na Vila Medeiros, mais precisamente na Rua José Francisco Gomes.  Tudo era simples, não tínhamos videogame, bicicletas, bonecas que fazem de tudo e parecem de verdade, nossas brincadeiras eram esconde-esconde, bola araz, corda, e as que mais gostávamos: beijo, abraço e aperto de mão, roda.
Era de manhã à noite. Nas férias ninguém gostava de viajar, queríamos mesmo é poder ficar na rua brincando, os meninos soltavam pipas (ou papagaio), como diziam na época, jogavam bola, que até hoje não entendo como dava certo, pois eu morava numa rua que era descida, e não era uma descidinha, era uma descidona mesmo. As meninas brincavam de casinha, com suas bonecas, muitas vezes de pano, que a própria mãe ou avó fazia, ou quando muito ganhavam de uma tia uma relíquia de bonecas com rosto de porcelana.

Nossos medos eram outros. Na primeira casa que eu morei, mais lá embaixo, tinha uma viela, que uma vizinha já de idade teimava em dizer que tinha lobisomem, e que à noite de lua cheia ele se escondia na viela. Dormir pra mim era um terror, pois meu quarto ficava bem em frente a tal viela. Fora o homem do saco, essas coisas assim.

Natal então era uma maravilha, tudo simples, nada de tanta ostentação. À meia-noite, meu pai nos acordava (meu irmão e eu) para ver o que o Papai Noel tinha trazido de presente. Comíamos um franguinho assado, maionese, arroz, de sobremesa um manjar e gelatina. Refrigerante era guaraná, e naquelas garrafas pequenas ainda. E depois íamos dormir, para então no outro dia ir brincar e mostrar nossos brinquedos aos amigos. Ah, sem esquecer das nozes, panetone, e das castanhas.

O Natal tinha cheiro, tinha gosto, era uma data esperada ansiosamente, não pelo comércio, mas pelo significado mesmo. Os parentes tinham a maior satisfação das visitas, não tínhamos o costume de trocar presentes, o que valia era nossa presença mesmo, era uma obrigação visitar os avós, os tios mais velhos, mas era tudo prazeroso. Nossa, que saudades… < São Paulo, Minha Cidade – SP Turis >


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