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Editorial: São Paulo comemora 467 anos, com mais problemas. E cadê o prefeito?

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da Redação DiárioZonaNorte

Com os olhos voltados para o próximo dia 25 de janeiro, quando se comemoram os 467 anos de fundação da cidade, é triste ver e conviver com a mesma cidade de anos atrás.

Tirando a publicidade governamental ou o “embelezamento tampão” por causa das eleições, nota-se que a cidade continua praticamente do mesmo jeito – ou até piorou. E o povo sofre com isto e mais as enchentes invadindo as residências e o comércio. E vários outros problemas de zeladoria e cuidados básicos de uma cidade — não uma transformação radical do Vale do Anhangabaú, com um projeto de bilhões de reais.

Estamos em um período e ano extremamentes atípicos, com o início de uma vacinação contra o Coronavírus/Covid-19, e esperanças para um ano de recuperação, com muita saúde. Sim, tivemos alguns acertos na saúde, porém a cidade de São Paulo é recheada de problemas.

Oficialmente, houve a posse de um novo mandato, mas tudo continua como antes. Praticamente, nada mudou. Houve, é claro, algumas mudanças no secretariado por conveniência política, com interesses de partidos e vereadores. Mas o restante continua no mesmo ritmo.

Um fato que fugiu à regra e que criou uma polêmica foi o cancelamento da gratuidade das passagens dos idosos, precedido pelo aumento de 46% do salário do prefeito e de seus secretários. Dois fatos marcantes pelo “lado negativo” – em um momento crítico que todos vivem e participam!

Os subprefeitos continuam os mesmos, e até desconhecidos, em suas cadeiras promovidas nos feudos de alguns vereadores e até deputados simpáticos e convenientes ao governo municipal.

Houve somente duas mudanças com as trocas dos subprefeitos de Santana/Tucuruvi/Mandaqui e o de Pinheiros, também por interesses de seus titulares galgados em outras funções em órgãos municipais.

No caso da Subprefeitura Santana/Tucuruvi/Mandaqui, a substituição aconteceu com uma funcionária, que é coordenadora de administração e finanças da área financeira da mesma subprefeitura, e está respondendo interinamente. Essa substituição avança para mais de 20 dias sem que nada aconteça.
E, por outro lado, nos bastidores há uma briga em todas as 32 subprefeituras entre os interesses de vereadores, partidos e outros interessados politicamente (e quem sabe, financeiramente) para assumir os controles.

Diga-se de passagem que os atuais subprefeitos da gestão anterior, muitos não são nem moradores da região e consequentemente não conhecem os problemas.

Da posse até agora, o prefeito Bruno Covas não aparece em eventos – nem mesmo, no meio da epidemia, nas coletivas promovidas pelo governador e agora no início das vacinações. Ele tem transferido a condução da cidade para as mãos de seus secretários, é o que acontece com o Secretário Municipal da Saúde e da Educação. Nem mesmo tem uma atuação ativa – como antes – e até o Diário Oficial da Cidade tem se mostrado “magrinho”, com poucas páginas de seus atos.

Estamos a caminho para o final do primeiro mês deste segundo mandato do prefeito, que está mostrando em sua agenda diária na parte da manhã (entre 07h45 até 10h30) o período reservado às sessões de Radioterapia, no Hospital Sírio-Libanês. Depois, em sua maioria, os espaços da agenda ficam reservados aos “despachos internos” com chefe de gabinete, com os secretários de governo, com os secretários executivos, com o Secretário da Casa Civil e, muito raramente, com o vice-prefeito.

Com pouca exceção, houve alguma reunião interna extra com entidades civis ou, no máximo, videoconferência com secretários. A agenda diária é fechada por volta das 17hs30, de 2ª a 6ª feira – sem prolongamentos em atos aos sábados e domingos, como antes acontecia nas gestões. É de se imaginar que alguma comemoração do aniversário de São Paulo ficará sem a presença do prefeito — ou será substituído pelo vice-prefeito ou assessor.

Nada mais. Houve até recentemente uma coletiva com a Imprensa para o detalhamento do “retorno às aulas nas escolas públicas no meio da pandemia”, que o prefeito foi substituído pelo desconhecido vice-prefeito – em sua primeira aparição – junto aos secretários da Educação e da Saúde. Até o momento, nada se viu e se soube das metas de sete novos secretários, nem mesmo foram apresentados oficialmente.

Nota-se que até o noticiário e destaques da Secretaria Especial de Comunicação (Secom) ficaram no esquema “morno” dos acontecimentos, sem destaques dos importantes atos do prefeito e de seu governo.

Os espaços no site da página Secom são cobertos com “notícias frias” de acontecimentos metereológicos fornecidos pela Centro de Gerenciamento de Emergência (CGCE) ou Defesa Civil, as mudanças de itinerários de ônibus realizados pela SP Trans, as mudanças em trânsito comandados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), as limpezas de vários túneis da cidade, e assuntos neste nível. Lembrando que esses assuntos, na maioria dos casos, já são amplamente divulgados por outras assessorias da secretaria e órgãos.

É triste ver e reconhecer que a cidade está parada! As obras anunciadas nos vídeos promocionais da campanha eleitoral continuam como estavam – ou nem saíram dos projetos. Nada se vê na atuação do prefeito acompanhando o que acontece na maior cidade do Brasil, uma das oito metrópoles mais populosas do mundo com seus mais de 12 milhões de pessoas. Parabéns, São Paulo, e aguardamos mais transparência e atos de cidadania de seus governantes, com respeito aos moradores e “eleitores”.


Nota da Redação: Após editar o texto acima, a Redação do DiárioZonaNorte recebeu, no começo da noite desta 2ª feira (18jan2020), comunicado da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São Paulo, informando através de boletim médico que “O prefeito deverá reservar os próximos 10 dias para repouso e cuidados pessoais”. Isto em consequência das sessões de radioterapia. Mas dá entender que o prefeito irá fazer os despachos de sua residência, não assumindo o vice-prefeito. Na íntegra, eis o comunicado: “BOLETIM MÉDICO = BRUNO COVAS = 18/01/2021 = 18hs03 = O prefeito Bruno Covas completou hoje, dia 18, uma nova etapa de seu tratamento. Foi submetido a sessão complementar de radioterapia. O prefeito deverá reservar os próximos 10 dias para repouso e cuidados pessoais. Após este período está prevista a continuidade do tratamento com imunoterapia e exames de controle. O prefeito Bruno Covas vem sendo acompanhado pelas equipes médicas coordenadas pelo Prof. Dr. David Uip, pelo Prof. Dr. Roberto Kalil Filho, Dr. Artur Katz, Dr. Tulio Eduardo Flesch Pfiffer e Dr. João Luis Fernandes da Silva. Dr. Fernando Ganem = Diretor de Governança Clínica  = Dr. Angelo Fernandez = Diretor Clínico”


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