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“Ciclo Joanino”, das lembranças do passado e da infância surge a Capelinha de Melão

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por Toninho Macedo (*) / Reflexões – 9

“Capelinha de Melão,
É de São João,
É de cravo
É de rosa
É de manjericão.
São João está dormindo
Não acorda não,
Acordai, acordai, acordai, João”.

                            < de Alberto Ribeiro e João de Barro >

Foi como batizamos há tempos, nosso evento para o Ciclo Joanino, que volta a acontecer neste ano.

Na minha infância, no quintal da casa de minha avó, como nas casas em geral, dentre as brincadeiras improvisadas com o que tínhamos, compunha nosso repertório as guirlandas e “grinaldas” com ramas de “melão caetano”, para nós simplesmente melão. Isto no interior do Rio de Janeiro, prá mais de 65 anos. E eram lindos aqueles frutos pendentes das ramas em nossas cabeças.

O melão destas nossas guirlandas, bem como das “capelinhas de São João” (Momordica charantia L. pertence à família Cucurbitaceae), não é o mesmo que é encontrado hodiernamente em nossas feiras em todo o Brasil (Cucumis melo L.), originário da África e da Ásia.

As primeiras sementes do fruto (Cucumis melo L.) chegaram ao Novo Mundo na bagagem de Cristóvam Colombo quando de segunda viagem. Entretanto sua cultura só se difundiu pelo Brasil a partir dos anos 1960, quando então começou a ser cultivado comercialmente.

Já o “melão caetano”, o nosso “melãozinho”, é o celebrado em nossas “capelinhas de melão”, que inspiraram a famosa composição de Alberto Ribeiro e João de Barro (adaptação do Folclore Brasileiro, e gravada por Emilinha Borba em 1949).

“Trata-se de um cipó herbáceo da família Cucurbitáceas, muito comum em cercas, quintais, ramado por sobre arbustos ou mesmo em entulhos de terrenos baldios, por todo canto, que aqui teria aportado na bagagem dos negros escravizados.

Seu fruto cor de ouro com espinhos moles na superfície se abre espontaneamente em 3 partes, quando maduro mostra suas sementes vermelhas comestíveis de grande beleza e paladar suave, muito apreciado pelas crianças”.

Quanto a “Capela” *, o Aurélio registra em seu dicionário: “grinalda de Flores ou de folhagens”, uma coroa de flores ou de folhas. Grinalda.

Assim, “capelinha” nada mais é que um “diadema de flores da planta melão de São Caetano”.

De sua parte, Câmara Cascudo registra um certo folguedo do Ciclo Joanino, com traços que o aproximam de um ”pastoril”, seguindo os foliões em grupo, ornados de capelas de folhagens, em demanda de um riacho ou fonte para o milagroso banho da noite de São João.


*) Toninho Macedo — Por trás do conhecido Toninho Macedo, há o cidadão Antonio Teixeira de Macedo Neto, que conduziu grandes festivais de cultura e de folclore culminando no maior Festival de Cultura Paulista Tradicional, o “Revelando São Paulo“ – criado em 1996 –, por seis edições memoráveis na Zona Norte (Vila Guilherme, em 2010 a 2014 e 2017/2018), além do interior e litoral.

Nele há também muita experiência e inteligência, que vem da graduação em Licenciatura Plenas em Letras Neo-Latinas (1972) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo-USP (2004). Atualmente é diretor cultural e artístico da Abaçai Cultura e Arte, além de gerir Museu da Inclusão e a Fazenda São Bernardo, fundada em 1881 em Rafard (interior de São Paulo), onde Tarsila do Amaral nasceu e passou a infância — saiba mais clicando aqui


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