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da Redação DiárioZonaNorte
- A grafia correta é Lauzane Paulista, pois se refere ao bairro de São Paulo que homenageia a cidade suíça de Lausanne.
O bairro de Lauzane Paulista nasceu com alma europeia e espírito de montanha. Assim como a cidade suíça de Lausanne, que lhe empresta o nome, o bairro mistura paisagens elevadas, ruas arborizadas e um modo de vida tranquilo — herança dos imigrantes suíços, franceses e italianos que iniciaram a colonização local no fim do século 19. Nesta 5ª feira (23/10/2025), ao completar 101 anos, o bairro é símbolo de tradição e qualidade de vida na Zona Norte de São Paulo.
A história começa por volta de 1870, com o casal francês Pedro Gabone e a italiana Francisca Bocaccio, primeiros moradores das terras que, décadas depois, dariam origem ao Lauzane Paulista. Em 1917, o suíço Alberto Savoy, natural de Lausanne, adquiriu um sítio de 65 alqueires entre as atuais avenidas Conselheiro Moreira de Barros e Parada Pinto.
Em 1924, Savoy vendeu a área ao empresário Francisco Amaro, que, em homenagem ao amigo e à paisagem semelhante à da Suíça, batizou o novo loteamento de Lauzane Paulista. O nome se manteve, e as ruas receberam denominações típicas do país alpino: Vaud, Oberwill, Frauenfeld, Liestal, Geneve e Zurich, além da Avenida Basileia – só não tem o nome da capital administrativa, que é Berna.

Primeiros anos e crescimento
O loteamento foi iniciado pela empresa Francisco Amaro & Cia, abrindo caminho para novas famílias — Savoy, Simões, Bandini, Colombane e Rosolen — que ajudaram no desenvolvimento agrícola do bairro. As colinas férteis, o clima ameno e a presença de uma fonte antiga de água mineral, a “Fonte Lauzane” – foi desativada e hoje na área está o Supermercado Bergamini -, tornaram o local atrativo para quem buscava vida tranquila fora do centro paulistano.
Na década de 1930, o Trem da Cantareira – “Tramway“, imortalizado no “Trem das Onze”, passava pelo “Ramal dos Menezes”, que seguia o traçado da atual Rua Ramal dos Menezes. Era o principal elo do Lauzane com o restante da cidade.

Urbanização e modernização
A urbanização se intensificou nas décadas seguintes. Em 1969, chegou a primeira linha de ônibus, ligando o bairro à Praça da República, e em 1973, foi inaugurada a primeira escola municipal, a EMEF Marcos Mélega, na Rua Mont Blanc.

Nos anos 1970, o bairro ganhou fama por uma curiosa represa formada a partir de uma antiga pedreira, de onde se retiravam pedras para o calçamento da cidade. O local virou lixão e, depois, estacionamento — hoje ocupado pelo Supermercado Tri-Mais (ex-BergaMais, ex-Bergamini), na Av. Dr. Francisco Ranieri. Na religião, outro ícone muito lembrado na região é a Paróquia Santo Antônio, que foi fundada em 1958 e é muito frequentada na Av. Conselheiro Moreira de Barros.
Valorização e novos tempos
A partir dos anos 2000, o Lauzane passou a ser um dos endereços mais valorizados da Zona Norte, impulsionado pela inauguração em 2007 do Santana Parque Shopping – que reebeu outro nome, desde fevereiro: Partage Malls Santana – e por novos empreendimentos imobiliários. Curiosamente, muitos deles são anunciados como “em Santana”, tentativa de se associar ao bairro vizinho mais conhecido.
Mesmo assim, o Lauzane mantém identidade própria. Entre o Parque do Mandaqui e a Serra da Cantareira, conserva clima agradável e uma atmosfera comunitária que sobrevive ao avanço das torres residenciais.

Memória e reconhecimento
Apesar de sua importância, o bairro raramente é lembrado pela Prefeitura de São Paulo ou pela Subprefeitura Santana/Tucuruvi/Mandaqui em seus canais oficiais. O aniversário de 23 de outubro passa despercebido — lembrado apenas por moradores antigos e historiadores locais. Ainda assim, a memória persiste nas ruas, no futebol de várzea – que, desde 1927 (há 98 anos), tem como legítimo representante o Lausanne Futebol Clube, no meio do bairro — e nas histórias das famílias que construíram um dos bairros mais tradicionais da Zona Norte.
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