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Dr. Alfonso Massaguer, especialista em Reprodução Humana Assistida e idealizador do Centro Brasileiro de Congelamento de Óvulos, explica a janela de cerca de duas semanas para congelar óvulos sem atrasar o tratamento oncológico,
No Outubro Rosa, a conversa costuma girar em torno da mamografia e do tratamento, mas há uma pergunta que precisa ser feita à mulher jovem logo no diagnóstico de câncer de mama: “você pretende ter filhos?”.
Para o Dr. Alfonso Massaguer, especialista em Reprodução Humana Assistida, a resposta define o que deve ser feito antes da primeira sessão de quimioterapia, quando ainda existe uma janela curta para proteger o futuro reprodutivo da paciente.
“Quando uma mulher de 30 e poucos anos recebe o diagnóstico de câncer de mama, o foco, com toda razão, é a cura. Mas é justamente nesse primeiro momento, antes da quimioterapia, que existe uma janela valiosa para proteger o futuro reprodutivo dela. Depois que o tratamento começa, algumas dessas opções se estreitam ou deixam de existir. Por isso, a pergunta sobre o desejo de ter filhos precisa estar na primeira conversa entre paciente, mastologista, oncologista e especialista em reprodução humana“, afirma o Dr. Massaguer
O que o tratamento do câncer de mama faz com os ovários
O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as brasileiras, excluídos os de pele não melanoma, com 78,6 mil novos casos por ano estimados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o período de 2026 a 2028. Os diagnósticos em mulheres com menos de 40 anos vêm crescendo, fase em que o desejo de ser mãe muitas vezes ainda está no futuro.
Em geral, não é o tumor que compromete a fertilidade, e sim o tratamento: a quimioterapia pode reduzir a reserva de óvulos, e a hormonioterapia, que costuma durar de cinco a dez anos, impede a gestação enquanto está em uso, período em que a idade também pesa contra a paciente.
Uma janela de cerca de duas semanas
O congelamento de óvulos, feito por vitrificação, que é um congelamento ultrarrápido, é a técnica mais consagrada e em geral pode ser concluído em cerca de duas semanas, sem atrasar o início do tratamento oncológico.
Também fazem parte das opções o congelamento de embriões, o congelamento de tecido ovariano, indicado quando não há tempo para a estimulação ou em pacientes muito jovens, e os análogos do GnRH, medicamentos usados para tentar proteger os ovários durante a quimioterapia.
A principal dúvida das pacientes é se a estimulação hormonal poderia estimular o tumor. Para reduzir esse risco, os protocolos usados no câncer de mama associam o letrozol aos medicamentos de estímulo, mantendo o estrogênio em níveis baixos.
Um estudo prospectivo publicado no Journal of Clinical Oncology, com 215 mulheres, comparou quem fez a estimulação com letrozol e quem não fez, e não observou aumento do risco de recorrência no período de acompanhamento.
“O receio mais comum é que a estimulação possa alimentar o tumor. Por isso, nas pacientes com câncer de mama, usamos protocolos desenhados para manter o estrogênio baixo, e a decisão é sempre tomada junto com a equipe oncológica. A literatura que temos é tranquilizadora, mas cada caso é um caso, e o planejamento respeita o tipo de tumor, o estágio e a urgência do tratamento“, explica o Dr. Massaguer.
O que mostrou o estudo POSITIVE
A segunda pergunta das pacientes vem anos depois: e se o tumor for hormônio-positivo, é seguro parar o tratamento para engravidar?
O estudo internacional POSITIVE avaliou 497 mulheres de até 42 anos, com câncer de mama hormônio-positivo em estágios I a III, que pausaram a hormonioterapia por até dois anos para tentar a gestação.
A análise atualizada, com cerca de seis anos de acompanhamento, apresentada no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) em 2025 e publicada em 2026 na revista Annals of Oncology, não mostrou piora nos desfechos oncológicos: os eventos de câncer de mama foram de 12,3% entre as participantes do POSITIVE e de 13,2% no grupo de comparação, formado por mulheres que não interromperam o tratamento. Entre as que fizeram estimulação ovariana para preservar a fertilidade, também não houve resultado oncológico pior.
Cerca de três em cada quatro participantes (76%) engravidaram ao menos uma vez, com 440 nascidos vivos. Segundo os dados apresentados, a transferência de embriões esteve associada a uma chance de gestação mais de duas vezes maior.
“Durante muito tempo, a mulher ouvia que engravidar depois do câncer de mama era arriscado, principalmente se o tumor fosse hormônio-positivo. O POSITIVE ajudou a mudar essa conversa. Ter óvulos ou embriões preservados antes do tratamento amplia as possibilidades da paciente: quando chegar o momento certo e com a liberação da equipe oncológica, existe um caminho possível para a maternidade, sem garantia de resultado, porque cada mulher responde de um jeito“, afirma o Dr. Massaguer.
O que a lei e a Justiça dizem sobre o custeio
O custo é uma das principais barreiras. A Lei 14.454, de 2022, estabeleceu que o rol de procedimentos da ANS é uma referência básica e não uma lista fechada.
Em 2023, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento relatado pela ministra Nancy Andrighi (REsp 1.962.984), decidiu que o plano de saúde que cobre a quimioterapia deve custear também o congelamento de óvulos da paciente com câncer, como forma de prevenir a infertilidade, efeito previsível e evitável do tratamento.
Pela decisão, a obrigação da operadora vai até a alta da quimioterapia, e a partir daí os custos ficam com a paciente.
“No Brasil, preservar a fertilidade antes da quimioterapia ainda é, na prática, um privilégio de poucas. A paciente e a família precisam saber que a Justiça tem reconhecido esse procedimento como parte da prevenção dos efeitos do tratamento. Vale pedir ao oncologista um relatório que deixe claro o risco de infertilidade e a necessidade do congelamento antes de a quimioterapia começar”, orienta o Dr. Massaguer.
Um centro dedicado à preservação da fertilidade na Zona Norte
O Centro Brasileiro de Congelamento de Óvulos funciona no bairro de Santana e se dedica exclusivamente à preservação da fertilidade feminina, com valores acessíveis. O espaço foi idealizado pelo Dr. Alfonso Massaguer para unir tecnologia e atendimento humanizado, tratando o congelamento de óvulos como planejamento familiar estratégico.
O centro também realiza uma consultoria sem custo para avaliar a reserva ovariana, informação que ajuda a definir se e como o congelamento deve ser planejado. No caso de mulheres com diagnóstico de câncer, o ideal é buscar o atendimento antes do início da quimioterapia, em conjunto com a equipe oncológica.
“Muita gente acha que preservar a fertilidade é algo distante da realidade da mulher que mora e trabalha na Zona Norte. Por isso idealizei o centro em Santana, com valores acessíveis, e a consultoria para avaliar a reserva ovariana. É uma conversa para a mulher entender o que é possível no caso dela, sem promessa de resultado, porque cada paciente é única“, explica o Dr. Massaguer.
O recado para este Outubro Rosa
“O Outubro Rosa salva vidas quando estimula o diagnóstico precoce, e deve lembrar também que a mulher que vence o câncer de mama tem uma vida inteira pela frente, com os planos que ela quiser fazer. Cuidar da cura e cuidar do futuro não são metas concorrentes, e a decisão sobre a fertilidade precisa ser tomada com informação e a tempo“, conclui o Dr. Massaguer.
SOBRE O CENTRO BRASILEIRO DE CONGELAMENTO DE ÓVULOS
Localizado no bairro de Santana, na Zona Norte de São Paulo, o centro é focado exclusivamente na preservação da fertilidade feminina com valores acessíveis. Idealizado pelo Dr. Alfonso Massaguer (CRM 97335 | RQE 42794), especialista formado pela Universidade de São Paulo (USP), o espaço une tecnologia de ponta a um atendimento humanizado, tratando o congelamento de óvulos como planejamento familiar estratégico.
<com apoio de informações: Fragata Comunicação – Jornalista Matheus Fragata>
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