Tempo de Leitura: 7 minutos

.

              Restaurante reúne tradições gastronômicas do Levante, da Pérsia e                                        do norte da África em ambiente descontraído, com pratos para                                             compartilhar e receitas marcadas pelo uso de especiarias

.

A poucos passos da movimentação das ruas de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, o Shuk Falafel & Kebabs encontra inspiração nos mercados populares do Oriente Médio para apresentar uma cozinha que atravessa diferentes países e tradições.

O restaurante, instalado na Rua Ferreira de Araújo, 385, aposta em receitas preparadas com especiarias, ervas frescas e ingredientes característicos da região, servidas em um ambiente informal, com mesas de madeira e uma decoração que acompanha a proposta da casa.

O nome Shuk vem do hebraico e significa mercado. Nos países árabes, esses espaços são conhecidos como souks, locais onde comerciantes vendem alimentos, especiarias e produtos do cotidiano. São mercados que fazem parte da vida urbana e preservam costumes transmitidos entre gerações.

Essa referência aparece na identidade visual do restaurante e no próprio material que acompanha as mesas. Um mapa apresenta a região do Oriente Médio, enquanto pequenos textos explicam a origem dos souks e a tradição da mezzé, uma seleção de pequenas preparações servidas para compartilhar.

A proposta ajuda o visitante a compreender a diversidade de uma cozinha que reúne influências persas, levantinas e norte-africanas.

Uma cozinha que atravessa fronteiras

O Shuk começou suas atividades durante a pandemia, inicialmente com o nome Yalah Falafel e operação voltada ao delivery. Em maio de 2022, ganhou endereço físico em Pinheiros.

Criado por Suzana Goldfarb, designer, e Mauro Brosso, historiador, o restaurante construiu sua identidade a partir de receitas associadas à comida de rua e às tradições domésticas do Oriente Médio.

O cardápio percorre diferentes territórios gastronômicos. Entre os pratos principais estão o Gheymeh (R$ 79), preparação de inspiração persa com pernil de cordeiro cozido lentamente e limão amani, ingrediente seco utilizado para acrescentar acidez e aroma aos ensopados iranianos.

O Shish Barak (R$ 79), tradicional do Levante, apresenta uma massa recheada com cordeiro, servida com molho quente de coalhada, azeite de ervas, mel de tâmara, alho frito e amêndoas laminadas. Destacando que a massa é elaborada pela Ana Soares do Mesa III Pastifício.

A influência do norte da África aparece no Tajine de Frango (R$ 69), preparado com legumes, damasco e ras el hanout, mistura de especiarias característica da culinária marroquina, acompanhado de cuscuz.

A seleção também inclui pratos vegetarianos, como o Hatzil 2.0 (R$ 54), à base de berinjela, mel de tâmara e dukkah, mistura egípcia de sementes, castanhas e especiarias.

Mezzezão do Shuk: quarteto de pastas, pão pita quentinho, falafel e picles

A mezzé e um falafel que se destaca

A experiência à mesa pode começar pela mezzé, uma das tradições mais representativas da culinária levantina. A proposta é reunir pequenas porções de pastas, vegetais e outras preparações, acompanhadas de pão, para que todos possam experimentar diferentes sabores.

No Shuk, a apresentação segue esse princípio. Uma travessa metálica reúne pequenas tigelas com pastas de diferentes cores e texturas, pães pita dourados que chegam quentinhos, vegetais frescos e falafel, os tradicionais bolinhos preparados com leguminosas, ervas e especiarias.

O conjunto chama a atenção pela variedade e pela apresentação, com os alimentos dispostos de maneira a facilitar o compartilhamento.

Falafel

O falafel merece um destaque especial. A versão servida é a egípcia, elaborado com favas verdes moídas em vez de grão-de-bico  A crosta apresenta a crocância esperada de uma fritura bem executada, enquanto o interior permanece úmido e macio. O tempero é equilibrado, com as especiarias presentes na medida certa, permitindo perceber o sabor da preparação.

É um resultado que merece atenção, especialmente porque a textura é um dos pontos mais delicados do falafel. Quando a massa perde umidade durante a fritura, o bolinho pode ficar seco e pesado. Na versão servida pelo Shuk, o equilíbrio entre crosta e interior contribui para uma experiência particularmente agradável.

kebab de kafta de cordeiro, escoltado por batatas fritas temperadas com especiarias

Kebabs, Kafta e michuí em versões generosas

A tradição da comida de rua aparece nos  kebabs, sanduíches preparados com pão sírio, recheios de carne ou falafel  e acompanhamentos.

Durante a visita, foram experimentadas duas versões:  duas de kafta de cordeiro e uma de michuí (cubos de ancho). Os três sanduíches se destacaram pelo sabor das carnes e pela quantidade de recheio.

A kafta, bastante difundida no Oriente Médio, é preparada com carne moída temperada e moldada para ser assada ou grelhada. O michuí, denominação familiar aos brasileiros que frequentam restaurantes árabes, é associado aos espetos de carne.

kebab de michui – tenros pedaços de ancho assados. no espeto, maionese de alho, salsinha, picles, tomates e cebolas levemente grelhados na chapa, melaço de romã e tahine.

No Shuk, os sanduíches são enrolados em pão sírio e prensados. A composição inclui maionese de alho, salsinha, picles, tomate, cebola, melaço de romã e tahine, pasta de gergelim muito utilizada na cozinha da região.

O melaço de romã acrescenta acidez à preparação, enquanto o tahine contribui com textura cremosa e sabor característico.

Os recheios são generosos e as carnes apresentam tempero bem equilibrado. Os vegetais e os molhos complementam os sanduíches, que chegam acompanhados de batatas fritas.

Os preços variam de R$ 63 a R$ 69, conforme a carne escolhida.

Para quem prefere uma opção sem carne, o cardápio oferece o Yalah Falafel (R$ 45), sanduíche levantino preparado com falafel, homus, salada, repolho roxo, picles, berinjela empanada e molho tahine.

Shuk Oriente Médio Pinheiros

A carta de vinhos poderia acompanhar melhor a proposta

A diversidade gastronômica apresentada pelo Shuk abre espaço para uma seleção de bebidas que explore as tradições dos países representados no cardápio.

Durante a visita, a modesta carta de vinhos reunia um rótulo argentino (taça R$ 32 e garrafa 750 ml R$ 119) e uma espécie de espumante brasileiro (Borbulhante Cia dos Fermentados R$ 69 garrafa 350 ml). A seleção atende a quem procura acompanhar a refeição com vinho, mas poderia dialogar de maneira mais próxima com a identidade culinária da casa.

O Líbano, por exemplo, possui uma tradição vitivinícola antiga, com produção concentrada especialmente no Vale do Bekaa. A presença de ao menos um rótulo libanês acrescentaria outra dimensão à experiência gastronômica.

Entre as possibilidades disponíveis no mercado brasileiro estão os vinhos do Château St. Thomas, produtor libanês representado pela Casa Flora Importadora.

A inclusão de rótulos dessa origem permitiria explorar harmonizações com cordeiro, kafta e preparações que utilizam especiarias, ampliando a proposta cultural apresentada pelo restaurante.

Para quem prefere bebidas sem álcool, o cardápio oferece alternativas inspiradas na região, como o jallab (R$ 19), refresco árabe à base de tâmaras, além de limonada com especiarias e hortelã (R$ 19) e soda de romã (R$ 22).

Shuk Oriente Médio Pinheiros
Salão Interno

Quanto custa comer no Shuk?

Na visita realizada por três pessoas, a conta totalizou R$ 375, incluindo a taxa de serviço, o equivalente a R$ 125 por pessoa.  A refeição foi bem servida, com porções generosas e pratos que atenderam às expectativas de sabor e apresentação.

O restaurante oferece ainda sobremesas tradicionais do Oriente Médio. Entre elas estão o Malabie (R$ 24), um manjar de leite acompanhado de compota de frutas e pistache, e doces como baklava, halawi e namoura, vendidos por unidade a R$ 16.

Shuk Oriente Médio Pinheiros

A visita ao Shuk revela uma cozinha que trabalha com referências de diferentes países sem perder a proposta informal dos mercados de rua que inspiram seu nome.

O cuidado no preparo do falafel, o sabor das carnes, a generosidade das porções e o serviço afinado, estão entre os pontos positivos da experiência. A carta de vinhos permanece como uma oportunidade de ampliar o diálogo entre a comida e as tradições culturais que orientam o restaurante.

Para quem deseja conhecer diferentes expressões da gastronomia do Oriente Médio, o endereço em Pinheiros oferece um percurso interessante, especialmente quando a refeição começa pelas pequenas porções compartilhadas.

Serviço

Shuk Falafel & Kebabs
  • Endereço: Rua Ferreira de Araújo, 385, Pinheiros, São Paulo.
  • Cardápio: mezzés, falafel, kebabs, pratos principais e sobremesas de inspiração           médio-oriental.
  • Preços de referência: sanduíches de R$ 45 a R$ 69; pratos principais de R$ 54 a      R$ 119, conforme o cardápio consultado em outubro de 2026.
  • Valor da experiência: R$ 375 para três pessoas, incluindo taxa de serviço.
  • 80 lugares (salão interno e área externa)
  • Reservas no site: www.shuk.com.br
  • Estacionamento:  Valet (R$ 40)

Os valores correspondem ao cardápio e à visita realizados em outubro de 2026 e estão sujeitos a alterações.

Transparência editorial

As visitas gastronômicas do DiárioZonaNorte são realizadas de forma anônima, sem comunicação prévia aos estabelecimentos. Todas as despesas são pagas pelo jornal, sem cortesias ou contrapartidas comerciais. As avaliações refletem exclusivamente a experiência observada durante a visita. Os preços informados são da data da visita e podem sofrer alterações sem aviso prévio.

Shuk Oriente Médio Pinheiros  Shuk Oriente Médio Pinheiros  Shuk Oriente Médio Pinheiros  Shuk Oriente Médio Pinheiros  Shuk Oriente Médio Pinheiros

Gosta das notícias do DiárioZonaNorte?

Adicione o jornal às suas fontes preferidas no Google e acompanhe nossas reportagens.

Adicionar às fontes preferidas