Sicredi Vale do Piquiri Assembleias 2026
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* Da história de um sorveteiro de 85 anos, no interior do Paraná, à expansão do Sicredi em São Paulo, o cooperativismo financeiro mostra como acesso ao crédito, pertencimento e participação podem impulsionar o desenvolvimento econômico e social.

 

Sob o sol do oeste do Paraná, uma buzina rompe o silêncio das ruas de Maripá sempre no mesmo horário. O som já faz parte da rotina da cidade e funciona como um convite para crianças, famílias e antigos clientes. Poucos segundos depois, surge um triciclo elétrico branco conduzido por José Almeida, de 85 anos, conhecido por todos como Seu Zé do Picolé.

Baiano de Feira de Santana, ele deixou a cidade natal aos 18 anos em busca de oportunidades. Trabalhou como açougueiro, administrador de fazendas e transportador escolar até construir uma nova vida no Paraná, onde conheceu Rosa, com quem está casado há 60 anos. Juntos formaram uma família com cinco filhos, sete netos e uma bisneta, Manuela, uma das maiores admiradoras dos sorvetes vendidos pelo avô.

Durante 15 anos, Seu Zé percorreu as ruas de Maripá empurrando um carrinho de mão carregado de picolés, sorvetes de massa e as tradicionais “moreninhas”, bolas de sorvete cobertas por uma fina camada de chocolate. As caminhadas diárias lhe renderam clientes, amizades e reconhecimento, mas também problemas vasculares que passaram a comprometer sua mobilidade.

Quando a aposentadoria parecia inevitável, surgiu uma alternativa.

A ideia partiu do filho José Luiz: substituir o antigo carrinho por um triciclo elétrico adaptado às necessidades do pai. O veículo foi adquirido por meio de uma linha de crédito da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP.

Eu sou associado da Sicredi há quatro anos e foi,  com a ajuda deles, que eu posso trabalhar com conforto e consigo dar três voltas na cidade toda. Se eu soubesse que era tão bom, tinha comprado um triciclo antes“, conta Seu Zé.

O resultado apareceu rapidamente. Durante a semana, ele vende cerca de 200 picolés. Aos sábados e domingos, esse número dobra. Na tradicional Festa das Orquídeas e do Peixe, um dos principais eventos de Maripá, o movimento cresce ainda mais.

A Sicredi fez um financiamento dentro das minhas possibilidades, em 40 parcelas. Eu já paguei 17. Assim eu consigo trabalhar… ir aonde os meus clientes estão… só falta colocar o picolé na boca deles…“, brinca, entre gargalhadas.

A história de Seu Zé poderia ser apenas a de um vendedor de sorvetes que encontrou uma forma de continuar trabalhando aos 85 anos. Mas ela revela algo maior. Mostra como o acesso ao crédito, quando aliado à orientação financeira e ao relacionamento de longo prazo, pode preservar a autonomia, manter uma atividade econômica e fortalecer a renda de uma família.

É essa lógica que explica o crescimento do cooperativismo financeiro em diferentes regiões do Brasil e que agora ganha força também em São Paulo, maior centro econômico da América Latina.  

José Almeida e seu triciclo

O modelo de negócio mais antigo do mundo é o mais moderno

O cooperativismo nasceu na Europa, há 200 anos e hoje, é ao mesmo tempo, o negócio mais antigo e mais moderno do planeta. No Brasil, o cooperativismo de crédito chegou pelas mãos do padre suíço Theodor Amstad, em 1902, no interior do Rio Grande do Sul.

Mais de 700 milhões de pessoas no mundo são associadas a uma cooperativa de crédito.

Nos países desenvolvidos o percentual de pessoas associadas as cooperativas de crédito é maior do que nos países menos desenvolvidos. De acordo com o Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU – sigla para World Council of Credit Unions), na Irlanda 74,4% da população é cooperada, no Canadá 46,7%, nos Estados Unidos 40%, na Alemanha 25% e na Austrália 17,6%. Hoje, apenas 11% dos brasileiros tem associação com alguma cooperativa. O movimento  cooperativista tem muito a crescer no Brasil.

Em 2015, a Organização das Nações Unidas adotou uma agenda chamada Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um plano de ação cujo foco está nas pessoas, no planeta e na prosperidade com justiça, paz e liberdade, tendo o horizonte de 2030 para o cumprimento das metas propostas. O Sicredi coopera de forma direta para 13 dos 17 ODS.

Estátua do Padre Theodor Amestad, em Nova Petrópolis – berço do cooperativismo de crédito financeiro

Quando o dinheiro permanece na comunidade

Em boa parte do sistema financeiro tradicional, os recursos captados em uma cidade podem ser direcionados para investimentos em qualquer região do país. No cooperativismo financeiro, a lógica é diferente. O dinheiro movimentado pelos associados permanece na própria comunidade, financiando empresas, produtores rurais, profissionais liberais e famílias que vivem naquele território.

Esse princípio é conhecido como Círculo Virtuoso do Cooperativismo. Ao estimular a circulação local de recursos, o modelo fortalece pequenos e médios negócios, amplia oportunidades de geração de renda, incentiva o empreendedorismo e contribui para o desenvolvimento econômico regional.

Essa dinâmica está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ao ampliar o acesso ao crédito e incentivar atividades produtivas, o cooperativismo contribui para a erradicação da pobreza, promove trabalho decente e crescimento econômico,  reduz desigualdades por meio da inclusão financeira e fortalece cidades e comunidades sustentáveis.

Essa relação entre desenvolvimento econômico e participação das pessoas resume a essência do modelo cooperativista.

Um movimento que cresce enquanto o mercado encolhe

Nas últimas décadas, a transformação digital mudou profundamente a relação das pessoas com as instituições financeiras.

Operações passaram a ser realizadas pelo celular, aplicativos substituíram filas e milhares de agências foram fechadas em diferentes regiões do país.  São Paulo acompanha essa tendência. A maior metrópole brasileira também viu o atendimento presencial perder espaço para os canais digitais.

Na direção oposta, o Sicredi amplia sua presença física. Na cidade de São Paulo, a expansão é liderada pela Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP que inaugurou, recentemente, onze novas agências.

Cada nova agência representa um espaço de orientação financeira, acesso ao crédito empresarial e rural, apoio a pequenos e médios empreendedores, educação financeira e fortalecimento da economia local.

Em uma cidade marcada por diferentes realidades sociais e econômicas, essa presença amplia oportunidades e reforça um modelo que coloca o desenvolvimento das pessoas e comunidades no centro da atividade financeira.

Para Jaime Basso, presidente da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, a expansão representa a continuidade de uma história construída ao longo de décadas.

Quando olhamos para a nossa história, desde os tempos em que a cooperativa funcionava em uma estrutura simples, percebemos o quanto sonhar faz a diferença. Aquilo que começou como uma solução para um grupo pequeno de pessoas hoje está presente em grandes endereços e em diferentes regiões de São Paulo. Crescemos com responsabilidade, proximidade e propósito, sem perder a essência de cooperar e de estar ao lado de quem confia em nós.

Prosperidade também se mede pelo pertencimento

O crescimento do cooperativismo financeiro não é explicado apenas pelos números da expansão ou pela abertura de novas agências. Ele também aparece na forma como os próprios associados enxergam a prosperidade.

Uma pesquisa realizada pelo Sicredi em parceria com o Datafolha buscou responder a uma pergunta simples: o que significa prosperar para o brasileiro? O levantamento mostrou que a percepção de prosperidade vai além da renda.

Envolve segurança para tomar decisões, acesso a oportunidades, qualidade de vida, relações de confiança e o sentimento de fazer parte de uma comunidade. Entre as pessoas que mantêm relacionamento com cooperativas de crédito, 86% afirmam se considerar prósperas. Entre os associados do Sicredi, esse índice chega a 92%.

A proximidade entre cooperativa e associado cria um ambiente em que o crédito deixa de ser apenas uma operação financeira. Passa a fazer parte de um processo que envolve orientação, planejamento e acompanhamento, fatores que podem influenciar decisões de investimento, expansão de empresas e organização da vida financeira.

Segundo Jaime Basso, essa característica diferencia o cooperativismo financeiro.

Enquanto muitos bancos nasceram nos grandes centros e depois foram para o interior, nós fizemos o caminho inverso. Construímos uma base sólida nas regiões interioranas e agora levamos esse modelo de relacionamento para a capital. A experiência nos mostra que o cooperativismo é viável em qualquer lugar, porque a necessidade de relacionamento e de apoio é própria das pessoas, estejam elas no interior ou em uma grande metrópole.

Cerimônia de inauguração da Agência Itaquera

Desenvolvimento que permanece nos bairros

A chegada de novas agências as regiões periféricas de São Paulo,  menos assistidas pelo sistema financeiro, ganha importância adicional, já que comerciantes, profissionais autônomos, empresas familiares e produtores rurais convivem com desafios semelhantes aos encontrados em municípios do interior: necessidade de acesso ao crédito, orientação para investimentos, planejamento financeiro e apoio para expandir suas atividades.

Para Jaime Basso, essa presença faz parte da missão da cooperativa.

Em muitos municípios do Brasil somos a única instituição financeira presente e isso nos dá clareza sobre o impacto que podemos gerar. Em São Paulo não é diferente, queremos estar perto de quem trabalha e vive em cada parte da cidade, oferecendo orientação financeira, crédito responsável e oportunidades para crescer.

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Jaime Basso, presidente da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP

Tecnologia aproxima quando fortalece o relacionamento

A transformação digital mudou definitivamente a forma como os brasileiros utilizam os serviços financeiros. Transferências instantâneas, pagamentos pelo celular, abertura de contas on-line e aplicativos cada vez mais completos passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas.

O Sicredi acompanha essa evolução. A instituição oferece mais de 300 soluções financeiras, investe continuamente em tecnologia e mantém um dos aplicativos mais bem avaliados do país.

A inovação, porém, não substitui o relacionamento próximo.  Abrir uma empresa, ampliar um negócio, financiar equipamentos, investir na propriedade rural ou reorganizar a vida financeira são escolhas que, muitas vezes, exigem mais do que uma tela de celular. Exigem escuta, conhecimento da realidade do associado e confiança.

Para Moacir Niehues, diretor executivo da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, esse continua sendo um diferencial importante do cooperativismo financeiro.

Muita gente pergunta por que continuamos a abrir agências enquanto outras instituições estão fechando portas. A resposta é simples, queremos fazer diferente. Investimos em tecnologia e em canais digitais, mas acreditamos que a presença humana continua essencial. As pessoas querem ser ouvidas, tirar dúvidas, conversar com alguém que entenda a sua realidade. Nossas agências existem para isso, para dar rosto, voz e acolhimento ao relacionamento financeiro.”

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Moacir Niehues, diretor executivo da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP

Crédito como ferramenta de desenvolvimento

Para a instituição financeira cooperativa o crédito é entendido como instrumento de desenvolvimento e não apenas como uma operação financeira. O acompanhamento continua durante a execução do projeto, seja na ampliação de uma empresa, no investimento em máquinas, na modernização de um comércio ou na produção rural.

Somos uma instituição financeira completa, com soluções para diferentes momentos da vida e dos negócios, mas o que realmente nos diferencia é a forma como nos relacionamos com as pessoas. Trabalhamos com proximidade e com humanização das relações. A tecnologia é uma aliada importante, porém não substitui o contato, a conversa e o cuidado de quem conhece o associado pelo nome e realmente acompanha a sua trajetória” lembra Moacir Niehues.

Conhecer para Compreeender

Essa lógica aparece na história de Seu Zé, apresentada no início desta reportagem. O financiamento do triciclo elétrico permitiu que o sorveteiro continuasse trabalhando aos 85 anos, preservando sua renda, sua autonomia e sua relação construída ao longo de décadas com os moradores de Maripá.

Essa proximidade permite compreender necessidades que nem sempre aparecem em uma análise exclusivamente financeira. Em muitos casos, o associado procura a cooperativa para discutir um projeto que ainda está sendo planejado. Antes da contratação do crédito, há espaço para avaliar riscos, identificar oportunidades e encontrar a solução mais adequada para cada realidade.

Esse acompanhamento fortalece a segurança na tomada de decisões e contribui para que investimentos sejam realizados de forma responsável, beneficiando tanto os associados quanto as comunidades onde vivem.

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Jaime Basso, presidente da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP

Sociedade de pessoas

As Assembleias são o momento onde o associado exerce o papel de dono do negócio. Elas acontecem anualmente e é ali, que os associados se reunem para deliberar sobre os rumos da cooperativa. No modelo cooperativista, cada associado tem direito a um voto, princípio que reforça a gestão democrática e o compromisso com o desenvolvimento das comunidades.

Os resultados obtidos pela instituição financeira cooperativa retornam aos próprios associados e ajudam a fortalecer a economia das comunidades onde foram gerados. Essa característica influencia diretamente a forma como os recursos são administrados e reinvestidos.

Não somos uma sociedade de capital. Somos uma sociedade de pessoas. Aqui não existe a figura do banqueiro ou do acionista. Todos são associados e participam dos resultados. Quando alguém investe, toma crédito ou faz negócios com a cooperativa, está construindo prosperidade coletiva.“, resume Moacir Niehues.

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Alisson Schach – Diretor de Operações durante a Assembleia 2026, realizada no Fetcesp – Zona Norte de São Paulo

Um convite para conhecer o cooperativismo

Márcio Port, presidente do Conselho de Administração da Central Sicredi Sul/Sudeste e autor do livro Cooperativismo Financeiro – Uma História com Propósito, sintetiza essa visão em uma reflexão frequentemente lembrada dentro do sistema cooperativo:

O maior concorrente do cooperativismo é o desconhecimento. Quando as pessoas compreendem o modelo, percebem que ele transforma realidades.”

Para Moacir Niehues, ampliar esse conhecimento é um passo importante para que mais pessoas compreendam como funciona uma cooperativa de crédito e quais são as diferenças em relação ao sistema financeiro tradicional.

“Quem ainda não conhece o cooperativismo está convidado a entender o nosso modelo e experimentar uma forma diferente de se relacionar com o dinheiro. Para quem já é associado, o nosso compromisso é continuar presente, aprimorando as estruturas e o atendimento, para que cada um sinta, na prática, o valor de fazer parte de uma cooperativa.”

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