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* Em um dos maiores territórios rurais da capital paulista, a chegada de uma cooperativa de crédito fortalece a agricultura familiar, amplia a inclusão financeira e demonstra como o cooperativismo pode contribuir para o desenvolvimento local em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Em uma cidade conhecida pelos arranha-céus, centros financeiros e intensa atividade econômica, Parelheiros preserva uma realidade diferente. No extremo sul da capital paulista, o distrito reúne áreas de Mata Atlântica, propriedades rurais, produção agrícola e comunidades que mantêm uma relação direta com a terra. É dali que saem frutas, hortaliças, legumes, flores e plantas ornamentais que abastecem parte da maior metrópole da América Latina.
Durante muitos anos, produtores rurais, pequenos empreendedores e moradores conviveram com uma oferta limitada de serviços financeiros especializados. A distância entre quem produz riqueza no território e quem oferece instrumentos para impulsionar essa produção representava um obstáculo ao desenvolvimento local.
A inauguração da agência Parelheiros da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, em 22 de abril de 2026, marca uma mudança nesse cenário. Mais do que abrir uma nova unidade, a instituição financeira cooperativa consolida um trabalho iniciado antes mesmo da instalação física da agência, aproximando crédito, orientação técnica e relacionamento de uma comunidade cuja economia combina agricultura, preservação ambiental, comércio e empreendedorismo.
Esse modelo dialoga diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) na Agenda 2030. Ao ampliar o acesso a serviços financeiros, fortalecer a agricultura familiar, incentivar pequenos negócios e estimular o desenvolvimento regional, iniciativas dessa natureza contribuem para objetivos como a erradicação da pobreza (ODS 1), o trabalho decente e o crescimento econômico (ODS 8), a redução das desigualdades (ODS 10) e a construção de cidades e comunidades mais sustentáveis (ODS 11).
Uma agência construída antes da inauguração
A cerimônia de inauguração reuniu cerca de 400 convidados e transformou a chegada da instituição financeira cooperativa em um momento simbólico para o distrito. Cavalos recepcionavam o público em frente à nova agência, enquanto uma jovem tocadora de berrante anunciava o início de uma nova etapa para a região, em uma celebração que valorizou a identidade rural de Parelheiros.
O sentimento predominante entre agricultores, empreendedores e moradores era de reconhecimento. A presença de uma instituição financeira cooperativa representava mais do que acesso a produtos bancários. Significava ser ouvido, participar das decisões e contar com uma organização disposta a conhecer as características econômicas e sociais do território.
A gerente regional da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, Elisângela Mancini, explica que esse relacionamento começou antes mesmo da inauguração da agência.
“Queremos apoiar o desenvolvimento de Parelheiros. Mesmo antes da inauguração, já atuávamos na região, trazendo desenvolvimento e fortalecendo os negócios locais. A agência pertence a cada associado que confia e faz negócio conosco. Estamos aqui para apoiar.“
A declaração resume um dos princípios do cooperativismo de crédito: a presença permanente na comunidade. Diferentemente do modelo tradicional, a atuação não se limita à oferta de produtos financeiros. O relacionamento contínuo permite compreender as necessidades locais e construir soluções adequadas para agricultores, comerciantes, empreendedores e famílias.

Um território estratégico para São Paulo
Embora faça parte da maior cidade brasileira, Parelheiros mantém características pouco associadas ao cotidiano paulistano. O distrito completa 199 anos em 2026 e integra um mosaico de áreas rurais que corresponde a aproximadamente 28% do território do município, ocupando cerca de 445 quilômetros quadrados.
Além da produção agrícola, a região concentra importantes áreas de preservação ambiental, atividades ligadas ao ecoturismo e iniciativas voltadas à educação ambiental.
Atualmente, cerca de duas mil pessoas dependem diretamente da agricultura familiar na capital paulista. Desse total, aproximadamente 600 produtores integram a Associação dos Produtores Rurais de Parelheiros e Região (APRUPAR).
Nesse contexto, a chegada de uma instituição financeira cooperativa especializada também em crédito rural amplia as possibilidades de desenvolvimento de uma atividade econômica essencial para o abastecimento alimentar da cidade e para a permanência das famílias no campo.
A presença da Sicredi aproxima serviços financeiros de quem vive e produz no território, reduz barreiras históricas de acesso ao crédito e cria condições para que agricultores familiares, pequenos empresários e empreendedores locais encontrem apoio técnico para investir, ampliar a produção e fortalecer seus negócios sem deixar a comunidade onde construíram sua história.
Cooperativismo transforma desenvolvimento em participação
Muito antes de chegar a Parelheiros, o cooperativismo de crédito nasceu da necessidade de comunidades encontrarem soluções coletivas para dificuldades econômicas. O modelo foi introduzido no Brasil em 1902 pelo padre suíço Theodor Amstad, no interior do Rio Grande do Sul, com uma proposta simples e inovadora para a época: permitir que as próprias pessoas fossem donas da instituição financeira criada para atender suas necessidades.
Mais de um século depois, esse conceito continua sendo o principal diferencial do sistema cooperativista.
Enquanto instituições financeiras tradicionais distribuem resultados aos acionistas, nas cooperativas o associado participa das decisões, vota nas assembleias e recebe parte dos resultados de acordo com a movimentação realizada ao longo do ano. O relacionamento deixa de ser exclusivamente comercial e passa a incorporar princípios como participação, corresponsabilidade e desenvolvimento coletivo.
Hoje, o cooperativismo reúne cerca de 1,2 bilhão de cooperados em aproximadamente 150 países, distribuídos em cerca de três milhões de cooperativas. Juntas, essas organizações geram aproximadamente 280 milhões de empregos e as 300 maiores cooperativas do planeta movimentam perto de US$ 3 trilhões por ano.
Para o diretor executivo da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, Moacir Niehues, essa estrutura permite conciliar inovação tecnológica com participação efetiva dos associados.
“Somos uma sociedade de pessoas. Diferentemente de uma instituição financeira tradicional, onde apenas os acionistas recebem os lucros e decidem sobre o negócio, cada associado tem poder de voto e participa da distribuição dos resultados, proporcionalmente ao volume de suas operações financeiras realizadas. Investimos em tecnologia. Nosso aplicativo tem nota 4,9 na Apple Store e na Google Play.”
Na prática, esse modelo faz com que o relacionamento entre instituição financeira e comunidade seja construído de forma diferente. O associado deixa de ser apenas cliente e passa a participar de uma organização que compartilha decisões e resultados.
“Nós somos meio, pois intermediamos recursos e relacionamentos para construir uma sociedade mais próspera. Investimos em tecnologia, mas sem abrir mão do relacionamento. Entender para atender é o que nos move”, completa o diretor executivo, Moacir Niehues.
Essa lógica fortalece o sentimento de pertencimento observado durante a inauguração da agência de Parelheiros, onde agricultores, comerciantes e moradores passaram a enxergar a cooperativa como parte do desenvolvimento da própria comunidade.

Recursos que permanecem na comunidade
A Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP oferece mais de 300 produtos e soluções financeiras de natureza bancária. O diferencial do cooperativismo, porém, não está apenas na variedade de serviços, mas na forma como os recursos movimentam a economia local.
Quando um agricultor investe na propriedade, amplia a produção e comercializa seus produtos, movimenta fornecedores, transportadores e o comércio da região.
Na prática, isso significa que diferentes soluções financeiras contribuem para necessidades distintas da população. O seguro oferece proteção patrimonial às famílias e aos empreendedores. Os consórcios permitem o planejamento da aquisição de bens. O crédito empresarial apoia investimentos capazes de ampliar negócios e gerar empregos. No campo, o crédito rural financia desde o custeio das safras até projetos voltados à modernização da produção, ao uso eficiente da água, à adoção de tecnologias e à implantação de sistemas que favorecem práticas ambientalmente sustentáveis.

Ciclo Virtuoso do Cooperativismo
Esse processo é conhecido como ciclo virtuoso do cooperativismo, onde os recursos captados retornam à própria comunidade por meio de financiamentos, crédito, investimentos e distribuição de resultados aos associados, fortalecendo um ambiente favorável ao desenvolvimento econômico regional.
Essa dinâmica está diretamente relacionada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Ao ampliar oportunidades de geração de renda e fortalecer pequenos empreendedores, a instituição financeira cooperativa contribui para a redução da pobreza (ODS 1). Ao estimular investimentos, criação de empregos e fortalecimento da economia regional, dialoga com o trabalho decente e crescimento econômico (ODS 8).
Ao levar serviços financeiros a territórios historicamente menos atendidos, promove inclusão e reduz desigualdades de acesso (ODS 10). Quando fortalece comunidades locais, incentiva atividades econômicas compatíveis com a preservação ambiental e amplia oportunidades para que as pessoas permaneçam em seus territórios produzindo e empreendendo, também contribui para cidades e comunidades mais sustentáveis (ODS 11).

Uma história que começou em uma pequena cooperativa
Para o presidente da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, Jaime Basso, a chegada a Parelheiros representa a continuidade de um processo iniciado há mais de um século, quando pequenas comunidades encontraram no cooperativismo uma alternativa para impulsionar seu desenvolvimento.
“Hoje é um marco para nós. O cooperativismo de crédito começou em uma região simples do Rio Grande do Sul, em 1902, e ajudou a transformá-la em uma das mais prósperas do Brasil. O que fazemos é trazer esse mesmo propósito para Parelheiros.”
A comparação ajuda a compreender o significado da inauguração para o distrito paulistano.
Assim como ocorreu na origem do cooperativismo brasileiro, a proposta não se limita à oferta de crédito. O objetivo é criar condições para que agricultores familiares, pequenos empreendedores e moradores encontrem instrumentos capazes de fortalecer suas atividades econômicas, ampliar oportunidades e incentivar o desenvolvimento do próprio território.
Essa visão também está alinhada ao Pacto Global da ONU, do qual o Sicredi é signatário desde fevereiro de 2020. Ao integrar a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, a instituição reafirma o compromisso de desenvolver projetos conectados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incorporando princípios de inclusão financeira, desenvolvimento regional e responsabilidade socioambiental às suas estratégias de atuação.

Indicadores mostram os efeitos do cooperativismo no desenvolvimento regional
A trajetória da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP ajuda a dimensionar o alcance desse modelo de atuação. Fundada em 1988, em Palotina, no oeste do Paraná, a cooperativa começou com 35 associados em um espaço cedido pela C.Vale, sob uma escada.
Quase quatro décadas depois, expandiu sua presença para o Estado de São Paulo, onde inaugurou a primeira agência em 2016, em uma das regiões financeiras mais importantes da América Latina.
O crescimento seguiu por bairros como Avenida Paulista, Avenida Faria Lima, Avenida Luiz Carlos Berrini, Itaquera, Penha, Liberdade, Socorro, Butantã, São Miguel Paulista, Vila Guilherme, Casa Verde, Vila Leopoldina, Vila Prudente, Tucuruvi, Jabaquara, Centro Histórico, Pirituba e São Mateus, até chegar a Parelheiros, território que reúne características muito diferentes das demais regiões da capital.
Em cerca de 200 municípios brasileiros, o Sicredi é a única instituição financeira presente, ampliando o acesso ao crédito, aos investimentos e a serviços bancários para milhares de pessoas.
Os números refletem a dimensão da operação. A Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP reúne R$ 14,4 bilhões em ativos totais, patrimônio líquido de R$ 1,2 bilhão, carteira de crédito de R$ 9 bilhões, depósitos que somam R$ 10,2 bilhões e resultado de R$ 161,7 milhões (O modelo se baseia na participação direta dos associados, que acompanham resultados e decisões. (Veja o relatório anual aqui). O modelo cooperativo garante que os associados acompanhem a gestão, participem das decisões e compartilhem os resultados de acordo com sua movimentação financeira.
Os impactos desse sistema também foram medidos pela pesquisa “Benefícios Econômicos do Cooperativismo de Crédito na Economia Brasileira”, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
O estudo aponta que municípios com presença do cooperativismo registram aumento médio de 5,6% no Produto Interno Bruto (PIB) per capita, crescimento de 6,2% no emprego formal e expansão de 15,7% no número de estabelecimentos comerciais. Segundo o levantamento, cada R$ 1,00 concedido em crédito pelas cooperativas gera R$ 2,45 em renda para os demais agentes da economia, ampliando o efeito multiplicador dos investimentos locais.
Embora os indicadores revelem a força do cooperativismo, em Parelheiros esses números ganham rostos e histórias. Eles se traduzem no agricultor que amplia a produção, no pequeno empreendedor que encontra crédito para investir, na família que passa a contar com orientação financeira e na comunidade que vê seus recursos circularem no próprio território.

Crédito rural aproxima desenvolvimento e permanência no campo
A vocação agrícola de Parelheiros faz do crédito rural uma das principais ferramentas para impulsionar o desenvolvimento local.
Reconhecida como a segunda maior instituição financeira do Brasil em crédito rural, a Sicredi mantém na agência um gerente especializado em agronegócio para orientar produtores sobre linhas de financiamento, planejamento da produção e acesso às políticas públicas voltadas ao setor.
Os associados encontram modalidades destinadas ao investimento em infraestrutura, custeio da produção agrícola e pecuária, comercialização, industrialização e emissão da Cédula do Produtor Rural (CPR), instrumento utilizado para financiar diferentes etapas da atividade agropecuária.
O atendimento vai além da análise financeira. A instituição financeira cooperativa também orienta agricultores na obtenção de documentos como o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), fundamentais para acessar programas públicos e ampliar a inclusão produtiva.
Esse trabalho já apresentava resultados antes mesmo da inauguração da agência. Em outubro de 2025, a Sicredi viabilizou a entrega de tratores a produtores locais por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), na primeira operação dessa linha registrada na cidade de São Paulo em mais de dez anos.
Para Jaime Basso, fortalecer a agricultura significa fortalecer toda a economia regional.
“Essa é uma região próspera e precisa de ferramentas para seguir crescendo. Por isso é importante que o dinheiro circule localmente. O agro está no nosso DNA, mas também há espaço para o desenvolvimento dos pequenos comércios e indústrias. Juntos, podemos fazer a diferença.“

O presidente da Associação dos Produtores Rurais de Parelheiros e Região (APRUPAR), Luciano Santos, também destaca o impacto da chegada da cooperativa para os agricultores da região.
“Agradecemos a confiança e o apoio do Sicredi. O meu desejo é que nossos agricultores façam bons negócios e que, juntos, tornemos o agro paulistano ainda mais forte.“

Desenvolvimento começa quando as oportunidades chegam ao território
Ao longo da apuração desta reportagem, ficou evidente que a inauguração da agência representa mais do que a expansão de uma instituição cooperativa financeira. Ela simboliza o reconhecimento de um território que produz alimentos, preserva áreas estratégicas de Mata Atlântica e reúne centenas de famílias que encontraram no cooperativismo um instrumento para fortalecer sua permanência no campo e ampliar oportunidades de desenvolvimento.
No extremo sul da maior cidade da América Latina, a chegada da Sicredi reforça que inclusão financeira também é política de desenvolvimento. Quando agricultores familiares têm acesso a orientação técnica, crédito adequado e participação nas decisões da cooperativa, aumentam as condições para investir, produzir, gerar renda e manter vivas atividades fundamentais para o abastecimento da capital paulista.
Essa transformação dialoga com os princípios que orientam a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas. A redução das desigualdades, a geração de trabalho e renda, o fortalecimento das economias locais e a valorização de comunidades que conciliam produção agrícola e preservação ambiental deixam de ser conceitos abstratos para se materializar no cotidiano de quem vive em Parelheiros.
A escada sob a qual a cooperativa iniciou sua história, em 1988, continua preservada em Palotina, no Paraná, como símbolo de suas origens. Quase quatro décadas depois, a trajetória iniciada em um pequeno espaço chega ao extremo sul da capital paulista levando consigo a mesma ideia que inspirou seus fundadores: desenvolvimento sustentável não se constrói apenas com recursos financeiros, mas com confiança, cooperação e participação das pessoas na construção do futuro da própria comunidade.

Cerimônia
A cerimônia reuniu lideranças da cooperativa e autoridades locais. Estiveram presentes o presidente Jaime Basso, o gerente da agência Kayk Viana de Souza, o diretor executivo Moacir Niehues, a gerente regional Elisângela Mancini e o conselheiro de administração Bruno Barboza Maschiari.
Também participaram Marta Maria Bedendo, superintendente da Associação Comercial de São Paulo Distrital Sul, o deputado federal Antonio Goulart dos Reis (PSD-SP), o subprefeito de Parelheiros Marco Antonio Furchi, Luciano Santos, presidente da Associação de Produtores Rurais de Parelheiros e Região, e o padre Micael, da Paróquia Santa Cruz, setor Parelheiros da Diocese de Santo Amaro.
Também destacamos as presenças do superintendente Diego Alexandre Schanoski, da gerente de desenvolvimento do cooperativismo Cláudia Bonatti, do assessor de gestão de pessoas Douglas Aprígio dos Santos, do coordenador de Patrimônio e Serviços Henrique Mayer de Paula e do delegado da agência Santo Amaro Paulo Marinhero da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP.
Além de Alessandro Alencar, presidente do Rotary Club Parelheiros, Rogéria Xerxenevsky, presidente do Rotary Club São Paulo Agro Turismo, Marcelo Page, vice presidente de marketing e negócios da AESUL.

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