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Parque Campo de Marte ganha novo projeto com piscina de ondas, skate park, centro de tenis, escalada, BMX e Museu do Surfe

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Crédito: SP Parcerias
Tempo de Leitura: 7 minutos

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Concessionária apresentou novo desenho para o futuro parque, que terá 35 anos de concessão e poderá reunir equipamentos esportivos, áreas de convivência, hotel, gastronomia e recuperação ambiental

O futuro Parque Municipal Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, começa a ganhar um perfil mais definido. Além das estruturas esportivas e ambientais previstas na concessão, o projeto apresentado pela concessionária inclui uma piscina pública de ondas, pista de bicicross, skate park, parede de escalada, centro de tênis, espaços para artes marciais, ginásio poliesportivo e um Museu do Surfe.

As informações sobre o novo conjunto de equipamentos foram apresentadas por Rafael Carneiro Bastos de Carvalho, diretor comercial da Concessionária Campo de Marte SPE S/A, em entrevista ao jornalista Caio Possati, do Estado de S. Paulo. As declarações do executivo indicam uma ampliação do conceito inicialmente apresentado para o parque, com maior presença de modalidades esportivas ligadas aos Jogos Olímpicos e novos equipamentos de lazer.

A piscina de ondas é um dos principais destaques. Segundo Carvalho, a proposta é criar uma estrutura pública voltada à prática do surfe, com potencial para receber diferentes níveis de praticantes. O executivo também apresentou o equipamento como uma possível referência nacional por levar o surfe para um parque urbano longe do litoral.

O projeto atualizado inclui ainda pista de BMX, skate park e parede de escalada. A área esportiva deverá reunir modalidades que ganharam espaço no programa olímpico, além de estruturas tradicionais, como tênis, futebol e artes marciais.

O plano mencionado na entrevista também prevê um ginásio poliesportivo com capacidade para cerca de 10 mil pessoas, centro de tênis e cinco campos de futebol destinados às atividades que já fazem parte da história do terreno.

Marte
área do futuro Parque Campo de Marte

Um parque de cerca de 400 mil metros quadrados

O Parque Municipal Campo de Marte ocupará cerca de 406 mil metros quadrados e será implantado em uma área que corresponde a aproximadamente 20% do complexo do Campo de Marte.

O terreno fica a leste do aeródromo, tem frente para a Avenida Olavo Fontoura e fundos para a Rua Marambaia, próximo à Avenida Braz Leme. A área é cortada pelo Córrego Tenente Rocha.

O projeto transformará o espaço em um dos maiores parques urbanos da cidade. A proposta contratada prevê que cerca de 267 mil metros quadrados sejam destinados à preservação ambiental e atividades ao ar livre.

A vegetação existente é marcada pela presença de leucena, espécie exótica invasora, e o plano ambiental prevê sua substituição gradual por espécies nativas da Mata Atlântica.

O que já está previsto no contrato

A concessão do Parque Municipal Campo de Marte foi assinada em 22 de janeiro de 2025 entre a Prefeitura de São Paulo e o Consórcio Cântaro SP. O grupo venceu a licitação realizada em agosto de 2024 com uma única proposta e ofereceu outorga inicial de R$ 308 mil. O contrato tem duração de 35 anos.

Para implantar e operacionalizar o parque nos próximos 35 anos,  o Consórcio Cântaro – cujo os acionistas detêm a concessão do Complexo do Pacaembú, formaram a Concessionária Campo de Marte SPE S/A, responsável pela implantação, gestão, operação e manutenção do parque. O valor global estimado do contrato é de R$ 614 milhões, enquanto os investimentos previstos nas intervenções obrigatórias e no empreendimento associado ultrapassam R$ 200 milhões.

O projeto oficialmente contratado inclui pistas de caminhada e corrida, pista de skate, quadra de bocha, equipamentos para modalidades olímpicas, cinco centros de convivência, estacionamento, sanitários, mobiliário urbano e uma área destinada ao apoio logístico do Carnaval de São Paulo.

As atividades gratuitas também fazem parte das obrigações da concessão. A previsão é atender crianças, adolescentes, adultos e idosos com programação distribuída pelos diferentes núcleos do parque. O acesso às áreas abertas deverá permanecer gratuito durante os 35 anos de concessão.

A piscina de ondas, o Museu do Surfe, o hotel e parte dos equipamentos apresentados na entrevista ao jornal O Estado de São Paulo,  integram a proposta mais recente da concessionária e as possibilidades de exploração do complexo, mas não aparecem todos como intervenções obrigatórias originalmente previstas no contrato.

Cinco campos de futebol continuam no projeto

O futebol de várzea também permanece no desenho do futuro parque.

O projeto incorporou cinco campos e suas respectivas estruturas de convivência, que ocupam uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados. A proposta é que esses espaços sejam modernizados e continuem atendendo às agremiações que já utilizam o local.

Os clubes poderão continuar realizando atividades e torneios, mas sem exclusividade sobre os campos. A relação entre as associações e a concessionária deverá definir as condições de uso e a administração dos espaços.

A previsão oficial é de cinco centros de convivência ligados às atividades esportivas comunitárias. Cada estrutura deverá contar com equipamentos de apoio para os usuários.

A manutenção dos campos ficará sob responsabilidade da concessionária, conforme o modelo de concessão, enquanto as associações continuarão tendo participação na utilização dos espaços.

Hotel, restaurantes e áreas comerciais

A concessão permite a implantação de empreendimentos associados ao parque para gerar receitas capazes de contribuir para a sustentabilidade financeira da operação.

O projeto apresentado pela concessionária prevê hotel, restaurantes, bares, academia, espaços comerciais, centro gastronômico e outras estruturas de apoio. A ideia é criar atividades que funcionem em conexão com o parque e com os equipamentos esportivos.

O modelo de concessão já prevê essa possibilidade. A Prefeitura estima custo operacional anual de aproximadamente R$ 24 milhões e receita bruta anual projetada em torno de R$ 57 milhões, além de outorga variável entre 1% e 5% da receita anual.

A exploração comercial, porém, deverá conviver com a função pública do espaço. O contrato estabelece a gratuidade das áreas abertas e a oferta obrigatória de atividades para diferentes faixas etárias.

De museu aeroespacial a Museu do Surfe

O projeto do Parque Campo de Marte já passou por diferentes versões ao longo dos anos.

Na proposta apresentada em 2024, o DiárioZonaNorte mostrou que uma versão anterior previa um museu aeroespacial associado ao antigo Museu da TAM. O equipamento não avançou e deixou de fazer parte do desenho adotado para a concessão.

Agora, o conceito apresentado pela concessionária aponta para outro caminho cultural. O novo projeto prevê um Museu do Surfe, associado à piscina de ondas e à presença do esporte entre as modalidades do parque.

A proposta acompanha a transformação do esporte em uma das principais atrações do complexo. A combinação entre museu, piscina e espaços de treinamento cria uma área temática dedicada ao surfe dentro de um parque urbano.

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A área ambiental será uma das maiores do parque

A recuperação da vegetação ocupa uma parcela significativa do projeto.

Dos cerca de 406 mil metros quadrados do parque, aproximadamente 267 mil metros quadrados deverão permanecer destinados à proteção ambiental e às atividades ao ar livre. A proposta prevê a substituição gradual da leucena por espécies nativas da Mata Atlântica.

O Córrego Tenente Rocha também integra a área. A recuperação ambiental deverá ser acompanhada da criação de espaços para caminhada, corrida e convivência.

O resultado esperado é uma área verde integrada aos equipamentos esportivos e culturais, em um território que hoje tem grande parte de sua ocupação associada ao aeroporto, aos campos de futebol e às áreas de vegetação.

O parque ainda enfrenta um novo impasse judicial

A implantação do parque teve um avanço importante em março, quando a Justiça determinou a reintegração de posse de uma área de quase 15 mil metros quadrados ocupada pelo Grêmio Esportivo e Recreativo Cruz da Esperança. A decisão permitiu à Prefeitura retomar o terreno para a implantação do projeto.

A situação mudou novamente nas últimas semanas.

A sede do Cruz da Esperança foi demolida em 29 de julho, durante o cumprimento da reintegração de posse. Em 20 de agosto, uma decisão da Justiça Federal determinou que Prefeitura e concessionária não façam novas intervenções físicas no solo ou subsolo da área até a realização de estudos técnicos sobre possíveis vestígios arqueológicos e bens culturais.

A decisão é da juíza federal substituta Mayara de Lima Reis, da 17ª Vara Cível Federal de São Paulo, em ação civil pública movida pela Defensoria Pública da União (DPU).

A determinação alcança atividades como escavações, terraplanagem e fundações. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) deverá acompanhar os estudos necessários, depois de uma vistoria realizada em junho apontar potencial arqueológico relevante na área.

A decisão não cancela a concessão nem determina a suspensão de todo o projeto do parque. Ela cria uma restrição específica para novas intervenções físicas no terreno atingido pela decisão judicial, até que os estudos sejam realizados.

O episódio acrescenta uma nova etapa ao processo de implantação e reforça a necessidade de compatibilizar a execução do parque com a preservação da memória e dos possíveis bens culturais existentes no local.

Quando o Parque Campo de Marte ficará pronto?

O contrato estabelece duas etapas para a implantação. A primeira prevê obras iniciais, incluindo centro de convivência e área de apoio ao Carnaval, em até 18 meses depois da emissão da Ordem de Início. A segunda prevê a conclusão das demais edificações em até 48 meses.

Na entrevista ao Estado de S. Paulo, Rafael Carvalho projetou a conclusão do empreendimento para 2030. A estimativa, porém, precisa ser acompanhada à luz dos acontecimentos posteriores, especialmente das disputas envolvendo a ocupação do terreno e da decisão judicial de agosto de 2026.

O próprio histórico do projeto mostra que os prazos já foram alterados em diferentes momentos. A ideia de transformar parte do Campo de Marte em parque começou a ser discutida em 2017. Houve tentativas de licitação em 2018 e 2022 que não avançaram. A concessão só foi efetivamente contratada em janeiro de 2025.

Um novo eixo de esporte e lazer na Zona Norte

Quando estiver implantado, o Parque Municipal Campo de Marte poderá mudar a relação da Zona Norte com grandes equipamentos de esporte, lazer e convivência.

A dimensão da área, a localização próxima ao Anhembi e a integração entre áreas verdes, campos de futebol, modalidades olímpicas e empreendimentos associados colocam o projeto entre as maiores intervenções urbanas previstas para a região.

O sucesso do projeto, porém, dependerá também de questões menos visíveis nas imagens de apresentação. A implantação precisa avançar dentro das regras ambientais, urbanísticas e patrimoniais, enquanto a operação terá de manter a gratuidade das áreas abertas e garantir espaço para as atividades comunitárias.

O Campo de Marte chega a essa nova fase depois de décadas de disputas sobre a área e de diferentes tentativas de transformar parte do terreno em equipamento público. O parque previsto para a Zona Norte reúne agora um projeto de concessão já contratado, um conjunto de novas atrações esportivas e culturais e um processo judicial que ainda precisa ser acompanhado.

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