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Concessionária apresentou novo desenho para o futuro parque, que terá 35 anos de concessão e poderá reunir equipamentos esportivos, áreas de convivência, hotel, gastronomia e recuperação ambiental
O futuro Parque Municipal Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, começa a ganhar um perfil mais definido. Além das estruturas esportivas e ambientais previstas na concessão, o projeto apresentado pela concessionária inclui uma piscina pública de ondas, pista de bicicross, skate park, parede de escalada, centro de tênis, espaços para artes marciais, ginásio poliesportivo e um Museu do Surfe.
As informações sobre o novo conjunto de equipamentos foram apresentadas por Rafael Carneiro Bastos de Carvalho, diretor comercial da Concessionária Campo de Marte SPE S/A, em entrevista ao jornalista Caio Possati, do Estado de S. Paulo. As declarações do executivo indicam uma ampliação do conceito inicialmente apresentado para o parque, com maior presença de modalidades esportivas ligadas aos Jogos Olímpicos e novos equipamentos de lazer.
A piscina de ondas é um dos principais destaques. Segundo Carvalho, a proposta é criar uma estrutura pública voltada à prática do surfe, com potencial para receber diferentes níveis de praticantes. O executivo também apresentou o equipamento como uma possível referência nacional por levar o surfe para um parque urbano longe do litoral.
O projeto atualizado inclui ainda pista de BMX, skate park e parede de escalada. A área esportiva deverá reunir modalidades que ganharam espaço no programa olímpico, além de estruturas tradicionais, como tênis, futebol e artes marciais.
O plano mencionado na entrevista também prevê um ginásio poliesportivo com capacidade para cerca de 10 mil pessoas, centro de tênis e cinco campos de futebol destinados às atividades que já fazem parte da história do terreno.

Um parque de cerca de 400 mil metros quadrados
O Parque Municipal Campo de Marte ocupará cerca de 406 mil metros quadrados e será implantado em uma área que corresponde a aproximadamente 20% do complexo do Campo de Marte.
O terreno fica a leste do aeródromo, tem frente para a Avenida Olavo Fontoura e fundos para a Rua Marambaia, próximo à Avenida Braz Leme. A área é cortada pelo Córrego Tenente Rocha.
O projeto transformará o espaço em um dos maiores parques urbanos da cidade. A proposta contratada prevê que cerca de 267 mil metros quadrados sejam destinados à preservação ambiental e atividades ao ar livre.
A vegetação existente é marcada pela presença de leucena, espécie exótica invasora, e o plano ambiental prevê sua substituição gradual por espécies nativas da Mata Atlântica.
O que já está previsto no contrato
A concessão do Parque Municipal Campo de Marte foi assinada em 22 de janeiro de 2025 entre a Prefeitura de São Paulo e o Consórcio Cântaro SP. O grupo venceu a licitação realizada em agosto de 2024 com uma única proposta e ofereceu outorga inicial de R$ 308 mil. O contrato tem duração de 35 anos.
Para implantar e operacionalizar o parque nos próximos 35 anos, o Consórcio Cântaro – cujo os acionistas detêm a concessão do Complexo do Pacaembú, formaram a Concessionária Campo de Marte SPE S/A, responsável pela implantação, gestão, operação e manutenção do parque. O valor global estimado do contrato é de R$ 614 milhões, enquanto os investimentos previstos nas intervenções obrigatórias e no empreendimento associado ultrapassam R$ 200 milhões.
O projeto oficialmente contratado inclui pistas de caminhada e corrida, pista de skate, quadra de bocha, equipamentos para modalidades olímpicas, cinco centros de convivência, estacionamento, sanitários, mobiliário urbano e uma área destinada ao apoio logístico do Carnaval de São Paulo.
As atividades gratuitas também fazem parte das obrigações da concessão. A previsão é atender crianças, adolescentes, adultos e idosos com programação distribuída pelos diferentes núcleos do parque. O acesso às áreas abertas deverá permanecer gratuito durante os 35 anos de concessão.
A piscina de ondas, o Museu do Surfe, o hotel e parte dos equipamentos apresentados na entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, integram a proposta mais recente da concessionária e as possibilidades de exploração do complexo, mas não aparecem todos como intervenções obrigatórias originalmente previstas no contrato.
Cinco campos de futebol continuam no projeto
O futebol de várzea também permanece no desenho do futuro parque.
O projeto incorporou cinco campos e suas respectivas estruturas de convivência, que ocupam uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados. A proposta é que esses espaços sejam modernizados e continuem atendendo às agremiações que já utilizam o local.
Os clubes poderão continuar realizando atividades e torneios, mas sem exclusividade sobre os campos. A relação entre as associações e a concessionária deverá definir as condições de uso e a administração dos espaços.
A previsão oficial é de cinco centros de convivência ligados às atividades esportivas comunitárias. Cada estrutura deverá contar com equipamentos de apoio para os usuários.
A manutenção dos campos ficará sob responsabilidade da concessionária, conforme o modelo de concessão, enquanto as associações continuarão tendo participação na utilização dos espaços.
Hotel, restaurantes e áreas comerciais
A concessão permite a implantação de empreendimentos associados ao parque para gerar receitas capazes de contribuir para a sustentabilidade financeira da operação.
O projeto apresentado pela concessionária prevê hotel, restaurantes, bares, academia, espaços comerciais, centro gastronômico e outras estruturas de apoio. A ideia é criar atividades que funcionem em conexão com o parque e com os equipamentos esportivos.
O modelo de concessão já prevê essa possibilidade. A Prefeitura estima custo operacional anual de aproximadamente R$ 24 milhões e receita bruta anual projetada em torno de R$ 57 milhões, além de outorga variável entre 1% e 5% da receita anual.
A exploração comercial, porém, deverá conviver com a função pública do espaço. O contrato estabelece a gratuidade das áreas abertas e a oferta obrigatória de atividades para diferentes faixas etárias.
De museu aeroespacial a Museu do Surfe
O projeto do Parque Campo de Marte já passou por diferentes versões ao longo dos anos.
Na proposta apresentada em 2024, o DiárioZonaNorte mostrou que uma versão anterior previa um museu aeroespacial associado ao antigo Museu da TAM. O equipamento não avançou e deixou de fazer parte do desenho adotado para a concessão.
Agora, o conceito apresentado pela concessionária aponta para outro caminho cultural. O novo projeto prevê um Museu do Surfe, associado à piscina de ondas e à presença do esporte entre as modalidades do parque.
A proposta acompanha a transformação do esporte em uma das principais atrações do complexo. A combinação entre museu, piscina e espaços de treinamento cria uma área temática dedicada ao surfe dentro de um parque urbano.

A área ambiental será uma das maiores do parque
A recuperação da vegetação ocupa uma parcela significativa do projeto.
Dos cerca de 406 mil metros quadrados do parque, aproximadamente 267 mil metros quadrados deverão permanecer destinados à proteção ambiental e às atividades ao ar livre. A proposta prevê a substituição gradual da leucena por espécies nativas da Mata Atlântica.
O Córrego Tenente Rocha também integra a área. A recuperação ambiental deverá ser acompanhada da criação de espaços para caminhada, corrida e convivência.
O resultado esperado é uma área verde integrada aos equipamentos esportivos e culturais, em um território que hoje tem grande parte de sua ocupação associada ao aeroporto, aos campos de futebol e às áreas de vegetação.
O parque ainda enfrenta um novo impasse judicial
A implantação do parque teve um avanço importante em março, quando a Justiça determinou a reintegração de posse de uma área de quase 15 mil metros quadrados ocupada pelo Grêmio Esportivo e Recreativo Cruz da Esperança. A decisão permitiu à Prefeitura retomar o terreno para a implantação do projeto.
A situação mudou novamente nas últimas semanas.
A sede do Cruz da Esperança foi demolida em 29 de julho, durante o cumprimento da reintegração de posse. Em 20 de agosto, uma decisão da Justiça Federal determinou que Prefeitura e concessionária não façam novas intervenções físicas no solo ou subsolo da área até a realização de estudos técnicos sobre possíveis vestígios arqueológicos e bens culturais.
A decisão é da juíza federal substituta Mayara de Lima Reis, da 17ª Vara Cível Federal de São Paulo, em ação civil pública movida pela Defensoria Pública da União (DPU).
A determinação alcança atividades como escavações, terraplanagem e fundações. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) deverá acompanhar os estudos necessários, depois de uma vistoria realizada em junho apontar potencial arqueológico relevante na área.
A decisão não cancela a concessão nem determina a suspensão de todo o projeto do parque. Ela cria uma restrição específica para novas intervenções físicas no terreno atingido pela decisão judicial, até que os estudos sejam realizados.
O episódio acrescenta uma nova etapa ao processo de implantação e reforça a necessidade de compatibilizar a execução do parque com a preservação da memória e dos possíveis bens culturais existentes no local.
Quando o Parque Campo de Marte ficará pronto?
O contrato estabelece duas etapas para a implantação. A primeira prevê obras iniciais, incluindo centro de convivência e área de apoio ao Carnaval, em até 18 meses depois da emissão da Ordem de Início. A segunda prevê a conclusão das demais edificações em até 48 meses.
Na entrevista ao Estado de S. Paulo, Rafael Carvalho projetou a conclusão do empreendimento para 2030. A estimativa, porém, precisa ser acompanhada à luz dos acontecimentos posteriores, especialmente das disputas envolvendo a ocupação do terreno e da decisão judicial de agosto de 2026.
O próprio histórico do projeto mostra que os prazos já foram alterados em diferentes momentos. A ideia de transformar parte do Campo de Marte em parque começou a ser discutida em 2017. Houve tentativas de licitação em 2018 e 2022 que não avançaram. A concessão só foi efetivamente contratada em janeiro de 2025.
Um novo eixo de esporte e lazer na Zona Norte
Quando estiver implantado, o Parque Municipal Campo de Marte poderá mudar a relação da Zona Norte com grandes equipamentos de esporte, lazer e convivência.
A dimensão da área, a localização próxima ao Anhembi e a integração entre áreas verdes, campos de futebol, modalidades olímpicas e empreendimentos associados colocam o projeto entre as maiores intervenções urbanas previstas para a região.
O sucesso do projeto, porém, dependerá também de questões menos visíveis nas imagens de apresentação. A implantação precisa avançar dentro das regras ambientais, urbanísticas e patrimoniais, enquanto a operação terá de manter a gratuidade das áreas abertas e garantir espaço para as atividades comunitárias.
O Campo de Marte chega a essa nova fase depois de décadas de disputas sobre a área e de diferentes tentativas de transformar parte do terreno em equipamento público. O parque previsto para a Zona Norte reúne agora um projeto de concessão já contratado, um conjunto de novas atrações esportivas e culturais e um processo judicial que ainda precisa ser acompanhado.
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