Hospital Santana Campo Marte
Prédio onde funcionava a agência do Bradesco já foi demolido
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A construção do novo hospital da Rede Mater Dei, com investimento superior a R$ 600 milhões, representa mais um capítulo da transformação urbana do bairro de Santana, na Zona Norte da cidade de São Paulo.

O empreendimento chega em um momento de forte valorização da região, impulsionada pela chegada de novos investimentos privados, ao mesmo tempo em que o mercado imobiliário começa a se adaptar às novas restrições de altura impostas pela ampliação operacional do Aeroporto Campo de Marte.

Empreendimento deve gerar empregos, movimentar o comércio e fortalecer Santana como polo de saúde da Zona Norte

Mais do que ampliar a oferta de serviços de saúde, o projeto deverá movimentar a economia local, gerar empregos e contribuir para a ocupação de uma área que, nos últimos anos, passou a concentrar diversos imóveis comerciais vazios ao longo da Rua Voluntários da Pátria.

A Rede Mater Dei, um dos maiores grupos hospitalares privados do país, escolheu Santana para iniciar sua operação na cidade de São Paulo.

O empreendimento será desenvolvido por meio de uma joint venture entre a Mater Dei e a Atlântica Hospitais, empresa que integra a BradSaúde, plataforma de negócios em saúde do Bradesco que reúne também a Bradesco Saúde e a Odontoprev.

A Atlântica Hospitais ficará com 51% da sociedade responsável pela operação e os outros 49% com a Mater Dei.

O projeto começou a ser estruturado em 2023 e tem conclusão prevista para o fim de 2028. Atualmente está em fase de obtenção das licenças necessárias para o início das obras.

O hospital será construído na Rua Voluntários da Pátria nº 1909, em um terreno pertencente à BSP, holding imobiliária do Bradesco, onde anteriormente funcionava uma agência bancária.

Segundo fontes do mercado, a BSP será responsável pelo investimento imobiliário. Após a conclusão da obra, o imóvel será locado para a joint venture, que assumirá a gestão hospitalar, administrativa e a implantação dos equipamentos.

Maior hospital da rede e estratégia de expansão dos sócios

Projetado dentro do conceito greenfield, em que toda a estrutura é planejada do zero de acordo com os fluxos assistenciais e operacionais, o Mater Dei Santana terá aproximadamente 44 mil metros quadrados de área construída e será a maior unidade da rede, que atualmente atua em Minas Gerais, Bahia e Goiás.

O complexo reunirá pronto-socorro, 250 leitos, centro de diagnósticos, centro cirúrgico de alta complexidade, complexo oncológico e ambulatórios.

A nova unidade amplia a capacidade hospitalar da Zona Norte, cuja principal referência é atualmente o Hospital São Camilo, após o encerramento das atividades do Hospital Presidente, no fim de 2024.

O investimento também faz parte da estratégia de expansão da Mater Dei para o maior mercado hospitalar do país. Para o Bradesco, o projeto amplia sua estrutura própria de atendimento aos beneficiários dos planos de saúde, reduzindo a dependência de hospitais de terceiros. A expectativa é atender cerca de 600 mil usuários.

Santana vive novo ciclo de investimentos

A chegada do hospital não acontece de forma isolada.

Nos últimos anos, Santana passou a concentrar uma sequência de investimentos que vêm modificando a paisagem urbana da região. Novos empreendimentos residenciais, a expansão da Cidade Center Norte, a chegada do Supermercado Tauste e outros projetos privados reforçam um movimento de valorização que acompanha a infraestrutura já consolidada do distrito.

Localizada em um dos principais eixos de desenvolvimento previstos pelo Plano Diretor Estratégico, Santana reúne características que continuam despertando o interesse do mercado imobiliário. A região oferece ampla rede de transporte público, proximidade com importantes corredores viários e grande concentração de moradores e consumidores.

O novo hospital amplia esse movimento

Durante as obras, centenas de empregos deverão ser gerados na construção civil. Após a inauguração, a operação tende a criar vagas permanentes para profissionais da saúde, equipes administrativas, manutenção, limpeza, segurança e serviços especializados.

O impacto econômico costuma ultrapassar os limites do empreendimento. Grandes hospitais normalmente atraem clínicas médicas, laboratórios, farmácias, hotéis, restaurantes, cafeterias, estacionamentos e diversos prestadores de serviços, aumentando a circulação diária de pessoas e fortalecendo o comércio do entorno.

Em um trecho da Rua Voluntários da Pátria que, nos últimos anos, passou a acumular imóveis comerciais disponíveis para locação, a expectativa do mercado é de que a chegada do hospital contribua para reaquecer a atividade econômica e estimular a ocupação desses espaços.

Novas regras do Campo de Marte passam a influenciar o mercado imobiliário

Se os investimentos continuam chegando, os novos empreendimentos agora passam a conviver com uma variável que deve influenciar o futuro da construção civil na capital.

A ampliação operacional do Aeroporto Campo de Marte, com a implantação do sistema de pousos e decolagens por instrumentos (IFR), prevista para agosto de 2026, estabeleceu novas superfícies de proteção aérea que limitam a altura das edificações em um raio aproximado de 20 quilômetros ao redor do aeroporto.

Estamos falando de bairros como Santana, Anhanguera, Pirituba, Brasilândia, Perus, Jaraguá, Casa Verde, Cachoeirinha, Vila Maria, Vila Guilherme, Lapa, Mooca, Vila Prudente, Aricanduva e Carrão, além de Carapicuíba, Osasco, Barueri, São Caetano do Sul e Guarulhos.

O Plano Básico de Zona de Proteção IFR de Campo de Marte foi publicado em 29 de abril de 2026 por meio da Portaria ICA nº 11408 (anteriormente 2173). Os critérios técnicos, porém, já vinham sendo adotados pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) desde dezembro de 2025.

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Muito além da altura máxima permitida

Na prática, empreendimentos que ultrapassem determinados limites de altura precisarão obter autorização prévia do Decea, órgão vinculado ao Comando da Aeronáutica (Comaer) responsável pelo controle do espaço aéreo brasileiro.

Nas áreas mais próximas do aeroporto, em um raio de aproximadamente 3,5 quilômetros, edificações acima de cerca de 40 metros, o equivalente a 12 ou 13 pavimentos, passam a depender dessa autorização.

Em regiões mais distantes, dentro do raio de 20 quilômetros, o limite gira em torno de 100 metros, aproximadamente entre 25 e 30 andares, podendo variar conforme a topografia.

As exigências também alcançam torres, antenas e linhas de transmissão situadas até três quilômetros das trajetórias de aproximação e decolagem das aeronaves, independentemente da altura.

Para incorporadoras e construtoras, as mudanças vão além da altura máxima permitida. Os novos parâmetros interferem na ocupação dos terrenos, no desenho arquitetônico dos edifícios, no potencial construtivo e, em muitos casos, na viabilidade econômica dos empreendimentos.

Um exemplo recente é o projeto da futura sede do Governo do Estado de São Paulo, na região central da capital, que deverá passar por reavaliações para atender às novas exigências técnicas.

Um investimento que aponta para o futuro da Zona Norte

A implantação do hospital da Rede Mater Dei demonstra que Santana continua entre as regiões mais estratégicas para receber investimentos de grande porte em São Paulo.

Mesmo diante de novas exigências urbanísticas, a combinação entre infraestrutura consolidada, localização privilegiada, oferta de transporte e demanda por serviços mantém o distrito como um dos principais polos de desenvolvimento da capital.

O novo hospital representa um investimento na área da saúde, mas também sinaliza uma nova etapa de transformação econômica para Santana.

A expectativa é que seus efeitos ultrapassem os muros do empreendimento e contribuam para revitalizar o entorno, fortalecer o comércio local e consolidar a região como um importante eixo de serviços, negócios e qualidade de vida na Zona Norte.

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