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Praça Santo Eduardo será modificada, na Vila Maria, com projeto inédito “Ruas Vivas”

da Redação DiárioZonaNorte

A conhecida  Praça Santo Eduardo (*), na Vila Maria  – nas confluências da Rua Curuçá com a Avenida Guilherme Cotching – participa do novo plano urbanístico para a cidade de São Paulo.

Ela vai abrir o projeto pioneiro “Ruas Vivas”, que será o piloto das intervenções que serão feitas em espaços públicos da cidade para adaptá-los ao “novo normal”, provocado pela pandemia do Covid-19.

Ao mesmo tempo, um incentivo ao comércio local e mais espaço de mobilidade, com apoio aos restaurantes e lanchonetes com mesas e atendimentos nas calçadas.

Junto com a praça da Vila Maria, que representa a Zona Norte-Nordeste, estão a Avenida Penha de França (Zona Leste) e a Rua Teodoro Sampaio (Zona Oeste), em Pinheiros. O objetivo é o de planejar intervenções temporárias em espaço público que já fiquem prontas para o período do Natal, inicialmente nestes três diferentes pontos da cidade.

Surge o Projeto

O projeto está sendo desenvolvido pela Prefeitura de São Paulo, em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP), apoio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e patrocínio da empresa 99.  A ação baseia-se em ativações do espaço por meio de pinturas, materiais leves, mobiliários e elementos portáteis. Cada intervenção será antecedida por oficinas virtuais com a população que buscam debater a proposta e analisar as demandas locais.

As propostas de intervenção no espaço público terão apoio de comerciantes que vão ajudar os organizadores deste projeto a manter o isolamento social, algo mais difícil de controlar em épocas em que se aumentam as vendas.

As ruas selecionadas para receberem as intervenções integram os 23 polos comerciais com maior concentração de diversidade varejista, segundo o Mapeamento de Polos Varejistas (veja os detalhes aqui),  realizado pela ACSP, juntamente com a Universidade Mackenzie, no final de 2019.

O que tem na Praça

É uma praça diferente, dividida pelo meio pela Rua Curuçá e Avenida Guilherme Cotching,  e formando quatro áreas diferentes. Está bem próxima de um dos pontos de  maior referência da Vila Maria, com muitas histórias para contar, a Paróquia Nossa Senhora da Candelária.

Apesar de um pouco sofrida e esquecida pela Subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros, tem lá seus problemas de zeladoria. Gramado quase não existe e iluminação deixa a desejar. Mas está ao lado de um importante comércio nas duas principais vias, com muito movimento no trânsito.

A Santo Eduardo tem um atuante e tradicional ponto de táxi, duas bancas de jornais e, às 5ªs. feiras e sábados, uma Feira de Artesanato. Na segurança, conta com uma Base Fixa da Policia Militar. Ao seu redor chama a atenção um polo gastronômico com Rossio Pizza-Bar-Restaurante, Dizzy Lanches, Espinha Pinguim, Dunguinha´s Burguers, Pilequinho e Nikouki Sushi.

O Natal para Todos

No momento, há uma grande placa anunciando o “Natal para Todos” para a festa de final de ano com as crianças. É um evento tradicional, com a montagem da Casa do Papai Noel e a distribuição de brinquedos e presentes às crianças — neste ano com os cuidados na segurança e saúde contra a pandemia do Covid-19. Mas o evento nada tem a ver com o projeto “Ruas Vivas”. 

O empresário Filipe Catarino, da FC Max Stands, com apoio de outras empresas da região, recebeu autorização da Subprefeitura  para montagem gratuita e está organizando a festa. “É uma maneira de fazer o Natal mais feliz para pessoas que necessitam, ainda mais neste ano de dificuldades. E vamos ajudar com muita alegria”, observa Filipe.

O projeto e como participar

O projeto foi lançado nesta 4ª feira (14out2020) em uma live via YouTube (ver íntegra aqui)  com a mediação pela urbanista da ACSP, Larissa Campagner, com as participações de Fernando Túlio Salva Rocha Franco, presidente do IAB-SP;  Antonio Carlos Pela, vice-presidente da ACSP; Fernando Chucre, secretário municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU); Elisabete França, secretária municipal de Mobilidade e Transportes (SMT); e equipe técnica da Prefeitura com os arquitetos Renato Melhem (SMT) e Dado Brettas (SMDU).  O encontro ainda teve as participações especiais das arquitetas argentinas Carolina Truzzo e Luciana Pacheco, dos setores de Planejamento e Mobilidade de Buenos Aires.

O passo a passo do que deverá ser feito ficará impresso em uma cartilha previamente aprovada pela administração municipal e que servirá como diretriz para organização de ruas e calçadas. Tudo será feito de forma a se evitar aglomeração entre as pessoas que se preparam para as compras de fim de ano.

A  partir de agora, o IAB-SP está tornando público o projeto “Ruas Vivas” e lançou o chamamento para a seleção de profissional autônomo, equipe, coletivo ou escritório de arquitetura e urbanismo com o objetivo de desenvolver um projeto de intervenção temporária no entorno da Praça Santo Eduardo, na Vila Maria.

As inscrições ficam abertas até o dia 24 de outubro (sábado), com as inscrições, que devem ser realizadas por meio de formulário eletrônico no edital de chamamento (clique aqui). O prêmio do vencedor do contrato será de R$ 15 mil.

(*) A história da praça

Que a Praça tem nome de santo, ninguém duvida. Mas quem foi o Santo Eduardo canonizado no ano de 1.161 pelo Papa Alexandre III, pouca gente sabe. Na pesquisa nada se acha sobre a inauguração da Praça Santo Eduardo e porque ela recebeu esse nome.

Nem mesmo há uma igreja ou paróquia com seu nome nas proximidades —  a Paróquia Santo Eduardo fica no Bom Retiro, na rua dos Italianos. Tão pouco houve imigrantes ingleses na região, mas sim portugueses e italianos, em sua maioria.

Mesmo sendo um santo católico, a história mostra um Rei da Inglaterra, com o nome de “Eduardo, o Confessor”, que foi coroado em 3 de abril de 1043 na Catedral de Westiminster. Reinou de  8 de junho de 1042 a 5 de janeiro de 1066, morrendo com 63 anos.

A ele é atribuído a imagem de um Rei da Inglaterra segurando um saco de dinheiro ou doando dinheiro a um necessitado. Também colocam como padroeiro de reis, casais separados ou com dificuldades. O dia 13 de outubro é a data comemorativa em sua homenagem como santo.

Nos anais da Igreja Católica consta que Santo Eduardo era desapegado dos bens materiais. Certa vez, quando voltava de uma missa, um pobre aproximou-se dele para pedir esmola. Eduardo viu que este pobre representava um grupo de necessitados que estavam ali sofrendo à míngua. Então, ele deu a eles seu precioso anel de rei. Os pobres tiveram suas vidas transformadas por causa disso. Mais tarde criou-se a tradição de que o pobre que tinha lhe pedido esmola era São João Batista. Na verdade, era o próprio Jesus, que disse: “Tudo o que fizerdes ao menos dos pequeninos, por causa de mim, é a mim que o fazeis…” (Mateus 25)

Ainda na história do santo, é lembrado que o Rei Eduardo tinha feito um voto de ir até Roma em peregrinação, caso assumisse o trono da Inglaterra, que era seu por direito. Após conseguir a graça, quis cumprir sua promessa, mas o Papa o dispensou. Por isso, ele doou todo o dinheiro que gastaria nesta viagem em benfeitorias para os pobres, criando abrigos e asilos onde os mais necessitados encontravam apoio. Durante todo o seu reinado, Eduardo socorreu os pobres, mostrando que os governantes devem colocar-se a serviço dos governados.


<< Com apoio de informações/fonte: Assessorias de Imprensa IAB-SP e ACSP >>

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