Anunciada com exclusividade pelo DiárioZonaNorte em novembro de 2025, a implantação de uma unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) no distrito do Jaçanã deu mais um passo importante nesta semana.
A primeira audiência pública do projeto foi realizada na 2ª feira (1/6), no Centro Educacional Unificado (CEU) Tremembé, marcando o início do processo de diálogo com a população sobre a futura oferta educacional da instituição.
A nova unidade será instalada no antigo prédio da Subestação Guarulhos de Furnas Centrais Elétricas, localizado na Rua Ushikichi Kamiya, 680, na Casa de Pedra, no distrito do Jaçanã.
O imóvel pertence atualmente à Axia Energia, empresa que assumiu ativos da antiga Eletrobras Furnas. A área foi cedida ao IFSP por um período de 25 anos para implantação do campus.
Antiga estrutura de Furnas dará lugar a espaço educacional
O prédio possui dois pavimentos e cerca de 1.800 metros quadrados de área construída, implantados em um terreno de aproximadamente 22 mil metros quadrados. Localizada fora das faixas de linhas de transmissão de energia, a área será adaptada para receber laboratórios, salas de aula, espaços de convivência e toda a infraestrutura necessária ao funcionamento da nova unidade.
Antes da cessão ao IFSP, o imóvel serviu como base de controle e centro de treinamento de funcionários de Furnas.
Em parte de sua história recente, o espaço também foi utilizado por uma organização não governamental voltada à inclusão social por meio das artes marciais, conhecida como Projeto Espírito Samurai.

Comunidade ajudará a definir os cursos oferecidos
A audiência pública marcou o início do processo de consulta à população para definir os eixos tecnológicos e os cursos que serão oferecidos pelo Campus São Paulo Jaçanã.
O encontro apresentou à comunidade o projeto de implantação da unidade e abriu espaço para discussões sobre as necessidades educacionais, sociais e econômicas da região.
O processo participativo continuará nos próximos meses. Novas audiências públicas estão previstas para os dias 29 de junho e 24 de julho, quando serão aprofundadas as discussões sobre as áreas de formação que deverão compor a oferta acadêmica do campus.
Durante a abertura do evento, o chefe de gabinete do IFSP, Ricardo Agostinho, ressaltou que a implantação da unidade representa a chegada de uma política pública de educação a uma região historicamente carente desse tipo de equipamento.
Segundo ele, a presença do Instituto Federal poderá ampliar o acesso ao conhecimento, à cultura, ao esporte, ao lazer e às oportunidades de desenvolvimento para a população local.
Ricardo Agostinho também destacou o papel da instituição na formação profissional e no fortalecimento da economia regional, contribuindo para a qualificação da mão de obra e para a geração de oportunidades de trabalho e renda.
Oferta acadêmica será construída de forma participativa
A diretora-geral do Campus Jaçanã, Eva Cristina Francisco, apresentou à comunidade as etapas de implantação da unidade e explicou que a definição da oferta acadêmica será construída a partir das contribuições dos moradores e de estudos técnicos sobre a realidade da região.
Segundo a diretora, já existe um eixo tecnológico pactuado com a Axia Energia na área de Controle e Processos Industriais. A definição do segundo eixo será resultado das discussões realizadas durante as audiências públicas e da análise das demandas apresentadas pela população.
Estudos preliminares apontam potencial para cursos ligados às áreas de Informação e Comunicação, Saúde, Desenvolvimento Educacional e Social, além de outras formações alinhadas às características econômicas e sociais da Zona Norte.
A definição final dos cursos levará em consideração indicadores socioeconômicos, necessidades do território e a participação popular ao longo do processo.
Mobilização popular foi decisiva para a conquista
A implantação do campus tem origem em uma mobilização popular iniciada há alguns anos e intensificada ao longo de 2024.
Moradores, educadores, conselheiros participativos e associações comunitárias organizaram uma campanha pela criação do chamado IF-Zona Norte. Um abaixo-assinado on-line reuniu mais de 800 assinaturas em defesa da cessão do imóvel que pertencia à antiga Furnas para uso educacional.
O movimento recebeu apoio de lideranças políticas, entre elas o deputado federal Alencar Santana e o deputado estadual Luiz Claudio Marcolino, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT).
Os parlamentares ajudaram a divulgar a proposta, mobilizaram lideranças locais e participaram de articulações junto ao reitor do IFSP, autoridades federais e ao ministro da Educação, Camilo Santana.
A atuação política e comunitária foi considerada fundamental para transformar uma reivindicação local em um projeto institucional.
De subestação elétrica a polo de conhecimento
Para muitos moradores, a chegada do IFSP ao antigo prédio de Furnas representa mais do que a ocupação de um imóvel ocioso.
A iniciativa é vista como uma oportunidade de ampliar o acesso ao ensino público, gratuito e de qualidade em uma região que concentra grande população estudantil e crescente demanda por formação técnica e tecnológica.
A expectativa é que escolas da região possam desenvolver futuras parcerias com o campus em projetos de iniciação científica, programas integrados e ações voltadas à qualificação profissional.
Enquanto avançam os processos de adequação da infraestrutura e licenciamento, cresce a expectativa para o início das atividades acadêmicas.
A previsão é que o Campus São Paulo Jaçanã comece a operar oficialmente no segundo semestre do próximo ano, abrindo uma nova etapa para a educação pública na Zona Norte da capital paulista.
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