da Redação DiárioZonaNorte
- As raízes da entidade tiveram início com a Escola de Aprendizes e Artífices de São Paulo, criado em 23/09/1909 (116 anos) e como Instituto Federal em 29/12/2008 (16 anos);
- Atualmente, o IFSP possui mais de 40 mil alunos matriculados nos 42 campus distribuídos pelo estado de São Paulo;
- Na cidade de São Paulo, há o IFSP como campus central no bairro do Canindé e o de Pirituba, na Zona Noroeste;
- Os cursos técnicos são oferecidos gratuitamente e dependem de processos seletivos para os interessados com taxa mínima de inscrição.
Nas próximas semanas, a Zona Norte poderá assistir a um dos anúncios mais aguardados das últimas décadas: a criação de uma unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) no antigo prédio da Subestação de Guarulhos de Furnas Centrais Elétricas, localizado na Rua Ushikichi Kamiya, 680, no bairro Casa da Pedra, no distrito do Jaçanã.
Com negociações avançadas entre a Reitoria do IFSP, o Ministério da Educação (MEC) e a Axia Energia — empresa com sede no Rio de Janeiro e que assumiu os ativos da antiga Eletrobrás/Furnas —, a expectativa é que o contrato definitivo de cessão em comodato por 25 anos – já em mãos do reitor da IFSP -, seja assinado nas próximas semanas, abrindo caminho para o início das atividades já em 2026 – após revitalização que deverá ocorrer no enorme espaço nos moldes da entidade.

Marco histórico na região
Se confirmado, o novo campus simbolizará um marco histórico: um Instituto Federal em uma das regiões mais populosas da capital, que se mostra carente de oportunidades educacionais, oferecendo ensino técnico, tecnológico e superior gratuito, onde por décadas predominou a ausência de equipamentos públicos de formação profissional.
Num território marcado pela luta por direitos, pela carência de melhor mobilidade em transportes (inclusive sobre trilhos) e por distâncias que afastavam jovens da educação, essa implantação representa uma virada de página — uma espécie de “energia de transformação”, fiel ao passado do imóvel que abrigou operações de Furnas.
Energia da transformação
A Axia Energia – novo nome da Eletrobrás – atual administradora dos ativos de Furnas Centrais Elétricas, subdisiária da Eletrobrás – já formalizou a cessão do imóvel em comodato.
A proposta foi aprovada em reunião do Conselho de Administração da empresa, em 23 de outubro passado, e o contrato deve ser assinado nos próximos dias pela Reitoria do IFSP, presidida por Silmário Batista dos Santos.
O espaço
O prédio de dois pisos com cerca de 1.800 m2 está localizado em um terreno de 22 km², fora dos linhões de alta tensão, será transformado em um moderno espaço educacional, com laboratórios, salas acessíveis e áreas de convivência.
O prédio serviu como base de controle e o centro de treinamento de funcionários de Furnas.

Sonho antigo, realidade nova
Durante décadas, os jovens da Zona Norte — especialmente dos bairros Jaçanã, Filhos da Terra, Jova Rural, Tremembé e Parque Edu Chaves, entre outros — enfrentaram um obstáculo crônico: a falta de instituições públicas de ensino técnico e superior.
A ausência de faculdades e escolas profissionalizantes próximas obrigava os estudantes a cruzar a cidade, muitas vezes gastando horas no transporte e comprometendo o orçamento familiar com as mensalidades e custos de transporte.
A carência de transporte sobre trilhos agrava o cenário. A Linha 1-Azul do Metrô termina no Tucuruvi, e a região ainda aguarda há 27 anos a prometida extensão até o Jaçanã, que facilitaria o acesso à educação e ao trabalho.
Nesse contexto, a implantação de um Instituto Federal representa um divisor de águas para o desenvolvimento social e econômico local.

O projeto: da estrutura ao conhecimento
O antigo centro de treinamento de que pertencia à Furnas possui estrutura sólida e bem conservada, embora exija adaptações pedagógicas e ambientais.
Em parte de sua história recente, o espaço chegou a abrigar, por empréstimo por alguns anos, as atividades sociais de uma ONG voltada à inclusão por meio das artes marciais, com o projeto Espírito Samurai.
Agora, o local renasce com nova vocação: ser um centro público de formação técnica, tecnológica e superior gratuita. A unidade seguirá o modelo de outras sedes do IFSP, com instalações sustentáveis, ambientes acessíveis e áreas destinadas ao convívio comunitário.
O campus deverá atender diretamente estudantes de mais de 40 bairros da Zona Norte, ampliando oportunidades até para moradores de Guarulhos e Mairiporã.
Os cursos iniciais, ainda em fase de definição pela direção do IFSP, localizado no Canindé – atrás do Shopping D – , podendo priorizar áreas de energia, tecnologia, meio ambiente, administração pública e logística, refletindo o perfil produtivo da região.
Mobilização popular e a luta pelo campus
A conquista tem raízes em uma mobilização popular intensa, iniciada há alguns anos e fortalecida em 2024. Moradores, educadores, conselheiros participativos e associações comunitárias lançaram um abaixo-assinado on-line, que ultrapassou mais de 800 assinaturas, pedindo a criação do IF-Zona Norte e a cessão do prédio que pertencia à Furnas.

A campanha contou com o apoio de parlamentares — entre eles, o deputado federal Alencar Santana (PT) e o deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT) —, que plantaram a ideia e idealizaram o abaixo-assinado com divulgação de vídeos nas redes sociais em defesa do IF-Zona Norte, mobilizado lideranças comunitárias, movimentos sociais e realizando articulações com o reitor, autoridades e com o ministro da Educação, Camilo Santana.
Ambos têm trajetória reconhecida na defesa da educação e atuam para ampliar investimentos nos Institutos Federais, podendo até disponibilizar emendas parlamentares.
O deputado Alencar Santana reforçou a mobilização ao levar o pleito pessoalmente ao Ministério da Educação (MEC), em reuniões que fortaleceram o diálogo entre governo e os acertos com a IFSP, através do reitor.
” A Zona Norte de São Paulo é uma das únicas grandes regiões da cidade que ainda não tem um Instituto Federal. Isso precisa mudar. Estamos unindo forças para garantir essa conquista, que vai representar oportunidades de estudo, trabalho e futuro para milhares de pessoas”, destacou Alencar Santana.
Os próximos passos
Apesar de que, em resposta ao DiárioZonaNorte, o MEC informou que ” trata-se de um Centro de Referência, sendo que as tratativas estão sendo realizadas diretamente com o dirigente máximo do Instituto Federal de São Paulo, tendo em vista a autonomia administrativa conferida por força da Lei nº 11.892, de 2008, e faz parte da política nacional de expansão da Educação Profissional e Tecnológica”.
De acordo com a resposta do MEC, a citada lei dá autonomia aos Institutos Federais sobre a decisão de criar cursos e unidades, mas o investimento para a nova unidade, depende do repasse orçamentário do Ministério podendo ainda receber emendas parlamentares com fins específicos. Esse orçamento é elaborado no decorrer do ano vigente e, se aprovado, válido para o próximo ano.
Uma grande oportunidade
Nas redes sociais, o antigo prédio foi apresentado como um “símbolo de transformação social”. Em vídeos e postagens, moradores, professores e jovens ressaltavam que a juventude da região precisa de “oportunidades reais, e não promessas”.
A pressão popular ajudou a acelerar os trâmites administrativos e consolidou o diálogo com a Axia Energia, culminando no acordo de cessão do prédio.

Já com a concordância da empresa em ceder o prédio, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da empresa, Bruno Eustáquio de Carvalho, ressaltou: “Na AXIA Energia, entendemos que devemos contribuir para o desenvolvimento das regiões onde estamos presentes. Sabemos que iniciativas como a cessão do prédio para o Instituto Federal não só promovem a qualificação da mão de obra local, mas também melhoram a qualidade de vida das pessoas na comunidade“. E acrescentou que “acreditamos que, ao investir na educação, estamos, na verdade, construindo um futuro mais próspero e sustentável para todos.”
A implantação do Instituto Federal no Jaçanã ocorre em sintonia com o plano de expansão do governo federal, que anunciou a criação de 100 novos campi em todo o país, sendo 12 no estado de São Paulo — dois deles já confirmados para os bairros Cidade Tiradentes e Jardim Ângela.
Embora o Jaçanã não constasse na primeira lista, o projeto ganhou força técnica e política, tornando-se um modelo de parceria entre o poder público e a iniciativa privada.
Segundo especialistas da área, o uso de um imóvel existente representa uma solução racional e econômica, reduzindo custos de construção e acelerando o início das atividades. Além disso, a localização estratégica, próxima a vias arteriais e de fácil acesso para transporte coletivo, favorece a integração regional.
O papel transformador dos Institutos Federais
Criados em 2008, os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia são reconhecidos pela excelência acadêmica e pela integração entre formação técnica, pesquisa e cidadania.
Cada campus é planejado conforme as necessidades socioeconômicas do território em que atua. No caso da Zona Norte, a futura unidade poderá fomentar cursos voltados à tecnologia da informação, transição energética, gestão pública e empreendedorismo local.
Mais do que centros de ensino, os Institutos Federais funcionam como polos de inovação e inclusão social. Alunos de baixa renda contam com programas de auxílio-transporte, alimentação e moradia, enquanto professores com mestrado e doutorado garantem formação sólida e qualificada. O IFSP também promove pesquisas aplicadas, estimulando o desenvolvimento de soluções práticas para problemas regionais.
Educação como energia de transformação
Moradores da região comentam que a implantação do IFSP no antigo prédio de Furnas vai muito além de uma mudança de endereço: é uma reparação histórica.
Durante anos, a Zona Norte foi lembrada apenas pela carência de investimentos públicos. Agora, a chegada do IFSP representa um marco de reequilíbrio territorial, levando ensino gratuito e de qualidade a uma região que sempre produziu talentos, mas carecia de oportunidades.
“A educação é a energia que move o futuro”, resume um dos articuladores do movimento, em referência simbólica à origem do prédio. A frase traduz o sentimento coletivo de vitória: transformar um espaço de energia elétrica em um centro de energia humana e intelectual.
Enquanto os ajustes de infraestrutura e licenciamento são finalizados, a expectativa cresce entre os moradores.
Escolas da região podem planejar parcerias para projetos de iniciação científica, estágios e programas integrados.
A promessa é que, até o segundo semestre do próximo ano, o IFSP-Jaçanã comece suas atividades oficialmente, marcando uma nova era para a juventude da Zona Norte.

Um futuro mais próximo
Com a chegada do Instituto Federal, o Jaçanã e seus bairros vizinhos ganham não apenas uma instituição de ensino, mas um centro de oportunidades.
Jovens que antes precisavam enfrentar longas viagens agora poderão estudar perto de casa, desenvolver projetos inovadores e ingressar no mercado de trabalho com formação técnica sólida.
O antigo sonho, cultivado com persistência pela comunidade, torna-se realidade. O que antes era um prédio silencioso e sem função pública, agora será palco de um novo ciclo de esperança, conhecimento e desenvolvimento.
Mais detalhes sobre processos seletivos e informações sobre os cursos do Instituto Federal: clique aqui
(*) Furnas Centrais Elétricas S/A, ou simplesmente Eletrobras Furnas, foi uma empresa brasileira subsidiária da Eletrobrás, que atuava no segmento de geração e transmissão de energia em alta e extra-alta tensão.
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