.
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é um dos alvos de mandado de prisão temporária da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17/9) para investigar a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de São Paulo.
A operação é conduzida pela Polícia Civil do Estado de São Paulo e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.
Milton Leite não havia sido localizado pelos policiais durante o cumprimento do mandado. Em manifestação divulgada nesta quinta-feira, o ex-vereador informou que estava viajando, negou estar foragido e afirmou que se apresentaria às autoridades em até 24 horas. Leite também nega as acusações e sustenta que provará sua inocência.
O ex-vereador exerceu sete mandatos consecutivos na Câmara Municipal de São Paulo e presidiu a Casa por seis anos. Atualmente, é presidente estadual do União Brasil em São Paulo.
Investigação apura atuação do PCC em empresas de ônibus
A Operação Vectura Corrupta investiga a suspeita de infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital. Segundo os investigadores, elementos reunidos durante a apuração indicam possível controle direto ou indireto da organização criminosa sobre pelo menos 12 empresas que operam linhas de ônibus em São Paulo.
Os indícios citados na investigação incluem informações obtidas de dispositivos eletrônicos apreendidos, documentos e dados financeiros reunidos ao longo das apurações.
A decisão judicial que autorizou a operação ressalta que os elementos analisados nesta etapa não representam conclusão definitiva sobre a responsabilidade penal dos investigados. As suspeitas ainda estão sob investigação.
Entre os alvos dos mandados também estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte S.A. (SPTrans), o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) e advogados investigados por suposta participação nos núcleos apurados.
As diligências foram realizadas na capital paulista e nos municípios de Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Milton Leite é citado na investigação sobre empresas de transporte
Segundo a investigação, Milton Leite aparece em elementos reunidos pelas autoridades relacionados à atuação de empresas de transporte coletivo.
Os investigadores apuram, entre outros pontos, a suspeita de que o ex-vereador teria ligação com a Transwolff, empresa que operava linhas do sistema municipal de ônibus e que já havia sido alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024.
Leite nega ser proprietário de empresas de ônibus e também nega qualquer ligação com integrantes do PCC.
A Transwolff foi uma das empresas que sofreram intervenção da Prefeitura de São Paulo em abril de 2024. A administração municipal também determinou intervenção na UPBus naquele período e posteriormente encerrou contratos diante das irregularidades investigadas.
Operação também apura financiamento de campanhas eleitorais
Outra frente da Operação Vectura Corrupta investiga a possível participação do crime organizado no financiamento de campanhas políticas.
Segundo o MPSP e a Polícia Civil, elementos obtidos durante as investigações indicam suspeitas relacionadas às eleições municipais de 2024 e ao processo eleitoral de 2026.
A apuração busca identificar como integrantes ou pessoas ligadas à organização criminosa teriam utilizado empresas, estruturas empresariais e intermediários para movimentar recursos e ampliar sua atuação em diferentes setores.
As suspeitas envolvendo candidatos e agentes políticos permanecem sob investigação e não representam, nesta etapa, comprovação de responsabilidade criminal.
Vectura Corrupta é desdobramento de investigação iniciada em 2024
A operação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024.
Naquela investigação, as autoridades identificaram uma rede utilizada pelo PCC para manter a comunicação entre integrantes da organização criminosa que estavam presos e aqueles que permaneciam em liberdade.
A apuração identificou ainda suspeitos ligados a núcleos conhecidos como Sintonia Restrita e Sintonia dos Gravatas. Segundo os investigadores, também surgiram indícios de um projeto destinado à infiltração de pessoas ligadas ao crime organizado nas eleições municipais de 2024.
A nova fase aprofundou a análise do material apreendido e levou os investigadores a apurar possíveis relações entre integrantes da organização criminosa, empresas de transporte coletivo e agentes ligados ao poder público.
Operação Fim da Linha já havia investigado empresas de ônibus
As suspeitas sobre a utilização de empresas do transporte coletivo pelo crime organizado já haviam motivado outra investigação em São Paulo.
Em abril de 2024, o MPSP deflagrou a Operação Fim da Linha para apurar suspeitas de utilização das empresas Transwolff e UPBus na lavagem de recursos provenientes de atividades criminosas.
A Prefeitura de São Paulo informou que, desde o início das investigações, vem fornecendo documentos e informações ao MPSP e à Polícia Civil. As investigações da Operação Vectura Corrupta continuam.
<com apoio de informações: Núcleo de Comunicação Social MPSP>
Milton Leite PCC Ônibus Milton Leite PCC Ônibus Milton Leite PCC Ônibus Milton Leite PCC Ônibus Milton Leite PCC Ônibus













































