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Evento realizado no Espaço Unimed, entre 1º e 3 de setembro, debateu neurociência, saúde mental, inovação, violência online, diversidade e liderança educacional.
Cerca de 3 mil profissionais da Rede Municipal de Ensino de São Paulo participaram, entre 1º e 3 de setembro, do XXIX Congresso da APROFEM (Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo), realizado no Espaço Unimed. Com vagas esgotadas, o encontro promoveu três dias de palestras e reflexões sobre questões que atravessam o cotidiano das escolas e o trabalho dos profissionais da Educação.
Com o tema “Inteligências em diálogo: aprender em muitas vozes, comunicar e conviver em tempos complexos”, o congresso reuniu especialistas para discutir desde o funcionamento do cérebro e os impactos das emoções na aprendizagem até os efeitos da radicalização digital, a saúde mental dos educadores, a diversidade cultural, o pensamento crítico e a liderança dentro das escolas.
A programação foi estruturada para aproximar conhecimento acadêmico, experiências profissionais e questões presentes no dia a dia da Educação pública.
Formação continuada abre congresso da APROFEM
A abertura oficial foi conduzida pelo presidente da APROFEM, Professor Ismael Nery Palhares Junior, que colocou a formação continuada no centro das discussões sobre valorização profissional e fortalecimento da categoria.
A proposta do congresso, segundo a organização, foi oferecer aos profissionais da Educação um espaço de qualificação para discutir os desafios encontrados nas escolas e buscar caminhos para lidar com uma realidade educacional cada vez mais complexa. A primeira edição do encontro, em 1º de setembro, reuniu aproximadamente 3 mil educadores no Espaço Unimed.
A programação começou com a neurociência e sua relação com os processos de aprendizagem. A Dr.ª Thais Faria Coelho, neurocientista, mestre e doutora em Educação, além de fundadora do Instituto Thais Faria Coelho e do programa Mentes Blindadas, apresentou a palestra “Neurociência na Educação”.
Neurociência coloca emoções e saúde mental no centro da aprendizagem
Durante a exposição, Thais Faria Coelho abordou o desenvolvimento cerebral durante a infância e a adolescência, a plasticidade cerebral e a influência das emoções sobre atenção, memória e aprendizagem significativa.
A pesquisadora também relacionou fundamentos da neurociência às competências socioemocionais previstas na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), com destaque para autorregulação e empatia. O autocuidado dos próprios educadores entrou na discussão a partir de questões como sobrecarga e resiliência.
A palestra trouxe uma reflexão sobre a necessidade de reconhecer os fatores que contribuem para o desgaste profissional e de buscar formas de reorganizar a relação com as demandas do cotidiano.
Escola entra no debate sobre radicalização e violência online
No período da tarde, a programação avançou para um dos temas mais delicados enfrentados pelas escolas atualmente. A Prof.ª Dr.ª Telma Vinha, doutora em Educação pela Unicamp e coordenadora associada do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (GEPEM), apresentou a palestra “Subculturas violentas online, radicalização adolescente e ataques de violência extrema em escolas: a escola como comunidade de cuidado e proteção”.
Especialista em clima escolar e conflitos, Telma Vinha apresentou dados sobre a atuação de comunidades digitais extremistas que procuram atrair crianças e adolescentes por meio de fóruns, comunidades virtuais e memes.
A discussão mostrou como esses ambientes podem produzir sensação de pertencimento, dessensibilizar os jovens diante da violência e contribuir para a normalização de comportamentos agressivos. O processo de radicalização também foi relacionado à amplificação de situações envolvendo ataques, bullying, assédio e outras formas de violência.
A pesquisadora defendeu o fortalecimento dos vínculos entre educadores e estudantes como parte das estratégias de prevenção. Para ela, a criança precisa saber que existe um adulto preparado para ouvir quando surgir um problema.
O sentido de educar volta ao centro da conversa
O primeiro dia terminou com a conferência “Quando a escola se conecta com o sentido do educar”, apresentada pela pedagoga, assistente social e professora titular da PUC-SP Prof.ª Dr.ª Emília Cipriano.
A educadora propôs uma reflexão sobre o próprio significado do ato pedagógico e sobre a capacidade de questionamento presente nas crianças. A escuta ativa apareceu como elemento essencial para a construção de relações de confiança, junto ao acolhimento do estudante como sujeito integral, com direitos e deveres.
A conferência também reforçou o papel da escola pública como espaço de convivência, afeto e humanização.
Segundo dia aproxima inovação, tecnologia e saúde mental
A programação de 2 de setembro levou o congresso para temas relacionados às transformações tecnológicas, ao autoconhecimento e à saúde mental dos profissionais da Educação.
A Prof.ª Mª Débora Garofalo abriu o segundo dia com a palestra “A escola que faz: quando aprender vira ação, criação e transformação”. A discussão abordou a escola como espaço de investigação, experimentação, autoria e construção coletiva.
A presença de novas tecnologias no ambiente educacional foi analisada a partir da necessidade de uso consciente desses recursos. A inovação, segundo a abordagem apresentada, está relacionada à capacidade de preparar educadores e estudantes para utilizar a tecnologia com propósito, criatividade e pensamento crítico.
Experiências desenvolvidas com estudantes mostraram como projetos ligados a problemas reais podem estimular o protagonismo, reduzir a evasão e aproximar o aprendizado de situações concretas.
Na sequência, o Prof. Me. André Barreto Prudente apresentou “Eneagrama: um mapa para identificar e cuidar das necessidades na Educação”. A palestra utilizou o Eneagrama como ferramenta de autoconhecimento para discutir diferentes necessidades afetivas presentes nas relações entre estudantes, famílias e profissionais da Educação.
A abordagem também chamou atenção para o risco de rotular crianças e estudantes, relacionando o autoconhecimento à construção das relações dentro da comunidade escolar.
Saúde mental dos educadores ganha espaço no congresso
O segundo dia terminou com a conferência “Saúde Mental e Inteligência Emocional”, conduzida pela jornalista e autora Izabella Camargo.
A partir da própria experiência com burnout, Izabella abordou sinais de desgaste físico e emocional e chamou atenção para a importância de reconhecer esses sinais antes que o quadro se agrave.
A discussão trouxe para o congresso uma questão diretamente relacionada à rotina dos profissionais da Educação: sofrimentos que nem sempre são percebidos por quem está ao redor e que precisam ser identificados e acolhidos.
Diversidade e ancestralidade ampliam o debate sobre conhecimento
O terceiro e último dia, em 3 de setembro, ampliou as discussões para diversidade cultural, conhecimento, pensamento crítico e relações dentro do ambiente escolar.
O Prof. Me. Luciano Lusseque Sachimbuca apresentou a palestra “África na Lupa do Mundo: das referências às narrativas africanas”. Partindo de sua trajetória e de referências do continente africano, o professor questionou representações que reduziram a África a imagens associadas exclusivamente à pobreza e à fome.
A apresentação percorreu realidades de cidades como Cairo, Addis Abeba e Luanda e destacou a diversidade de povos, línguas, culturas e formas de compreender o mundo existentes no continente.
As memórias da infância em Angola também serviram de ponto de partida para uma conversa sobre oralidade, ancestralidade e transmissão de conhecimento entre gerações. A proposta foi estimular os educadores a reconhecer diferentes referências culturais como fontes legítimas de conhecimento e a evitar generalizações sobre o continente africano.
Pensamento crítico diante do excesso de informação
O congresso seguiu com a palestra “O papel do educador como agente de resistência a uma sociedade superficial”, apresentada pelo Prof. João Carlos Martins.
A discussão abordou os efeitos do excesso de informações, da dispersão e das relações mediadas pelas telas. Nesse cenário, a escola foi apresentada como espaço de convivência, escuta e construção de vínculos.
O papel do educador foi relacionado à capacidade de estimular perguntas, interpretação e pensamento crítico. A ideia central foi que estudantes precisam desenvolver ferramentas para compreender e atribuir significado às informações que recebem.
A reflexão também apontou para a necessidade de levar essas questões para a prática pedagógica cotidiana.
Neuroliderança encerra três dias de formação
A última conferência do XXIX Congresso da APROFEM foi apresentada pela Prof.ª Mª Tânia Queiroz, com o tema “Neuroliderança na sala de aula: da exaustão à excelência”.
A especialista utilizou a imagem da escola como um ecossistema para mostrar a relação entre professores, gestores, estudantes e famílias. O ambiente em que essas pessoas convivem também influencia os resultados educacionais.
A palestra abordou o impacto de um cérebro submetido constantemente a situações de alerta sobre emoções, relações e prática profissional. O esgotamento dos educadores foi discutido dentro de um contexto de trabalho que pode produzir sobrecarga, retirando o foco da ideia de que se trata apenas de uma dificuldade individual.
A neurociência foi aproximada do cotidiano escolar a partir da relação entre atenção, emoção, significado, reflexão, vínculo e afeto. O encerramento reforçou que qualquer transformação na Educação passa também pelo cuidado com os profissionais responsáveis por manter a escola funcionando diariamente.
APROFEM reúne mais de 60 mil filiados em São Paulo
Fundada em 1981, na Zona Leste de São Paulo, a APROFEM informa representar atualmente mais de 60 mil filiados entre servidores da ativa, aposentados e pensionistas. Cerca de 95% desse quadro é formado por profissionais da Educação.
A entidade mantém sede própria na região da Bela Vista e atua segundo princípios de independência e apartidarismo. Presidida pelo Professor Ismael Nery Palhares Junior, a APROFEM também coordena o Fórum das Entidades Sindicais do Município de São Paulo e participa de diferentes instâncias relacionadas às condições e ao futuro dos servidores municipais da Capital.
<com apoio de informações: Rafaela Manzo Soluções em Comunicação>
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