Greve Bancários pagamentos
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Paralisação de 24 horas foi aprovada em assembleias realizadas na 2ª feira (17/8). Em São Paulo, categoria rejeitou proposta da Fenaban por 97,66% e aprovou a greve por 89,34% dos votos

 

Os bancários realizam uma paralisação de 24 horas nesta 5ª feira (20/8) em meio ao impasse nas negociações da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. A mobilização foi aprovada em assembleias realizadas na 2ª feira (17/8) por sindicatos de diferentes regiões do país.

Em São Paulo, os trabalhadores representados pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo rejeitaram por 97,66% dos votos a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na sétima rodada de negociação, realizada em 13 de agosto. A paralisação de 24 horas foi aprovada por 89,34% dos votos.

A votação dos bancários paulistas ocorreu de forma virtual e foi encerrada às 23h de 2ª feira. Antes disso, mais de 1,5 mil trabalhadores participaram de uma plenária híbrida, realizada presencialmente e pela internet, para acompanhar os informes e os debates sobre a campanha salarial.

Por que os bancários decidiram parar?

O impasse envolve principalmente reajuste salarial, piso de ingresso, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e valores dos vales refeição e alimentação.

Na sétima rodada de negociação, realizada em São Paulo em 13 de agosto, a Fenaban não apresentou um índice de reajuste para os salários e demais verbas.

A proposta apresentada previa o congelamento do piso de ingresso para novos bancários e a adoção de reajustes diferenciados para três faixas salariais.

Os critérios para definir essas faixas e os percentuais de reajuste, porém, não foram apresentados naquele momento.

A proposta também chegou a incluir uma redução dos valores dos vales refeição e alimentação para trabalhadores de cidades do interior, segundo relatos das entidades que representam os bancários.

A ideia foi posteriormente retirada, enquanto permaneceu a proposta de congelamento do piso de ingresso e de reajustes diferenciados.

A representação dos trabalhadores também afirma que, durante a negociação, houve ameaça de recurso ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para validar a redução dos benefícios. Segundo as entidades sindicais, a possibilidade acabou sendo retirada.

O que os bancários estão reivindicando

A pauta econômica apresentada pelo Comando Nacional dos Bancários inclui aumento real dos salários, valorização da PLR, recomposição dos valores dos vales refeição e alimentação e melhoria do piso da categoria.

Entre as reivindicações está também a criação de um piso específico para trabalhadores da área de tecnologia da informação.

O movimento sindical defende aumento real de 5% além da reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além de mudanças nas regras da PLR e reajuste dos benefícios.

Os representantes dos trabalhadores também apontam perdas acumuladas nos benefícios. Segundo levantamento apresentado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o vale-alimentação acumulou perda de 13% entre 2019 e 2025, enquanto o vale-refeição perdeu 3,7% entre 2023 e 2025.

Lucro dos bancos entra no centro da discussão

A lucratividade do sistema financeiro também passou a ser usada como argumento nas negociações.

Dados apresentados pelo movimento sindical apontam que os cinco maiores bancos brasileiros registraram, juntos, lucro de R$ 124 bilhões em 2025. Considerando todo o setor bancário, o lucro líquido chegou a R$ 171 bilhões no mesmo ano. O patrimônio líquido do setor alcançou aproximadamente R$ 1,2 trilhão.

A entidade sindical utiliza esses números para defender que existe espaço econômico para atender às reivindicações dos trabalhadores.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), por sua vez, informou que acompanha a movimentação e que as negociações seguem o cronograma estabelecido com a categoria. A entidade declarou esperar que o processo resulte em um entendimento satisfatório para as duas partes.

O que acontece nesta quinta-feira

A paralisação prevista para 20 de agosto terá duração de 24 horas. A adesão efetiva pode variar de acordo com cada base sindical.

Em São Paulo, a paralisação foi aprovada expressamente pelos trabalhadores representados pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo. A decisão ocorreu após a rejeição da proposta apresentada pela Fenaban.

Para os clientes, a principal consequência pode ser a redução ou suspensão do atendimento presencial nas agências que aderirem ao movimento. Serviços digitais, como Pix, pagamentos e transferências, continuam disponíveis, embora possam existir limitações pontuais dependendo da instituição financeira.

A paralisação também não altera automaticamente os vencimentos de contas. Boletos e demais compromissos com vencimento em 20 de agosto permanecem com a data prevista, segundo informações divulgadas sobre o movimento. O consumidor deve utilizar os canais digitais ou outras formas disponíveis para efetuar os pagamentos dentro do prazo.

Negociação continua

A greve de 24 horas ocorre em meio à continuidade da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. A paralisação funciona como uma etapa de pressão nas negociações entre a representação dos trabalhadores e a Fenaban.

A entidade sindical afirma que pretende intensificar a mobilização até que haja avanços nas reivindicações econômicas e na discussão sobre direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho.

A Fenaban informou que o processo de negociação segue o cronograma estabelecido e que espera chegar a um acordo com os trabalhadores.

A situação pode mudar a partir das próximas rodadas de negociação. Para os clientes, a orientação prática é verificar o funcionamento da agência antes de sair de casa e, quando possível, utilizar os canais digitais dos bancos.

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