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Trilogia da Noite Escura da Alma estreia em 6 de outubro e reúne três monólogos apresentados em diferentes ambientes da Catedral, com sessões até novembro.

A Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, será cenário de uma experiência teatral que convida o público a percorrer diferentes ambientes do templo enquanto acompanha as histórias de três personagens da tradição carmelita.

A estreia de Trilogia da Noite Escura da Alma acontece em 6 de outubro, terça-feira, às 19h, com dramaturgia e direção de Helder Mariani.

O espetáculo reúne três monólogos apresentados em sequência, em um percurso que passa pelo Salão Superior, pela Cripta e pelo Coro, com encerramento no Altar-Mor. A proposta utiliza os espaços da Catedral como parte da encenação, aproximando os espectadores das histórias de Edith Stein, São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus.

Serão realizadas apenas cinco apresentações, nos dias 6, 20 e 27 de outubro e 3 e 10 de novembro, sempre às terças-feiras, às 19h. Os ingressos custam R$ 80, com meia-entrada a R$ 40, e estão disponíveis pela plataforma Sympla.

Produzida pela Cia. da Palavra, a montagem tem duração total de 140 minutos, classificação indicativa de 14 anos e capacidade para 100 espectadores por sessão.

Catedral mantém atividades voltadas à preservação do patrimônio

A realização de um espetáculo teatral dentro da Catedral da Sé ocorre em um contexto diferente daquele de teatros, casas de espetáculos ou outros espaços destinados regularmente à programação cultural. O edifício permanece, antes de tudo, um templo religioso e sede da Arquidiocese de São Paulo.

Ao longo do ano, a Catedral recebe algumas atividades culturais e ações especiais como o Brunch da Catedral,  compatíveis com o espaço e com sua função religiosa. Parte dessas iniciativas contribui para a arrecadação de recursos destinados à conservação e à manutenção do patrimônio histórico da Catedral e também auxilia a Missão Belém.

A preservação de uma construção com as dimensões, a idade e as características arquitetônicas da Sé exige manutenção permanente. As ações realizadas no local também permitem ao público conhecer ambientes que normalmente não fazem parte de uma visita cotidiana ao templo.

No caso da Trilogia da Noite Escura da Alma, existe ainda uma relação direta entre o espaço e o conteúdo da obra. Os três monólogos partem dos escritos e das experiências de religiosos carmelitas e serão apresentados em um percurso pelo Salão Superior, Cripta e Coro, terminando no Altar-Mor. A Catedral, portanto, participa da própria construção narrativa do espetáculo.

Embates da alma humana na fé e na razão conduzem o público pelos espaços da Catedral da Sé

A Trilogia da Noite Escura da Alma reúne três espetáculos originalmente concebidos como obras independentes, agora adaptados para uma apresentação contínua no interior da Catedral.

As dramaturgias foram escritas por Helder Mariani a partir dos textos autobiográficos de três religiosos carmelitas que viveram em diferentes períodos históricos. As histórias abordam experiências de isolamento, sofrimento e questionamentos sobre a existência humana, tendo como referência a tradição espiritual conhecida como noite escura da alma.

A encenação utiliza uma linguagem direta, com os atores assumindo o papel de narradores de suas próprias histórias. O formato aproxima a apresentação da tradição do rapsodo, figura que, desde a Antiguidade, transmite narrativas por meio da palavra e da interpretação.

Daniela Schitini interpreta Edith Stein, Helder Mariani vive São João da Cruz e Gabriela Cerqueira representa Santa Teresinha do Menino Jesus.

As atrizes Katia Naiane e Nicoli Rizzoli também integram o elenco, conduzindo os espectadores pelos ambientes da Catedral e participando da construção do percurso cênico.

A proposta da companhia é aproximar as experiências dos personagens de questões contemporâneas, como as pressões do cotidiano nas grandes cidades e as dificuldades enfrentadas nas relações humanas.

Trilogia Noite Escura Alma
Daniela Schitini em cena, como Edith Stein – crédito da foto:  Irmã Natividade Pereira

Edith Stein: a filósofa judia que morreu em Auschwitz

O primeiro monólogo, Edith Stein, a Estrela e a Cruz, apresenta a trajetória da filósofa alemã Edith Stein (1891-1942), intelectual de origem judaica que se converteu ao catolicismo e ingressou na Ordem das Carmelitas Descalças, adotando o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz.

A história se passa em 2 de agosto de 1942, às 17h, quando dois oficiais da SS, organização paramilitar nazista, entram no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Echt, na Holanda, e exigem que a religiosa deixe o local.

Antes de ser levada, Edith recebe autorização para recolher alguns pertences em sua cela. Durante esses minutos, a personagem revisita momentos de sua vida, desde a infância em uma família judaica até sua trajetória intelectual e a decisão de ingressar na vida religiosa.

A filósofa, reconhecida por sua contribuição à fenomenologia, foi deportada para Auschwitz, onde morreu em uma câmara de gás em 9 de agosto de 1942.

Interpretado por Daniela Schitini, o monólogo tem duração de 30 minutos e estreou em julho de 2023, no Teatro das Paulinas, em São Paulo. A montagem também teve uma pré-estreia no Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (Pascom), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Itaici.

A dramaturgia e a encenação são de Helder Mariani, com voz em off de Denise Weinberg, trilha sonora de Dagoberto Feliz e direção de arte de Mariani e Daniela Schitini. Produção e realização da Cia. da Palavra.

Trilogia Noite Escura Alma
Helder Mariani interpreta São João da Cruz – Crédito: Bianca Barciela

João da Cruz: prisão, poesia e conflitos espirituais

O segundo monólogo acompanha São João da Cruz (1542-1591), poeta e místico espanhol do século XVI, cuja obra literária e espiritual se tornou uma das principais referências da tradição carmelita.

Interpretado por Helder Mariani, o espetáculo apresenta o período em que o religioso permaneceu prisioneiro de seus próprios confrades, os Carmelitas Calçados, em um convento na cidade espanhola de Toledo. A ação se concentra na experiência de encarceramento do personagem, submetido a condições precárias de higiene e alimentação, além de agressões físicas e psicológicas.

Durante o confinamento, João da Cruz enfrenta a solidão e o desejo de fugir, enquanto mantém suas convicções religiosas e seu propósito de participar da reforma da ordem carmelita.

A montagem explora a dimensão humana do personagem, suas contradições e os conflitos vividos durante a prisão. A poesia e os escritos do religioso, que integram a literatura clássica espanhola, servem de base para a dramaturgia.

Com duração de 30 minutos, João da Cruz tem dramaturgia, encenação e atuação de Helder Mariani, voz em off de Denise Weinberg, trilha sonora de Dagoberto Feliz e direção de arte de Pedro Faraldo.  Produção e realização da Cia. da Palavra.

Trilogia Noite Escura Alma
Gabriela Cerqueira vive Therezinha – crédito da foto: Tiago Bugalo

Theresinha: a história da jovem francesa conhecida como a santa das rosas

O terceiro monólogo, Theresinha, apresenta a trajetória de Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), religiosa francesa também conhecida como Thérèse de Lisieux.

A personagem é interpretada por Gabriela Cerqueira, em uma dramaturgia construída a partir dos escritos autobiográficos da santa, que morreu aos 24 anos e se tornou uma das figuras mais conhecidas da espiritualidade católica.

A encenação acompanha suas memórias em ordem cronológica, explorando experiências pessoais e questionamentos sobre a existência humana.  A montagem também aborda os conflitos entre fé e razão presentes nos escritos da religiosa, conhecida no Brasil como a santa das rosas.

Theresinha estreou em 2014, na Casa das Rosas, em São Paulo, onde realizou três temporadas. O espetáculo também passou pelo Colégio Santa Inês, pelo teatro do Mosteiro de São Bento, pelo Mosteiro da Luz e pelo Museu de Arte Sacra de São Paulo. A produção percorreu ainda outras cidades paulistas e realizou apresentações em Curitiba, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro.

Com duração de 30 minutos, o monólogo tem dramaturgia e encenação de Helder Mariani, orientação artística e preparação da atriz por Denise Weinberg, pesquisa de Thiago Brito e trilha sonora de Dagoberto Feliz.

A cenografia é de Flávio Tolezani, com adereços de Marcela Donatto, responsável também pelo figurino em parceria com Gabriela Cerqueira.

A produção e realização são da Cia. da Palavra, em parceria com a Pulo do Gato Produções Artísticas e Culturais.

Catedral da Sé, em 1954

Catedral da Sé: uma história que acompanha a transformação de São Paulo

A escolha da Catedral da Sé como cenário da trilogia acrescenta ao espetáculo a dimensão histórica de um dos principais patrimônios arquitetônicos e religiosos da capital paulista.

A palavra “Sé” vem do latim sedis episcopalis e significa sede episcopal. É a igreja onde se encontra a cátedra, cadeira destinada ao bispo e símbolo de sua função à frente de uma diocese. A presença da cátedra é justamente o que caracteriza uma igreja como Catedral.

Vitral na entrada da Catedral – Logotipo oficial da cidade

A Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção ocupa um espaço ligado à formação de São Paulo desde o período colonial.

A história do templo remonta a 1589, quando foi decidida a construção de uma igreja matriz na então Vila de São Paulo de Piratininga. A primeira edificação, construída em taipa de pilão, foi concluída em 1616, em um terreno próximo ao local ocupado pela Catedral atual.

Em 1745, com a criação da Diocese de São Paulo, a antiga matriz foi elevada à condição de catedral. Posteriormente, o edifício foi substituído por uma igreja de estilo barroco, concluída em 1764. O crescimento da cidade e as transformações urbanas do século XIX levaram à discussão sobre a construção de um novo templo.

Obras da Catedral da Sé

O projeto da Catedral atual ganhou impulso durante o período em que Dom Duarte Leopoldo e Silva esteve à frente da Igreja Católica em São Paulo. O arcebispo mobilizou recursos e participou das decisões que permitiram a construção do edifício projetado pelo arquiteto e engenheiro alemão Maximilian Emil Hehl e, posteriormente os arquitetos pauistanos Alexandre Albuquerque e Luis Inácio de Anhaia Melo, que deram continuidade à obra.

A Catedral foi inaugurada em 1954, durante as comemorações do quarto centenário da cidade. Suas torres e seus sinos foram concluídos posteriormente.

O edifício possui o estilo neogótico, com raiz no gótico francês. possui 111 metros de comprimento e 46 metros de largura, com duas torres de 92 metros de altura e uma cúpula que alcança 70 metros. Sua capacidade é de aproximadamente 8 mil pessoas.

Doutores da Igreja Católica

São João da Cruz e Santa Teresinha de Lisieux receberam o título de Doutores da Igreja Católica, reconhecimento concedido a santos cujos ensinamentos possuem importância para a doutrina e a tradição cristãs. Eles estão representados na catedral.

Atar-Mor

Altar-Mor

Construído em mármore amarelo de Siena e a cruz, em malaquita verde do Congo, encimado por um baldaquino em mármore Carrara, com a representação da Assunção de Nossa Senhora. 

Cripta

Cripta

Construída sob o altar-mor, a cripta conta com 32 câmaras mortuárias, dedicadas à memória de arcebispos e bispos ali sepultados desde 1748. Também se encontram sepultados na cripta o Cacique Tibiriça, Regente Feijó e o Padre Bartolomeu de Gusmão.

Em setembro de 2026, a Catedral completou 72 anos de dedicação.

Serviço:

Trilogia da Noite Escura da Alma na Catedral da Sé
  • Drama | Classificação indicativa: 14 anos
  • Apresentações: 6, 20 e 27 de outubro e 3 e 10 de novembro de 2026, sempre às          3ªs feiras, às 19h.
  • Local: Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção, Catedral da Sé, Praça da      Sé, Centro, São Paulo, CEP 01001-000.
  • Espaços de encenação: Salão Superior, Cripta, Coro e Altar-Mor.
  • Duração total: 140 minutos.
  • Capacidade: 100 espectadores por sessão.
  • Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada).
  • Bilheteria: abertura uma hora antes das sessões.
  • Venda antecipada: plataforma Sympla.
  • Acessibilidade: disponível somente no Coro e no Salão Superior. A Cripta não possui      acessibilidade.
  • Instagram do espetáculo: @trilogianoiteescuradaalma
  • Instagram da Catedral: @catedraldasesp

Ficha técnica

A dramaturgia e a direção da Trilogia da Noite Escura da Alma são de Helder Mariani, que também integra o elenco ao lado de Daniela Schitini e Gabriela Cerqueira. As atrizes Katia Naiane e Nicoli Rizzoli participam da encenação como condutoras do público pelos espaços da Catedral.

A coordenação de operação de luz e som é de Sylvie Laila, com design gráfico de Thierry Avelar e assessoria de imprensa de Eliane Verbena. A idealização e a produção são da Cia. da Palavra.

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