.
Há sobremesas que chegam à mesa acompanhadas de uma história. O pudim de leite condensado é uma delas. A superfície lisa, a calda de caramelo escorrendo lentamente e aquela primeira colherada são capazes de acionar lembranças que pouco têm a ver com técnicas de confeitaria.
Pode ser o pudim do almoço de domingo, de uma comemoração em família ou daquele restaurante ao qual se volta sabendo exatamente o que pedir na sobremesa. Cada pessoa parece guardar o seu pudim na memória. Com furinhos ou sem…
Foi justamente uma receita tão conhecida dos brasileiros que colocou seis cozinhas de resorts à prova durante a Equipotel 2026, realizada no Expo Center Norte, na Zona Norte de São Paulo.

Concurso Melhor Pudim de Resort do Brasil
A segunda edição do Concurso Melhor Pudim de Resort do Brasil encerrou, no dia 18 de setembro, a programação da Arena Conexões 2026, promovida pela Resorts Brasil em parceria com a Equipotel e a GKS Inteligência Territorial.
Mais do que escolher uma receita vencedora, o encontro abriu uma janela para um trabalho que o hóspede nem sempre vê: a rotina das equipes responsáveis pela gastronomia de grandes empreendimentos hoteleiros.
Ali, uma sobremesa aparentemente simples ganhou outra dimensão. Entraram em cena técnica, consistência, repertório e memória.
“A ideia nasceu como uma grande celebração da gastronomia dos nossos resorts e dos profissionais que estão por trás dela. Foi muito especial ver seis chefs, de diferentes regiões do Brasil abraçarem a proposta e toparem essa dinâmica com tanta dedicação, criatividade e carinho. Cada um trouxe sua própria interpretação, suas referências e um pouco da identidade de sua região”, afirma a diretora executiva da Resorts Brasil Juliana Salles

Seis resorts, seis maneiras de interpretar um clássico
Participaram da competição o Blue Tree Thermas de Lins, representado pelo chef e cake designer Edu Nolasco e pelo chef executivo Pablo Locks; o China Park Eco Resort, com Dona Graça e Lucélia Oliveira; o Novotel Itu Golf & Resort, com a chef Franciele Santos; e o Transamerica Comandatuba, com a chef Vera Lúcia.
Também estiveram na disputa o Grande Hotel Campos do Jordão, representado pelos chefs Marlon Zamarion e Fernando Dietrich, e o Grupo Tauá de Hotéis & Resorts, com o chef Wagner Nascimento e sua assistente Thallyta Maria da Silva.
Cada equipe levou para a Arena Conexões uma interpretação construída a partir de seu repertório e da experiência desenvolvida na cozinha do empreendimento que representava.

A escolha do pudim para essa disputa tem uma graça particular. Poucas sobremesas parecem tão simples quando chegam à mesa. Poucas permitem esconder erros com facilidade.
O ponto da calda, a proporção dos ingredientes, o tempo de forno e a textura aparecem na primeira colherada. Um pudim pode ter poucos elementos, mas cada um deles precisa estar no lugar certo.
Em uma cozinha profissional, há outra camada. A receita precisa funcionar de maneira consistente. O pudim servido hoje deve conservar as características daquele preparado amanhã. Essa regularidade faz parte de uma operação de Alimentos & Bebidas e ganha importância ainda maior em resorts, onde a gastronomia acompanha boa parte da experiência do hóspede.

Uma prova às cegas colocou os pudins em igualdade
Os seis pudins foram preparados em condições equivalentes, na cozinha do Senac Santo Amaro. Cada equipe produziu 5 pudins, levando em conta possíveis acidentes com transporte para o Expo Center Norte e, chegaram à banca identificados apenas por números. Os jurados não sabiam qual resort havia produzido cada receita.
A avaliação às cegas considerou calda, aroma, textura, sabor e apresentação. A dinâmica retirou da mesa um elemento capaz de interferir em qualquer julgamento: o nome do empreendimento. Restaram o prato, os sentidos e aquilo que cada pudim conseguia entregar.

Juri Técnico
O júri reuniu profissionais ligados à gastronomia, hospitalidade, turismo e comunicação: a chef, professora e pesquisadora Aline Guedes; Gil Gondim, do Instituto Marco Zero; Jorge da Hora, do Senac Santo Amaro; Eliane Kina, da Nestlé Professional; Leonardo de Oliveira, do Siga SP; Renato Hazan, do Guia GPHR e All4Wine; a jornalista Sandra Vaz, do DiárioZonaNorte; Ana Paula Arbache, da Arbache Consulting; e Carolina Negri, presidente executiva do SINDEPAT.

Antes da primeira colherada, uma conversa sobre memória
A degustação foi precedida pela apresentação “Sabores que Contam Histórias”, conduzida por Aline Guedes.
A chef, professora e pesquisadora levou para a Arena Conexões Resorts Brasil uma reflexão sobre cozinha afetiva, cultura alimentar e a capacidade de determinadas receitas despertarem lembranças. O assunto encontrou terreno fértil diante de seis pudins esperando para serem provados.
Comida afetiva não depende apenas de sofisticação ou raridade. Ela nasce também da repetição. Um aroma conhecido, uma textura ou um sabor podem permanecer associados a pessoas, lugares e momentos durante décadas. O pudim ocupa esse território com desenvoltura.
Na hotelaria, essa relação ganha um significado próprio. Uma viagem também é lembrada pelo que se come. O café da manhã, o jantar depois de um dia inteiro de atividades e a sobremesa escolhida quase por acaso podem acabar incorporados à memória daquela estadia.
A gastronomia passa a fazer parte da hospitalidade justamente porque o hóspede não leva a mesa para casa. Leva a lembrança.

Doçaria portuguesa ajudou a construir nossa relação com o pudim
A história do pudim é bem mais antiga que a lata de leite condensado Moça guardada na despensa brasileira.
A própria palavra “pudding” atravessou diferentes significados na culinária europeia. Preparações antigas eram bastante distintas da sobremesa doce e cremosa que hoje associamos ao nome. A tradição britânica, por exemplo, conserva até hoje receitas como o Yorkshire pudding, que pertence a outra família de preparações.
A confeitaria europeia desenvolveu, ao longo dos séculos, diferentes receitas baseadas em ovos, leite, açúcar e caramelo. O crème caramel francês é um dos parentes mais reconhecíveis do pudim que conhecemos.
Portugal teve influência importante na formação da doçaria brasileira, especialmente por meio de uma tradição marcada pelo uso de gemas e açúcar.
Entre suas receitas históricas está o Pudim Abade de Priscos, associado ao abade português Manuel Joaquim Machado Rebelo, conhecido por uma preparação à base de gemas, açúcar e toucinho. A receita pertence a uma linhagem muito diferente do pudim brasileiro atual, mas ajuda a mostrar como a palavra “pudim” abrigou preparações diversas antes de chegar ao doce popularizado por aqui.
No Brasil, a combinação de leite, ovos e açúcar ganhou novas formas até encontrar no leite condensado um ingrediente capaz de mudar definitivamente a receita doméstica.

Leite condensado ajudou a criar o pudim que o brasileiro reconhece
A versão que se instalou nas mesas brasileiras é direta: leite condensado, leite, ovos e caramelo. A lista curta de ingredientes talvez explique parte de sua permanência. A outra parte está no ritual.
Fazer a calda, caramelizar a forma, preparar a mistura, esperar o forno e enfrentar o momento sempre tenso de desenformar fazem parte da receita tanto quanto seus ingredientes.

Cada casa desenvolveu suas pequenas convicções. Há quem procure um pudim completamente liso e quem reconheça como familiar aquele marcado por pequenos furinhos. A calda pode ser mais clara ou chegar a um caramelo intenso. A textura também muda conforme a receita e a mão de quem prepara.
Essas diferenças ajudam a explicar por que o pudim consegue ser reconhecido imediatamente e, ao mesmo tempo, carregar uma identidade particular. Essa relação entre técnica e memória foi levada para a Equipotel.

Durante a apuração dos votos, Eliane Kina, da Nestlé Professional, abordou justamente o cuidado envolvido na passagem de receitas ligadas à memória afetiva para cozinhas que trabalham com técnica, consistência e padronização.
É um desafio conhecido na gastronomia profissional: preservar aquilo que faz uma receita parecer familiar e, ao mesmo tempo, garantir que ela possa ser reproduzida dentro da rotina de uma grande operação.

O melhor pudim de resort do Brasil veio de Itu
Os números finalmente ganharam nomes.
O primeiro lugar do Concurso Melhor Pudim de Resort do Brasil 2026 ficou com o Novotel Itu Golf & Resort, representado pela chef Franciele Santos. Para a chef, o resultado ultrapassa o trabalho individual e reconhece a equipe envolvida na operação gastronômica do resort.
“Existe muita técnica por trás de uma receita como o pudim, mas também há memória, cuidado e identidade. É uma sobremesa que faz parte da história de muitas famílias e poder levá-la para a experiência dos nossos hóspedes, com o olhar da nossa cozinha, torna esse reconhecimento ainda mais importante para nós”, afirmou Franciele Santos.
O segundo lugar ficou com o Grupo Tauá de Hotéis & Resorts, representado pelo chef Wagner Nascimento e por sua assistente, Thallyta Maria da Silva.
Nascimento chama atenção para uma característica que ficou evidente durante o concurso: a simplicidade aparente da sobremesa exige precisão.
“O pudim é uma receita que parece simples, mas exige precisão em cada etapa. Estar entre os dois primeiros colocados em uma avaliação às cegas reconhece o trabalho de toda a equipe e o cuidado que temos com a gastronomia dentro da experiência do hóspede”, afirmou o chef do Grupo Tauá de Hotéis & Resorts.
Gastronomia também constrói a experiência de um resort
Para Juliana Salles, diretora executiva da Resorts Brasil, a proposta do concurso nasceu da intenção de aproximar profissionais e ampliar o espaço da gastronomia dentro da experiência oferecida pelos empreendimentos.
“Claro que temos um vencedor, mas o mais bonito foi justamente reunir tantos talentos e mostrar, de uma forma leve e afetiva, como a gastronomia também conta histórias e faz parte da experiência que os resorts proporcionam aos hóspedes”, afirma Salles.
A participação de chefs de diferentes regiões também permitiu que cada equipe apresentasse referências próprias e um pouco da identidade da cozinha desenvolvida em seu resort.
O concurso ajuda a dar rosto a uma operação que começa muito antes de o prato chegar à mesa.
Em um resort, cozinhas trabalham diariamente para atender hóspedes com diferentes hábitos e expectativas. Há planejamento, compras, produção, serviço e equipes responsáveis por manter uma experiência gastronômica coerente ao longo da estadia. Uma sobremesa servida ao final da refeição é apenas a parte visível desse processo.
Colocar os profissionais no centro da Arena Conexões Resorts Brasil foi também uma maneira de mostrar quem está por trás dessa engrenagem.
A segunda edição do Concurso Melhor Pudim de Resort do Brasil integra uma iniciativa da Resorts Brasil voltada à aproximação dos profissionais de Alimentos & Bebidas dos empreendimentos associados e à troca de experiências entre as equipes.
A ação teve apoio da Equipotel, Nestlé Professional e Senac São Paulo.
<com apoio de informações: Anagrama Comunicações e Eventos – jornalista Reila Criscia e atendimento Bete Almeida>
Pudim hospitalidade Resorts Equipotel Pudim hospitalidade Resorts Equipotel Pudim hospitalidade Resorts Equipotel Pudim hospitalidade Resorts Equipotel Pudim hospitalidade Resorts Equipotel












































