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O espetáculo ALGORIKI – e se você saísse?, do Coletivo Quizumba, referência na pesquisa do teatro para infâncias e juventudes a partir de perspectivas afrocentradas e decoloniais, continua temporada de estreia no Teatro Alfredo Mesquita (Av. Santos Dumont, 1770, Santana).
As apresentações acontecem entre 15 e 30 de agosto (aos sábados e domingos), com sessões gratuitas e distribuição de ingressos uma hora antes do início da peça.
Com direção de Thais Dias e dramaturgia de Tadeu Renato, ALGORIKI – e se você saísse? reúne em cena Camila Andrade (Ayrá), Jefferson Matias (Ayó), Kleiton Breda (Obá) e Bel Borges (Kosi). A montagem acompanha quatro crianças que vivem no mesmo prédio, mas só se conhecem quando um apagão interrompe toda a conexão com a internet e as obriga a deixar, pela primeira vez, a segurança de seus apartamentos.
Guiados por Kosi, uma criança misteriosa que conhece caminhos invisíveis, Ayó, Ayrá e Obá iniciam uma travessia por um edifício que parece mudar de forma a cada andar. Corredores, escadas, memórias e desafios conduzem o grupo até uma descoberta surpreendente: o maior mistério não é o fim do wi-fi, mas o desaparecimento da própria rua.
Ao longo desse percurso, jogos eletrônicos, algoritmos, redes sociais, histórias ancestrais e encontros presenciais coexistem em uma narrativa fantástica que convida o público a refletir sobre as formas contemporâneas de comunicação, sem estigmatizar a tecnologia.
Em vez de opor mundo virtual e mundo real, a peça pergunta o que se perde quando o brincar, a experiência compartilhada, o corpo e o encontro deixam de ocupar espaço na vida cotidiana.
Dramaturgia
A dramaturgia nasceu de uma pesquisa iniciada há anos pelo coletivo sobre o itan iorubá “O Chapéu de Duas Cores“, história tradicional que questiona verdades absolutas e diferentes pontos de vista.
Ao longo do processo de criação, porém, a investigação ganhou novos contornos e passou a dialogar com a maneira como os algoritmos, as telas e redes sociais influenciam a construção da identidade, dos afetos e da percepção do mundo entre crianças e adolescentes.
O próprio título da peça sintetiza esse encontro entre ancestralidade e contemporaneidade: “ALGORIKI ” reúne as palavras “algoritmo” e “oriki”, forma poética da tradição iorubá utilizada para celebrar identidades e trajetórias.
A pesquisa sobre as culturas africanas atravessa toda a encenação, mas sem representar literalmente os orixás em cena. Seus arquétipos servem de base para a construção dramatúrgica dos personagens, das relações, da musicalidade e da linguagem corporal, articulando uma investigação estética desenvolvida pelo Quizumba desde sua fundação, há 18 anos.
Essa pesquisa também se manifesta na cena por meio da capoeira angola, da música executada ao vivo e de canções autorais. Com direção musical de Bel Borges, a trilha contrapõe sons eletrônicos, como notificações, efeitos digitais e paisagens sonoras inspiradas no universo gamer, a instrumentos acústicos e orgânicos, reforçando o diálogo entre tecnologia e presença que conduz toda a narrativa.
Pensado para crianças a partir de oito anos, mas aberto a públicos de todas as idades, “ALGORIKI – e se você saísse?” propõe uma experiência em que fantasia, humor, música e aventura conduzem uma pergunta simples e profundamente atual: em um mundo cada vez mais conectado, ainda sabemos encontrar uns aos outros?
Sinopse
Quando a luz acaba, Ayó, Ayrá e Obá atravessam um prédio-labirinto em busca de uma saída, mas descobrem que o mistério é ainda maior: a rua desapareceu.
Guiados por Kosi, uma criança que costura caminhos, eles encontram personagens, memórias e desafios no limite entre o real e o imaginário.
Jogos, redes, algoritmos e histórias antigas fazem parte desse caminho, enquanto cada um precisa descobrir novos modos de olhar para o mundo e para si mesmo além das telas.
FICHA TÉCNICA
- Encenação: Thaís Dias
- Texto: Tadeu Renato
- Direção Musical e orientação em voz e canto: Bel Borges
- Elenco: Camila Andrade (Ayrá), Jefferson Matias (Ayó), Kleyton Breda (Obá) e Bel Borges (Kosi)
- Produção: Plataforma – Estúdio de Produção Cultural
- Direção de Produção Fernando Gimenes
- Produção Executiva: Bruno Ribeiro
- Composições Originais: Jonathan Silva
- Operação de som: Pedro Augusto e Tamires Pistoresi Arantes
- Iluminação: Carol Gracindo
- Operação de Luz: Carol Gracindo e Rebeka Teixeira
- Cenografia: Eliseu Weide
- Figurino e Visagismo: AGO – Ateliê Gil Oliveira
- Assistência de Figurino e costureira: Alma Luz Adélia
- Criação de Mídias Cênicas e Projeções: Achiles Luciano
- Operação de Projeções: Achiles Luciano e A1219
- Acessibilidade em Libras: Amanda Marcondes e Romas Acessibilidade.
- Provocadora da pesquisa: Daniela Beny
- Orientação de pesquisa da relação das infâncias com a internet: Alícia Peres
- Treinamento de Capoeira Angola: Mestre Pedro Peu
- Danças brasileiras e coreografias: Silvana de Jesus
- Orientador em dança dos orisas(orixás): Cauã Oliveira
- Convidados Mesas de Debate: Alícia Peres, Magno Rodrigues e Daniela Beny
- Designer Gráfico: Murilo Thaveira
- Redes Sociais: Mayhara Ribeiro
- Registros audiovisuais: Alícia Peres, Ana Flora, Julia Rufino e Luiza Akimoto
- Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação – Márcia Marques, Daniele Valério e Carina Bordalo
- Realização: Coletivo Quizumba, Cooperativa Paulista de Teatro e Prêmio Zé Renato de Teatro para a cidade de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa
- Apoio: Complexo Cultural Funarte – Funarte Aberta SP, iBT – Instituto Brasileiro de Teatro e Teatro Escola Macunaíma
SERVIÇO
ALGORIKI – e se você saísse?
- De 15 a 30 de agosto, sábado e domingo, às 16h
- Local: Teatro Alfredo Mesquita – Av. Santos Dumont, 1770 – Santana
- Gratuito – Retirada de ingressos 1 hora antes
- Recomendação: 8 anos | Duração: 60 min
- Acessibilidade em Libras: nas sessões de 22, 23, 29 e 30 de agosto.
<com apoio de informações: Canal Aberto Comunicação>
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