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Por Caio Portugal
O primeiro semestre de 2026 confirmou algo que o setor de loteamentos já vinha demonstrando nos últimos anos: mesmo sob um cenário de juros elevados, a demanda por lotes urbanizados permanece estruturalmente forte no Brasil. A Selic, que chegou a 15% ao ano e recuou para 14,25%, ainda não é suficiente para destravar plenamente o crédito e os investimentos de maior porte no setor.
Esse cenário vem desde o ano passado. O movimento mostra que o comprador final continua enxergando o lote como alternativa segura de moradia e investimento, ainda que o custo do financiamento e da produção tenha encarecido.
Se no ano passado, São Paulo, maior mercado do país, teve alta de 15% em relação ao ano anterior, com crescimento de 20% nas vendas, Cuiabá movimentou R$ 5,7 bilhões em 2025, com alta de 17,99% no faturamento, e Goiânia registrou R$ 4,1 bilhões apenas no primeiro semestre; os números do primeiro trimestre de 2026 mostraram retração nos lançamentos, mas alta nas vendas.
Levantamento da Brain Inteligência Estratégica para AELO e Secovi-SP mostra que os lançamentos de lotes registraram queda de 23% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as vendas recuaram 16%. Apesar da desaceleração, os estoques continuam em trajetória de redução, sinalizando a permanência da demanda pelo lote urbanizado como alternativa de moradia e investimento.
Esses dados reforçam um ponto central: investir em lote é um bom negócio. O desembolso inicial menor em relação a um imóvel pronto, combinado à valorização consistente da terra urbanizada nos últimos anos, faz do loteamento um ativo atrativo tanto para quem busca moradia quanto para quem pensa em construir patrimônio de médio e longo prazo. Ainda assim, sabemos que esse potencial só se realiza plenamente quando o comprador investe em um produto regular, com aprovação municipal, ambiental e registro em cartório — o que nos leva ao papel que a AELO tem desempenhado há 45 anos.
Olhando para o segundo semestre, a expectativa da AELO é de continuidade no crescimento das vendas e manutenção da valorização dos preços, acompanhando a maior qualificação dos projetos e a queda gradual da Selic. Historicamente, é também no segundo semestre que se concentram mais aprovações e lançamentos, o que deve ampliar a oferta justamente no momento em que o crédito tende a ficar mais barato. Quando a taxa básica de juros se mantém elevada por muito tempo, os setores produtivos — e o de loteamentos não é exceção — ficam aquém de sua capacidade de gerar emprego, renda e novos empreendimentos. Não há alternativa: responsabilidade fiscal e queda sustentada da Selic são condições necessárias para que o setor amplie a oferta de lotes em todas as faixas de renda.
O que os números do primeiro semestre deixam claro é que o setor de loteamentos atravessa um momento de maturidade. Mesmo com juros ainda altos, a demanda por lotes urbanizados se mantém aquecida, os estoques estão em níveis saudáveis e a valorização segue consistente em praças espalhadas por todo o país. Cabe à AELO, com seus mais de mil associados, continuar trabalhando para que esse crescimento aconteça dentro da legalidade — protegendo o comprador, fortalecendo as empresas sérias e ajudando a construir cidades mais ordenadas e sustentáveis em todo o Brasil.
Por Caio Portugal, presidente da AELO – Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano.
<com apoio de informações: Vera Moreira Comunicação – jornalista Vera Moreira>















































