Início Cultura Por quê ficar olhando para o alto?…

Por quê ficar olhando para o alto?…

Crédito da foto: Instagram Padre Júlio Lancellotti
Tempo de Leitura: 3 minutos

alto

<< N.R.: Na foto acima, em 24 de maio de 2022, na ordem: o rapper Emicida, o jornalista Chico Pinheiro e o  sheik Rodrigo Jaloul, manifestaram apoio ao Padre Júlio Lancellotti em uma campanha contra a “aporofobia”. A reflexão de Toninho Macedo é sobre o ódio e a repulsa que algumas pessoas, infelizmente, tem contra as pessoas pobres que se encontram em situação de vulnerabilidade social >>.

por Toninho Macedo (*)

“Olhar para o alto.
tão alto que se tenha
um torcicolo eterno
e nunca mais se possa
olhar direto para o próximo.” – “Religião”- Ulisses Tavares é poeta, professor, publicitário, jornalista, dramaturgo, compositor, roteirista e ator.

<< 3ª Reflexão/Conexão – Artigo>> == Estamos em um mundo de falácias (1*): “Deus acima de todos”! “Brasil/Família acima de tudo”!

São muitas as tradições filosóficas/religiosas, que, mesmo com algumas contradições entre a “doutrina” e a prática, escudam-se em valores universais de respeito às diferenças, possibilitando uma convivência saudável, assentada na solicitude e na civilidade, do Budismo, ao Hinduismo, ao Islamismo, ao Cristianismo…

Friso: mesmo com algumas contradições entre a “doutrina” e a prática.

Lembremos aqui, à guisa de ilustração, a resposta de Jesus àquele mestre da Lei que o provocava sobre a importância dos Mandamentos, o mandamento mais importante, “ Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças”, e “Ame o seu próximo, com todo o coração, todo entendimento e todas as forças, como a si mesmo”.

E concluiu: “Não existe mandamento maior do que estes”. É a lei do amor, do respeito. Independentemente de contextos religiosos, de estar a olhar para o alto, tão alto que…
E que nos socorra a poesia:

Meus amigos quando me dão a mão
sempre deixam outra coisa:
Presença, olhar, lembrança, calor…
Meus amigos quando me dão,
deixam na minha a sua mão.”  — – Paulo Leminsky

Isto só é possível pelo exercício diuturno do respeito, valor fundamental para a vida em sociedade, e frequentemente desrespeitado. Respeito às diferenças, ao não familiar, ao estranho… ao espaço do outro, aos animais e também ao meio ambiente e ao planeta.

Respeito pelas diferentes culturas, pelos diversos estilos de vida e formas inovadoras de ver o mundo… postura indispensável para o bem-estar, a convivência e a paz entre todos.
E mais uma vez o “socorro” prestado pela poesia:

“Em cada eu, uma história,
Em cada encontro, uma união.
No outro, eu me descubro.
E por ele, ao mundo!
Olhe de novo: não existem brancos.
Não existem amarelos.
Não existem negros.
Somos todos arco-íris!” — Ulisses Tavares: poeta, professor, publicitário, jornalista, dramaturgo, compositor, roteirista e ator.

E não nos esqueçamos de que a vida na terra é maravilhosa, principalmente porque ela é tão diversa e tão cheia de diferenças, que cada segundo é uma surpresa.

(1*) – Na filosofia, no aristotelismo, qualquer enunciado ou raciocínio falso que entretanto simula a veracidade; sofisma.


(*) Toninho Macedo — Por trás do conhecido Toninho Macedo, há o cidadão Antonio Teixeira de Macedo Neto, que conduziu grandes festivais de cultura e de folclore culminando no maior Festival de Cultura Paulista Tradicional, o “Revelando São Paulo“ – criado em 1996 –, por seis edições memoráveis na Zona Norte (Vila Guilherme, em 2010 a 2014 e 2017/2018), além do interior e litoral. Nele há também muita experiência e inteligência, que vem da graduação em Licenciatura Plenas em Letras Neo-Latinas(1972) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo-USP (2004). Atualmente é diretor cultural e artístico da Abaçai Cultura e Arte, além de geriro Museu da Inclusão e a Fazenda São Bernardo, fundada em 1881 em Rafard (interior de São Paulo), onde Tarsila do Amaral nasceu e passou a infância — saiba mais clicando aqui


Nota da Redação: O artigo acima é totalmente da responsabilidade do autor, com suas críticas e opiniões, que podem não ser da concordância do jornal e de seus diretores.


 

d