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- Operação apura fraude na liberação de créditos tributários e menciona empresas como Carrefour, Kalunga, Casas Bahia e Caoa;
- MP não detalha se o Atacadão também é alvo
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) por meio do Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (GEDEC), deflagrou, na manhã desta 5ª feira (26/03/2026), a Operação Fisco Paralelo, que investiga um esquema estruturado de corrupção na liberação de créditos tributários de ICMS no estado.
A apuração cita empresas conhecidas do público, como Carrefour, Kalunga, CAOA, Center Castilho e Casas Bahia, em um caso que também envolve auditores da Secretaria da Fazenda de São Paulo.
Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. As diligências miram endereços ligados a servidores da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, incluindo delegacias tributárias estratégicas e a Diretoria de Fiscalização.
Carrefour no centro das atenções da investigação
Entre os pontos que mais chamam atenção está a citação direta ao Carrefour. Segundo o MP-SP a executiva Luciene Petroni Castro Neves, responsável pela área tributária da companhia, teria mantido contato frequente com um auditor fiscal investigado entre 2021 e 2025.
Mensagens interceptadas indicam que o auditor prestava orientação direta à executiva sobre procedimentos fiscais, incluindo organização de documentos e aceleração de pedidos de ressarcimento de ICMS-ST. Para a promotoria, a atuação configuraria uma “assessoria tributária criminosa”, com possível concessão de créditos em desacordo com a legislação.
Os investigadores apontam que esse relacionamento teria resultado em tratamento privilegiado à empresa dentro da estrutura pública. A participação da executiva é apurada no contexto de possível pagamento de vantagens indevidas e lavagem de ativos.
Até a publicação desta reportagem, o Carrefour não havia se manifestado. O espaço segue aberto.
Atacadão não é citado nominalmente
Embora o Carrefour seja mencionado na investigação, o Ministério Público não detalha se o Atacadão, que integra o mesmo grupo econômico, também está incluído no escopo da apuração.
Empresas conhecidas aparecem na investigação
Além do Carrefour, o Ministério Público cita empresas como Kalunga, Casas Bahia, Caoa e Center Castilho como possíveis beneficiárias de procedimentos fiscais sob análise.
Até o momento, não há confirmação de responsabilização formal dessas companhias.
Esquema pode ter movimentado mais de R$ 1 bilhão
As investigações apontam que o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto atuava como operador central do esquema, utilizando uma empresa de fachada para viabilizar pagamentos ilícitos que podem superar R$ 1 bilhão.
O modelo envolveria a manipulação de processos de ressarcimento de ICMS-ST e créditos acumulados, com a participação de intermediários e profissionais que elaboravam documentos e facilitavam a tramitação interna dos pedidos.
Criptografia, dinheiro em espécie e ativos digitais
Segundo o MP-SP, o grupo utilizava aplicativos com criptografia para dificultar o rastreamento das comunicações. Há também indícios de uso de criptoativos e movimentações internacionais como forma de ocultação patrimonial.
Durante a operação, foram apreendidos valores em espécie e equipamentos eletrônicos. Em Campinas, foram localizados cerca de R$ 21,9 mil, além de moeda estrangeira. Já em São José dos Campos, foram recolhidos dispositivos digitais e documentos.
Desdobramento amplia alcance da Operação Ícaro
A Operação Fisco Paralelo é um desdobramento da Operação Ícaro, deflagrada em 2025, que já havia revelado um esquema de corrupção envolvendo a Ultrafarma e a Fast-Shop e a liberação irregular de créditos tributários.
Na nova fase, o Ministério Público aponta que a estrutura investigada pode ser mais ampla e ramificada, com atuação em diferentes unidades da administração tributária estadual.
Fazenda diz colaborar com investigações
Em nota, a Secretaria da Fazenda informou que atua em conjunto com o Ministério Público e que mantém procedimentos administrativos em andamento para apurar eventuais irregularidades. Segundo o órgão, as investigações podem resultar em sanções e até demissão de servidores.
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