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A Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo está prestes a receber os primeiros passageiros. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou durante entrevista ao programa Pânico da Jovem Pan que o primeiro trecho do novo ramal será inaugurado até o fim de junho, marcando a entrega parcial de uma das obras de mobilidade urbana mais aguardadas da capital.
Nesta primeira etapa, serão abertas seis estações: João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompéia e Perdizes.
A expectativa do Governo do Estado é ampliar gradualmente a operação ao longo dos próximos meses. Segundo informações divulgadas pelo governador, até o final deste ano a linha deverá operar entre Brasilândia e Perdizes. A conclusão integral do trajeto até São Joaquim está prevista para 2027.
Linha 6-Laranja promete reduzir viagens de 1h30 para apenas 23 minutos
Com 15,3 quilômetros de extensão, a Linha 6-Laranja foi projetada para transformar a mobilidade entre a zona noroeste e a região central da cidade.
Quando estiver totalmente concluída, a viagem que atualmente pode levar cerca de uma hora e meia em ônibus deverá ser realizada em aproximadamente 23 minutos (Gerluce de Três Graças não chegaria mais atrasada na casa da Dona Cobra). A estimativa é de que o ramal transporte cerca de 633 mil passageiros por dia.
A linha também ampliará a integração com a rede de transporte metropolitano. Na estação São Joaquim haverá conexão com a Linha 1-Azul do Metrô. Já a estação Água Branca permitirá integração com as linhas 7-Rubi e 8-Diamante da CPTM.
Estação da Zona Noroeste será a mais profunda da cidade
Entre as características que chamam atenção no projeto está a estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado, localizada na avenida Ministro Petrônio Portela, na Zona Noroeste.
Com 66 metros de profundidade, ela será a estação mais profunda da rede metroviária paulistana, superando a estação Santa Cruz, da Linha 5-Lilás.
A Linha 6-Laranja também entra na reta final de implantação com os novos trens já em fase de testes operacionais.
Cada composição contará com seis carros e capacidade para transportar até 2.044 passageiros. Os veículos foram desenvolvidos para operar de forma totalmente automática, sem condutor a bordo, alcançando velocidades de até 90 quilômetros por hora.
O intervalo entre os trens deverá variar entre 75 e 90 segundos, aumentando a capacidade de atendimento nos horários de maior movimento.
Por que a Linha 6-Laranja ficou conhecida como Linha das Universidades?
Ao longo de seu trajeto, o novo ramal passa próximo de importantes instituições de ensino superior da capital paulista.
Por essa característica, a Linha 6-Laranja ganhou o apelido de Linha das Universidades, atendendo estudantes, professores e funcionários de instituições como a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a Fundação Armando Alvares Penteado, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Universidade Paulista, o Centro Universitário FMU, a Universidade Nove de Julho e o Centro Universitário São Camilo.
Projeto atravessou quase duas décadas de atrasos e mudanças
A história da Linha 6-Laranja começou oficialmente em dezembro de 2008, quando o projeto foi anunciado com previsão de investimento em torno de R$ 2 bilhões e início das obras até 2010.
A licitação para construção e operação do ramal só foi concluída em novembro de 2013. O projeto tornou-se a primeira parceria público-privada (PPP) integral do sistema metroviário paulista.
Na época da assinatura do contrato, em dezembro de 2013, o valor já havia saltado para R$ 9,6 bilhões, considerando obras, sistemas, material rodante e os 25 anos previstos de operação.
Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o montante era compatível com o escopo definido para a implantação da linha, incluindo infraestrutura, sistemas operacionais, trens e operação futura.
A previsão inicial apontava para a entrega do trecho entre Brasilândia e Água Branca em 2018 e conclusão total em 2020.
Lava Jato interrompeu obras e provocou paralisação do projeto
As obras começaram efetivamente em 2015, mas sofreram forte impacto após o avanço da Operação Lava Jato.
As empresas Odebrechet, UTC e Queiroz Galvão, que integravam o consórcio Move São Paulo responsável pela prova, tornaram-se alvo das investigações e enfrentaram dificuldades para obter financiamento de longo prazo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Sem recursos suficientes para manter o cronograma, os trabalhos foram interrompidos em setembro de 2016.
No ano seguinte, o consórcio iniciou negociações para vender a concessão. Em 2018, o Governo do Estado chegou a anunciar a rescisão contratual. Antes da conclusão do processo, a empresa espanhola Acciona assumiu o projeto ao adquirir a operação em novembro de 2019.
Em julho de 2020, a companhia assinou contrato de aproximadamente R$ 15 bilhões para concluir a construção da linha. O prazo contratual estabelecido para finalização das obras foi outubro de 2025.
Agora, após anos de atrasos, paralisações e mudanças de gestão, a Linha 6-Laranja inicia sua operação parcial e se aproxima da entrega completa, prometendo mudar a rotina de milhares de moradores da Zona Noroeste e de outras regiões da capital paulista.
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