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Principal estação meteorológica do Inmet na capital poderá receber proteção definitiva após conclusão dos estudos técnicos; decisão também prevê análise sobre preservação do entorno
O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) aprovou a abertura do processo de tombamento do Mirante de Santana e da Praça Vaz Guaçu, na Zona Norte da capital.
A medida reconhece a importância histórica, científica e paisagística do local e marca uma nova etapa na preservação de um dos pontos mais importantes para o monitoramento do clima na cidade.
A decisão foi tomada por unanimidade durante reunião do Conselho, ocorrida em 22 de outubro de 2025, e resultou na Resolução nº 14/CONPRESP/2025. Embora ainda não represente o tombamento definitivo, a abertura do processo garante proteção ao imóvel enquanto são realizados os estudos técnicos que irão subsidiar a decisão final.
Instalada na Rua Pero Leme, no Jardim São Paulo, a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é a principal referência para a coleta de dados climáticos na cidade de São Paulo e integra uma série histórica utilizada por pesquisadores, órgãos públicos e serviços de previsão do tempo em todo o país.

O que foi aprovado pelo Conpresp
O pedido analisado pelo Conselho teve origem em um processo iniciado em 2021 e contou com manifestações de moradores, especialistas, técnicos do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) e representantes do Instituto Nacional de Meteorologia.
Durante a análise, foram apresentadas propostas para ampliar a proteção de diversos imóveis e da paisagem urbana do entorno do Mirante. Após os estudos técnicos, o Conpresp decidiu abrir o processo de tombamento para o lote onde estão localizados o Mirante de Santana e a Praça Vaz Guaçu.
Ao mesmo tempo, o Conselho determinou que sejam realizados estudos para avaliar a criação de uma área envoltória, que poderá estabelecer diretrizes específicas para preservar a paisagem e as características urbanísticas da região.
Também deverão participar dessa etapa a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) e a SP Urbanismo, que irão analisar os impactos de uma eventual área de proteção sobre o Plano Diretor Estratégico e a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo.

Patrimônio científico e histórico
O edifício do Mirante de Santana foi construído em 1929 e passou a registrar oficialmente dados meteorológicos em 1945. Desde então, tornou-se a principal estação do Inmet na capital paulista.
Além de produzir informações utilizadas diariamente nas previsões do tempo, o local mantém uma das mais importantes séries históricas de observações meteorológicas do município, fundamentais para estudos sobre mudanças climáticas, temperatura, precipitação, umidade do ar e eventos extremos.
Durante a tramitação do processo, o Inmet apresentou nota técnica defendendo a preservação da área no entorno da estação. Segundo o documento, obstáculos que interfiram na circulação dos ventos ou na incidência de radiação solar podem comprometer a qualidade das medições realizadas no local.

Mobilização começou há quatro anos
A abertura do processo de tombamento é resultado de uma mobilização iniciada por moradores em 2021, resultando na criação do Coletivo Salve o Mirante de Santana e Jardim São Paulo
O movimento ganhou força durante as discussões sobre a revisão do Plano Diretor Estratégico e da Lei de Zoneamento, quando moradores passaram a defender a manutenção das regras de proteção estabelecidas pela Lei Municipal nº 7.662, de 18 de outubro de 1971.
Criada há mais de cinco décadas, a legislação limita a altura das construções em um perímetro definido no entorno do Mirante de Santana. O objetivo é preservar as condições necessárias para o funcionamento da estação meteorológica.
Ao longo desse período, abaixo-assinados reuniram milhares de assinaturas em apoio à preservação do local, além da participação de moradores em audiências públicas promovidas pela Câmara Municipal e pela Prefeitura de São Paulo.
Verticalização motivou o debate
O crescimento imobiliário da região foi um dos principais temas discutidos durante o processo.
Moradores e técnicos argumentaram que edifícios cada vez mais altos podem alterar a circulação dos ventos, o balanço de energia e outras condições ambientais que influenciam diretamente as medições meteorológicas realizadas pelo Inmet.
Também foram apresentadas preocupações relacionadas à preservação da paisagem urbana, das áreas verdes e das características históricas dos bairros Jardim São Paulo e Vila Siciliano.
Por outro lado, durante a análise do processo, o próprio Conpresp concluiu que nem todos os imóveis indicados pelos interessados possuíam características individuais que justificassem um processo de tombamento específico.
Por esse motivo, optou por restringir a abertura do processo ao Mirante de Santana, deixando a avaliação da área envoltória para uma etapa posterior.

O que acontece agora
Com a abertura do processo de tombamento, o Mirante de Santana passa a contar com proteção provisória prevista na legislação de preservação do patrimônio cultural.
Nos próximos meses, o Departamento do Patrimônio Histórico dará continuidade aos estudos técnicos que irão subsidiar a decisão do Conpresp sobre o tombamento definitivo.
Esses levantamentos também deverão definir se haverá a criação de uma área envoltória de proteção e quais serão seus limites, conciliando a preservação do patrimônio histórico e científico com o planejamento urbano da região.
Como referência, sobre o tempo de duração do processo: O tombamento Parque do Trote, aprovado pela RESOLUÇÃO Nº 15/CONPRESP/2013, durou treze anos.
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