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Ainda há esperanças em um novo amanhecer e na volta dos valores humanos

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Tempo de Leitura: 3 minutos

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por Toninho Macedo (*) – Reflexões – 17

Bom dia, que está querendo amanhecer (4 hs).  Neste momento, nas ruas e por tudo, continuam as ameaças, maus tratos e distratos. E aqui seguimos nós em busca do apaziguamento. Empenhados no avivamento de uma convivência respeitosa.

Confiteor (*)

Ainda que ferido e seguindo inquiridor.

Ainda que me pareça que as forças e obstinação pela empreitada, se encontrem combalidas.

Ainda quando o sentido da obra se oculte em brumas, e os poderes da mente e do coração se me pareçam exauridos.

Mesmo que neste momento o cansaço e o desânimo me escorem na beira do caminho, e que o horizonte tenha se diluído no ofuscamento da visão.

Ainda que a visão esteja em desfoque, e que o detalhe ganhe a proporção do todo.

Que a vontade sinalize o abandono da estrada e o enveredamento por um cipoal ou o descanso numa campina.

Que o comodismo, o instinto de sobrevivência, o egoísmo, o eu sombrio me empurrem para a segurança dos limites, uma voz insiste em me dizer que é preciso confiar.

Mesmo assim ratifico:

Confio no HOMEM, no gênero humano. Na pessoa nascitura ou então já urdida.

Confio na VIDA. Na vida acima de tudo. No dever de não tanger um dedo se não for para avivá-la, para dar mais vida.

Confio na VOZ INTERIOR. Na minha e na de cada pessoa, ainda que não auditas. No seu poder inquebrantável. Na sua pertinácia. Na sua condição de atalaia. Mais que atalaia, estrela norteadora.

Confio na VONTADE, persistência que, mesmo quando traída, revela sempre o que há de mais autêntico, menos contaminado em cada pessoa. Força imanente, latente, capaz de, mais cedo ou mais tarde, revelar-se da forma a mais inesperada.

Confio na VERDADE. Não na verdade como valor absoluto que paira acima de tudo, de todos.

Por vezes falácia, mas na verdade que se constrói, frequentemente com suor e lágrimas, na verdade de cada um. Que mesmo quando traída, se recolhe, mas não se cala. Não se trai e não se vende: dormita, incômoda, nos âmagos, nos recônditos e não perde momento de tentar, com sua luz, reencetar o marcante rumo do porto pretendido.

Confio nela, ainda que sofrente, ainda que tendo que, frequentemente, silenciar-me ante a contradição dos atos e das palavras.

Confio no TOQUE, ah! Como nele confio!

No toque que não mente nunca, ainda quando se recolhe, se encolhe. No encontro de dois mundos, dois universos, ainda que inversos. No toque salvador, multiplicador. Redentor.

Confio na ESPERA, não como condição para o alcance, mas como atitude. Como respeito ao tempo de germinação da vida, ao tempo de crescimento, ao tempo de maturação. Como período de embalo/acalanto, de contemplação, de construção. Tempo de construção, ou mesmo de reconstrução. Tempo de revolvimento.

Confio na PACIÊNCIA, exercício diuturno e desafiador. Paciência, espaço da espera, condição inevitável para o diálogo, para as descobertas, para a multiplicação, para a revisão, para a síntese. Como sinônimo de respeito e de olhar fixo no horizonte. Respiro. Peito aberto. Acolhimento.

Confio no ACONCHEGO, oportunidade de paz, de plenificação. Materialização do amor.

Preenchimento de vazios, de lacunas, encurtamento de distâncias…fusão. Fusão sem perda das individualidades e sem exacerbação das mesmas. Enlace. Tempo que não se mede, minutos que se dilatam e ao mesmo tempo se tornam fugazes.

Ah! Sou mesmo incorrigível!

Pois ainda confio na REGENERAÇÂO do gênero humano. No poder regenerador da palavra. Na intersubjetividade tanto quanto no poder ambíguo, dual do “eu secreto”.

Confio no DESPERTAR do homem. No despertar de um salto, como no despertar preguiçoso, mas contínuo, por vezes emperrado.

Confiar, é preciso. Ter esperança, é imperativo.
Sigamos assim.

 

(*) “Confiteor”- (eu confesso) Revelação de sentimentos, de ideias ou de fatos. Texto elaborado nos idos de 2006.


(*) Toninho Macedo — Por trás do conhecido Toninho Macedo, há o cidadão Antonio Teixeira de Macedo Neto, que conduziu grandes festivais de cultura e de folclore culminando no maior Festival de Cultura Paulista Tradicional, o “Revelando São Paulo“ – criado em 1996 –, por seis edições memoráveis na Zona Norte (Vila Guilherme em 2010 a 2014 e 2017/2018), além do interior e litoral.

Nele há também muita experiência e inteligência, que vem da graduação em Licenciatura Plenas em Letras Neo-Latinas (1972) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo-USP (2004). Atualmente é diretor cultural e artístico da Abaçai Cultura e Arte, além de gerir Museu da Inclusão e a Fazenda São Bernardo, fundada em 1881 em Rafard (interior de São Paulo), onde Tarsila do Amaral nasceu e passou a infância — saiba mais clicando aqui


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