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“A Ilha de Bergman” convida o público ao exercício da fantasia e da realidade

Bergman
Tempo de Leitura: 3 minutos

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<<Crítica/Filme>> – por Aguinaldo Gabarrão (*)

O cineasta sueco Ingmar Bergman (1918 – 2007), dirigiu 56 filmes e 170 peças ao longo dos seus 89 anos. Foi casado cinco vezes e pai de nove filhos. Com esse singelo resumo de uma vida longa, é para se perguntar: como esse homem, apesar de tantas uniões – algumas extraconjugais –, filhos e compromissos comuns a qualquer mortal, encontrou tempo para escrever, produzir e dirigir em quantidade e qualidade?

Essa mesma pergunta é feita pela personagem Chris (Vicky Krieps), uma roteirista em crise criativa. Ela viaja com seu marido, o bem sucedido cineasta Tony (Tim Roth), para a ilha de Faro, lugar que serviu de residência e locação para algumas das obras icônicas de Bergman. Naquele ambiente repleto de referências fílmicas do genial diretor, Chris buscará seus caminhos artísticos.

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O roteiro e direção de Mia Hansen-Løve tem delicadeza na maneira de conduzir os dilemas de Chris e sutilmente apresenta um curioso paralelismo: Chris sofre interiormente para criar, estando ela em locais e ambientes que foram habitados por Bergman, quando este após uma séria crise existencial e artística, consegue por meio do filme Persona (1966), reencontrar-se como diretor.

Uma história dentro de outra história

Em seu desejo de encontrar o fio da meada que permita a ela sair dessa crise artística, Chris tem embates pontuais com o marido sobre processos de criação, mas que parecem caminhar para outra possibilidade de insatisfação. E talvez neste ponto, o roteiro deixa uma lacuna: a crise não estaria também instalada na relação afetiva do casal?

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Mas a diretora Hansen-Løve não avança neste caminho e concentra maior atenção à história paralela, fruto do processo criativo de Chris: uma jovem viaja para um casamento numa ilha e reencontra seu antigo amor. É a ideia da metalinguagem. O cinema dentro do cinema. Assim nesta outra porta que se abre, a jovem que viaja para a ilha, é o alter ego de Chris, igualmente em busca de um caminho.

A Ilha de Bergman, título homônimo ao documentário de 2004 sobre a vida do cineasta, é um filme belo e inconclusivo, pois sua maior qualidade, a simbiose entre fantasia e realidade como elementos importantes da criação artística, não convergem com força até o final.


Assista ao trailer, clique na imagem:

 


Serviço:                                                         

A ILHA DE BERGMAN – Bergman Island

  • Gênero: Drama
  • País: França, Bélgica, Alemanha, Suécia, México
  • Classificação: 14 anos
  • Ano: 2021
  • Duração: 153 minutos

Ficha técnica

  • Direção e Roteiro: Mia Hansen-Løve
  • Elenco: Vicky Krieps, Tim Roth, Mia Wasikowska, Anders Danielsen Lie, Hampus Nordenson
  • Direção de Fotografia: Denis Lenoir
  • Produção: Rodrigo Teixeira, Charles Gillibert, Erik Hemmendorff
  • Desenho de Produção: Mikael Varhelyi
  • Montagem: Marion Monnier
  • Distribuição: Pandora Filmes
  • Divulgação: Sinny Assessoria e Comunicação

Aguinaldo Gabarrão

 

(*) Aguinaldo Gabarrão – ator e consultor de treinamento corporativo. Um eterno colaborador do DiárioZonaNorte.

 


 

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