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Santana completou 244 anos em 26 de julho de 2026 vivendo um dos períodos mais significativos de transformação urbana das últimas décadas.
O tradicional bairro da Zona Norte reúne atualmente investimentos públicos e privados que prometem ampliar a oferta de serviços, fortalecer a infraestrutura e impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

Investimentos
Entre as principais intervenções estão a revitalização da Praça Heróis da FEB, a modernização operacional do Campo de Marte, que passou a funcionar por instrumentos, e as obras do Calçadão da Rua Leite de Morais, que seguem em fase final de execução.

A região também se prepara para receber um novo hospital da rede Mater Dei, desenvolvido em parceria com a Atlântica Hospitais, empresa do Grupo Bradesco. O empreendimento reúne investimentos estimados em R$ 600 milhões e deve ampliar a oferta de serviços de saúde na Zona Norte.
Outro investimento aguardado pelos moradores é a chegada do Supermercado Tauste. A unidade está em construção e a previsão é que seja inaugurada no fim de setembro.

Emenda parlamentar para desenvolvimento de projetos
Projetos voltados à mobilidade e infraestrutura também estão em andamento. Uma emenda parlamentar de R$ 25 milhões destinada pelo vereador Major Palumbo que, entre outras coisas, financiará estudos para um projeto de drenagem e a construção de um piscinão na região final da Rua Voluntários da Pátria.

Os recursos também serão utilizados para estudos da ligação da Avenida Brás Leme até a Estação da Luz, incluindo um par de túneis a partir da Rota até a Ponte das Bandeiras, além da duplicação da Rua Darzan.

Da Fazenda de Sant’Ana ao nascimento do bairro
A origem de Santana remonta à Fazenda de Sant’Ana, criada pela Companhia de Jesus durante o período colonial. Os jesuítas chegaram à região acompanhados por colonizadores portugueses, que utilizavam mão de obra indígena escravizada.
A fazenda recebeu esse nome em homenagem a Santa Ana, mãe de Nossa Senhora e avó de Jesus Cristo. No local foram implantadas áreas de cultivo, criação de animais e uma capela dedicada à santa. Em 1673, a propriedade tornou-se a mais importante pertencente ao Colégio de São Paulo.
Seus limites começavam nas imediações do atual Jardim da Luz, acompanhavam o Rio Guaré, atual Rio Tietê, e alcançavam aproximadamente a região onde hoje está Mairiporã.
Após a decisão do Marquês de Pombal de expulsar os jesuítas dos domínios portugueses e confiscar seus bens, a Fazenda de Sant’Ana deixou de ser administrada pela Companhia de Jesus e passou ao governo da então Capitania de São Paulo.

O Solar dos Andradas e um marco da Independência
Em 1821, a antiga sede da fazenda ficou conhecida como Solar dos Andradas. Segundo registros históricos, foi nesse imóvel que José Bonifácio de Andrada e Silva redigiu o manifesto paulista que contribuiu para o Dia do Fico, pronunciamento feito por Dom Pedro I em 9 de janeiro de 1822 e considerado um dos acontecimentos que antecederam a Independência do Brasil, proclamada em 7 de setembro daquele ano.
A ocupação do imóvel mudou diversas vezes ao longo dos anos. Em 1850, o Solar dos Andradas deu lugar ao Seminário dos Educandos de Santana, uma escola pública.
Em 1875, o Governo do Estado adaptou o prédio para funcionar como hospital destinado ao tratamento de pacientes com varíola. Depois da transferência da unidade de saúde, o espaço passou a abrigar, em 1892, as oficinas do Tramway da Cantareira. Dois anos mais tarde tornou-se quartel das tropas federais em São Paulo, período em que o edifício passou por reformas.

A Igreja de Sant’Ana e a formação da identidade do bairro
Durante as escavações realizadas no antigo prédio, trabalhadores encontraram a imagem de Sant’Ana pertencente à antiga capela jesuíta. A escultura foi levada para a residência de moradores da região e, a partir desse episódio, a devoção à santa ganhou força entre a população local.
Em 12 de julho de 1895, o cardeal Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, então bispo diocesano de São Paulo, assinou o decreto que criou a Paróquia Sant’Ana, desmembrando-a da Igreja de Santa Ifigênia.
A pedra fundamental do atual templo foi lançada em 1896. A construção começou efetivamente em 1906 e enfrentou diversas interrupções provocadas por dificuldades financeiras.
Santa Ana é padroeira do bairro e também foi declarada Padroeira da Metrópole de São Paulo pelo papa Urbano VIII, em 25 de maio de 1625. Já o papa Gregório XV estabeleceu, em 1621, o dia 26 de julho como data da festa litúrgica dedicada à santa.
A mesma data foi oficializada como aniversário do bairro por meio da Lei Municipal nº 11.169, de 30 de março de 1992, sancionada pela então prefeita Luiza Erundina.
Outro marco importante ocorreu em 5 de julho de 2020, quando a Igreja de Sant’Ana foi elevada à condição de Basílica Menor por decreto papal.

O Trem da Cantareira mudou o destino de Santana
Durante boa parte do século XIX, o acesso ao bairro era difícil, situação que limitava seu crescimento. Na época, Santana tinha forte produção de uvas e vinhos.
A necessidade de captar água na Serra da Cantareira para abastecer parte da capital levou a então Companhia Cantareira e Esgotos a implantar uma ferrovia destinada inicialmente ao transporte de trabalhadores e materiais de construção.
Nascia assim o Tramway Cantareira.
No fim de 1893, a linha já operava transportando passageiros e cargas pela atual Avenida Cruzeiro do Sul. Posteriormente foi construído um ramal até Guarulhos, iniciado na Estação Areal, nas proximidades do atual Parque da Juventude, seguindo pela Avenida General Ataliba Leonel.
Depois de 72 anos de funcionamento, a ferrovia foi desativada em 31 de março de 1965.
Uma década depois, em 1975, Santana passou a integrar a Linha 1 Azul do Metrô, com a inauguração das estações Tietê, Carandiru e Santana, consolidando a integração da Zona Norte ao restante da cidade.

Santana também entrou para a história do rádio brasileiro
Outro episódio marcante da história do bairro aconteceu em 3 de junho de 1900.
Na data, o padre Roberto Landell de Moura, considerado o pai brasileiro do rádio, realizou a primeira transmissão da voz humana por ondas de rádio com registro da imprensa.
A comunicação ocorreu entre a Avenida Paulista, provavelmente na região onde hoje está localizado o Museu de Arte de São Paulo (MASP), e o Colégio das Irmãs de São José, atual Colégio Santana, em Santana.
Na época, Landell de Moura exercia a função de pároco da Capela de Santa Cruz, localizada ao lado do colégio.
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