Perus incinerador audiência pública
Crédito da foto: Loga - divulgação
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Moradores do bairro de Perus, na Zona Noroeste de São Paulo, intensificaram a mobilização contra o projeto de implantação de um incinerador de resíduos no terreno do antigo Aterro Bandeirantes, desativado em 2007.

A proposta integra o plano da prefeitura para a criação de Unidades de Recuperação Energética, as chamadas UREs, voltadas à geração de energia a partir da queima controlada de lixo.

O empreendimento previsto para a região, denominado URE Bandeirantes, faz parte de um conjunto de três usinas planejadas para a capital, com unidades também previstas para Santo Amaro, na Zona Sul, e São Mateus, na Zona Leste.

A implementação está prevista ao longo de 20 anos, sob responsabilidade das concessionárias Loga e Ecourbis, com supervisão da SP Regula.

Projeto de incinerador avança em área do antigo Aterro Bandeirantes

A área escolhida em Perus tem cerca de 150 hectares e foi, durante décadas, um dos principais destinos de resíduos da capital paulista. Mesmo desativado há quase duas décadas, o local ainda apresenta emissão de gases como metano, o que, segundo especialistas e moradores, exige monitoramento técnico rigoroso.

O terreno está localizado a aproximadamente 7 quilômetros da Terra Indígena do Jaraguá e próximo ao Refúgio de Vida Silvestre do Parque Anhanguera, uma das maiores áreas verdes da cidade.

Prefeitura aposta em novas tecnologias para gestão de resíduos

De acordo com a administração municipal, cada unidade terá capacidade para processar até mil toneladas de resíduos por dia, com sistemas de controle de emissões.

A proposta é reduzir o volume de lixo destinado a aterros sanitários e diversificar o tratamento de resíduos.

A prefeitura afirma que a cidade produz cerca de 12 mil toneladas de lixo diariamente e que menos de 3% desse volume é reciclado.

Nesse cenário, as UREs são apresentadas como alternativa para reduzir a dependência dos aterros, cuja vida útil é limitada e que continuam gerando impactos ambientais mesmo após o encerramento das atividades.

A gestão municipal também sustenta que a tecnologia utilizada difere dos incineradores antigos e cita exemplos internacionais, como o modelo adotado em Copenhague, onde unidades operam em áreas urbanas com controle ambiental.

Moradores de Perus questionam impactos e pedem mais diálogo

O anúncio da implantação do incinerador provocou reação imediata da comunidade local. Moradores e coletivos afirmam que não foram consultados previamente e defendem a suspensão do processo de licenciamento até a realização de audiências públicas.

O movimento contrário ao projeto tem promovido reuniões e mobilizações, defendendo a priorização de políticas de reciclagem, compostagem e fortalecimento das cooperativas de catadores, conforme previsto no Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos.

Histórico ambiental da região reforça mobilização local

A resistência ao projeto também está associada ao histórico ambiental de Perus, que por décadas concentrou estruturas de destinação de resíduos da cidade.

Para parte da população, a instalação de uma nova unidade ligada ao tratamento de lixo representa a continuidade de um modelo que concentra impactos ambientais em regiões específicas.

Esse contexto tem ampliado a adesão de moradores e organizações locais ao movimento, que ganha também atenção de representantes políticos.

Especialistas divergem sobre viabilidade e impactos das UREs

O debate sobre as UREs divide especialistas. Parte dos técnicos avalia que a incineração pode ser uma alternativa ao esgotamento dos aterros, desde que haja regulação rigorosa e fiscalização adequada.

Outros apontam riscos ambientais e sociais, destacando possíveis impactos sobre a qualidade do ar, além da concorrência com cadeias de reciclagem, já que materiais com maior valor energético, como plásticos e papéis, são também os mais recicláveis.

Há ainda o alerta para o padrão de localização desses empreendimentos, frequentemente instalados em áreas periféricas, o que pode reforçar desigualdades urbanas.

Audiência pública deve concentrar pressão da comunidade

A audiência pública para discutir o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) do projeto está marcada para o dia 31 de março de 2026, às 17h, no CEU EMEF Perus, na Vila Fanton.

A expectativa é de forte presença popular. Moradores e lideranças comunitárias afirmam que a mobilização tem crescido nas últimas semanas, com organização por meio de redes sociais e reuniões locais.

Para a comunidade, o encontro representa um momento central no processo de decisão sobre o futuro da região. A percepção predominante é de que o debate ultrapassa a dimensão técnica e envolve questões urbanas, ambientais e sociais de longo prazo.

Serviço

Audiência Pública para debater o EIA/RIMA Unidade de Recuperação de Energia (URE) Bandeirantes
  • 31 de março de 2026
  • 17 horas
  • CEU EMEF Perus
  • Rua Bernardo José de Lorena, s/n – Vila Fanton – São Paulo

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