Home Bem Estar Bom atendimento médico contrasta com falhas de recepção e estacionamento nos hospitais

Bom atendimento médico contrasta com falhas de recepção e estacionamento nos hospitais

Hospital 9 de Julho da Rua Peixoto Gomide - Paulista. Foto: Divulgação//anahp
Tempo de Leitura: 5 minutos

 


  • Espera por atendimento e dificuldades para estacionar são  principais queixas de clientes em hospitais particulares de SP
  • Hospital 9 de Julho lidera em satisfação, enquanto os hospitais da rede Prevent Senior aparecem na última posição. Estudo revela os principais desafios e oportunidades no setor.

Como foi realizada  a pesquisa:

  • Decoupling: o método “desacopla” a jornada do paciente, analisando cada etapa do atendimento de forma separada para identificar pontos fortes e fracos;
  • Critério de escolha: os hospitais analisados foram aqueles com maior número de avaliações online em diversas plataformas; instituições não citadas pelos consumidores não entraram no estudo; e
  • Metodologia: a avaliação foi baseada no Net Promoter Score (NPS), métrica internacional de experiência do cliente que mede a recomendação em escala de 0 a 10.

Ir a um hospital é, quase sempre, um momento de urgência e preocupação. Por isso, os pacientes esperam agilidade, organização e acolhimento. No entanto, uma pesquisa realizada na cidade de São Paulo revelou que a realidade ainda está distante desse ideal.

O levantamento, feito a partir de 26 mil avaliações de consumidores publicadas na internet entre outubro e dezembro de 2024, analisou diferentes etapas da jornada hospitalar, desde a pesquisa pelo médico até o retorno da consulta.

O resultado mostrou que as duas maiores queixas estão justamente nas primeiras etapas do contato do paciente com o hospital: estacionamento e recepção. Para muitos clientes, altos custos, falta de vagas e desorganização na entrada já geram uma primeira impressão negativa, contaminando todo o atendimento que virá a seguir. A nota média do estacionamento foi de 7,50, considerada fraca dentro da metodologia utilizada.

A recepção também se destacou como elo frágil, recebendo avaliação média de 7,45 — a mais baixa entre todos os pontos da experiência analisados. Longas filas, triagens confusas e pouca clareza nas informações oferecidas foram os fatores mais citados pelos pacientes. Para especialistas, essa etapa é decisiva, pois representa o “rosto do hospital” e pode comprometer a confiança no atendimento médico.

O levantamento não se restringiu apenas às primeiras impressões. Foram analisadas todas as etapas da jornada hospitalar: pesquisa por médico, agendamento da consulta, ida ao hospital ou clínica, estacionamento, recepção e aguardo, realização da consulta, diagnóstico e explicações, pagamento e eventual retorno ao mesmo profissional ou instituição. Essa decomposição permite mapear de forma detalhada onde estão os gargalos e os pontos fortes percebidos pelos pacientes.

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Recepção de hospital.

Como funciona a avaliação

A metodologia usada na análise classifica os resultados em “elos fracos” e “elos fortes”. Notas abaixo de 7,50 representam os elos fracos — atividades que provocam insatisfação e prejudicam a percepção do paciente. Já notas acima de 8,50 são consideradas elos fortes, ou seja, situações que encantam e criam vínculos positivos com a instituição. Entre esses dois extremos, as notas intermediárias revelam níveis de tolerância ou satisfação moderada.

No caso dos hospitais de São Paulo, estacionamento e recepção ficaram abaixo do limite de satisfação, evidenciando pontos críticos. Já as etapas relacionadas diretamente ao atendimento médico tiveram desempenho acima de 8, o que mostra que, apesar das falhas iniciais, o cuidado em si permanece como o principal diferencial das instituições.

A realização das consultas foi a etapa mais bem avaliada, com média de 8,19, seguida da ida ao hospital ou clínica, com 8,07. Esses números indicam que, quando o foco passa para o atendimento médico, os hospitais conseguem entregar resultados positivos e superar expectativas. O desafio, no entanto, é garantir que as etapas anteriores — recepção, espera e estacionamento — estejam à altura desse padrão.

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Hospital Beneficência Portuguesa. Foto: Divulgação

Ranking dos hospitais

Entre os hospitais avaliados, o Hospital 9 de Julho se destacou na liderança de satisfação, obtendo nota 9,04. Logo atrás, aparece a Beneficência Portuguesa, com média 8,67. No outro extremo, os hospitais da rede Prevent Senior receberam a pior nota, 6,04, e o Hospital Santa Paula ficou com 7,11.

Outras instituições como o Hospital São Camilo, o Hospital das Clínicas da USP e o Hospital e Maternidade São Luiz tiveram desempenho intermediário, com notas acima de 7,5, mas ainda com pontos de atenção nos serviços complementares.

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Prevent Senior, no final da pesquisa com o Hospital Santa Paula. Foto: Divulgação

Um retrato de contrastes

Os resultados reforçam um cenário de contrastes: os hospitais conseguem oferecer qualidade no atendimento médico, mas falham em garantir eficiência e acolhimento nas etapas iniciais. Resolver gargalos como estacionamento e recepção pode ser decisivo para consolidar uma experiência positiva ao longo de toda a jornada do paciente.

Além disso, os dados mostram que a experiência hospitalar não depende apenas da excelência médica, mas também da organização administrativa e da infraestrutura que antecedem a consulta. Quando a primeira impressão é negativa, o paciente tende a carregar essa sensação para todo o processo.


Não foram citados ou não tiveram número de comparativos, outros importantes hospitais particulares da cidade de São Paulo, entre eles: Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Oswaldo Cruz, Hospital Alemão Oswaldo Cruz (Matriz e Campo Belo), Hospital Santa Catarina, Hospital Leforte (Morumbi e Liberdade), Hospital do Coração (HCor), Hospital Samaritano Higienópolis, Hospital Vila Nova Star, Hospital São Luiz Star (Rede D’Or), Hospital Pro Matre Paulista, Hospital e Maternidade Santa Joana.


A pesquisa foi realizada pela Decoupling do Brasil, empresa especializada em comportamento do consumidor,  criada por Thales Teixeira, PhD pela Universidade de Michigan e ex-professor de Harvard, e por Leandro Guissoni, também PhD em marketing, professor da FGV e ex-docente na Universidade da Virginia. A empresa aplica inteligência artificial para analisar grandes volumes de dados de consumidores e identificar os chamados elos fracos da experiência do cliente, propondo soluções estratégicas para transformá-los em oportunidades de fidelização. O conceito de “decoupling” foi desenvolvido por Teixeira ao longo de mais de dez anos de pesquisa em Harvard e está detalhado no livro “Desvendando a Cadeia de Valor do Cliente”, best-seller internacional. A metodologia já foi aplicada em setores diversos e utilizada por empresas como Netflix, General Motors, Samsung e a B3, sendo citada em mais de 30 cases acadêmicos de Harvard.


<<Com apoio de informações/fonte: Economídia Comunicação / Marcelo Monteiro >>
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