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da Redação DiárioZonaNorte

 

O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, registrou nesta 2ª feira (18/08/2025) apenas 37,3% de volume útil, permanecendo na Faixa 3 – nível de alerta.

Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que ainda não fala em desabastecimento, mas o cenário exige atenção. O acumulado de chuvas em agosto foi de apenas 0,5 mm, muito abaixo da média histórica de 34,2 mm.

Em julho, os reservatórios já haviam encerrado o mês com 41% de volume útil, queda de 6% em relação a junho e bem abaixo dos 62% registrados em 2024. A baixa precipitação (48% da média histórica) e a vazão reduzida (53%) refletem a estiagem prolongada.

Seca Sistema Cantareira abastecimento

Seca Hidrológica Moderada

Atualmente, o Cantareira está classificado como em seca hidrológica moderada, de acordo com o Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI).

Projeções do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – Cemaden/MCTI indicam que, se chover dentro da média nos próximos meses secos, o sistema pode chegar a 33% em setembro e encerrar o ano com 41%, ainda na faixa de “atenção”.

Importância do Sistema Cantareira

Considerado um dos maiores sistemas de abastecimento do mundo, o Cantareira produz 33 mil litros de água por segundo e atende cerca de 8,8 milhões de pessoas, quase metade da população da Região Metropolitana.

São moradores das zonas Norte, Central, Leste e Oeste da capital, além de cidades como Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, São Caetano do Sul, parte de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.

Companhia Cantareira e o Imperador Dom Pedro II

O Cantareira tem raízes que remontam ao século XIX, quando estudos apontaram a Serra da Cantareira como área estratégica para abastecimento.

A cidade vivia um período de crescimento demográfico expressivo motivado pela urbanização e a industrialização sem controle, em que se verificou o impactante salto de 20 mil habitantes, em 1870, para 240 mil em 1899.

E foi durante esse processo que, em 1878, nasce a Companhia Cantareira e Esgotos, evento que contou com a presença do imperador Dom Pedro II.

Na inauguração da empresa ainda imaginava-se que a cidade entraria no século 20 com 60 mil habitantes, um equívoco percebido no censo de 1892 que constatou já haver o dobro de moradores na Capital.

Represa Principal do Engordador, do antigo Sistema Cantareira. 1893. Foto de P. Doumet. Acervo Memória Sabesp

Sistema de Abastecimento

Constado o erro de projeção, o Governo do Estado rescinde o contrato com a Companhia Cantareira e compra suas propriedades na serra, ampliando a área para conservação com a desapropriação de aproximadamente 5 mil hectares para a construção de novas represas (da Cuca, Toucinho, Olaria, Itagussu, Divisa, Manino, Bispo, Guaraú, Cassununga e Engordador).

Assim, o Governo do Estado de São Paulo cria a  Repartição de Água e Esgotos da Capital (RAE), que cria um novo sistema de abastecimento de água que permaneceu em funcionamento até 1973, quando entrou em operação o atual Sistema Cantareira – hoje administrado pela Sabesp.

Represa do Toucinho, na Serra da Cantareira, pertencente ao “Cantareira Velho”. 1893. Foto de P. Doumet. Acervo Memória Sabesp

Parque Estadual da Cantareira

As áreas adquiridas para a garantia da produção de água com qualidade ganharam o status de “reserva florestal” ainda antes da virada para o século 20.

Parque Estadual da Cantareira nasce a partir da condição de “reserva florestal”, sendo transformado em Parque por meio da Lei Estadual 6.884 de 1962 e posteriormente em Parque Estadual Turístico da Cantareira em 1968 (Decreto Estadual nº 10.228).

Estação Elevatória do Engordador, pertencente ao antigo Sistema de Abastecimento da
Cantareira. 1901. Foto de P. Doumet. Acervo Memória Sabesp

Uso racional da água

Com a estiagem e os níveis em queda, o Cantareira permanece em alerta. O monitoramento constante e a conscientização da população sobre o uso racional da água são fundamentais para enfrentar este período seco e garantir segurança hídrica à Grande São Paulo.


<< Com apoio de informações/fonte: Comunicação/Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) >>

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