A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta 6ª feira (08/05) que recebeu o recurso apresentado pela Ypê contra a determinação de recolhimento de produtos da marca por suspeita de contaminação microbiológica.
A medida suspende temporariamente alguns efeitos da decisão administrativa publicada pela agência, incluindo a proibição de fabricação e comercialização de determinadas linhas da empresa, até análise definitiva da Diretoria Colegiada da Anvisa, prevista para os próximos dias.
Apesar do efeito suspensivo, a Anvisa reforçou que mantém integralmente a avaliação técnica de risco sanitário e recomendou que consumidores não utilizem os produtos envolvidos.
Segundo a Anvisa, continuam não recomendados para uso os produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes da marca Ypê fabricados em lotes com numeração final 1.
A agência destacou que a responsabilidade pelas orientações de recolhimento, troca, devolução, ressarcimento e demais providências é da empresa, por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).
Recurso da Ypê suspende parte da decisão, mas alerta continua
Em comunicado oficial, a Ypê informou que apresentou recurso para fornecer esclarecimentos adicionais e subsídios técnicos relacionados à Resolução RE nº 1.834/2026, publicada pela Anvisa na 5ª feira (07/05). A fabricante afirmou que seguirá em diálogo permanente com a agência e demais autoridades sanitárias.
Segundo a empresa, o recurso teve efeito suspensivo automático, conforme prevê a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 266/2019 da Anvisa, suspendendo temporariamente a proibição de fabricação e comercialização até novo pronunciamento da agência reguladora.
Mesmo assim, a Anvisa esclareceu que não houve revisão da avaliação técnica sobre o risco sanitário identificado durante as inspeções.
O que levou a Anvisa a determinar o recolhimento dos produtos
A resolução da Anvisa suspendeu a fabricação e determinou o recolhimento dos produtos após uma avaliação técnica conduzida em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo).
A inspeção sanitária ocorreu entre os dias 27 e 30 de abril na unidade da Química Amparo, fabricante da marca Ypê, localizada em Amparo, no interior de São Paulo.
Durante a fiscalização, os órgãos sanitários identificaram falhas consideradas relevantes em etapas críticas do processo produtivo. Entre os problemas apontados estão inconsistências nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
Inspeção identificou falhas em controle de qualidade e produção
De acordo com a Anvisa, as irregularidades comprometem requisitos essenciais das Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e indicam possibilidade de contaminação microbiológica, com presença indesejada de microrganismos patogênicos nos produtos.
A investigação também apura possíveis problemas relacionados à qualidade da água utilizada nas instalações industriais da empresa.
A decisão de interromper a produção ocorreu após os órgãos sanitários constatarem dificuldade da empresa em solucionar de forma consistente problemas já identificados anteriormente.
Contaminação microbiológica já havia sido detectada anteriormente
Essa não foi a primeira ocorrência registrada na fábrica. Em novembro do ano passado, análises laboratoriais identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de produtos fabricados pela companhia.
O microrganismo é associado a infecções hospitalares e representa maior risco para pessoas com baixa imunidade, especialmente pacientes com doenças respiratórias e quadros clínicos mais vulneráveis.
A nova inspeção reforçou as preocupações dos órgãos sanitários sobre a segurança dos processos produtivos da unidade industrial.
Consumidores relatam dificuldades para contato com o SAC
Consumidores relataram dificuldades para conseguir atendimento no Serviço de Atendimento ao Consumidor da empresa após a divulgação da medida da Anvisa.
Muitos afirmam que tentaram contato na 5ª feira (07/05) e nesta 6ª feira (08/05), mas não obtiveram orientações sobre devolução, troca ou ressarcimento dos produtos atingidos pela resolução.
A Anvisa reiterou que, mesmo com o recurso protocolado pela empresa, não houve alteração na avaliação técnica do risco sanitário identificado durante as inspeções.
O caso segue em análise pela Diretoria Colegiada da agência reguladora.














































