Início Cultura Os ensinamentos do Profeta na máxima “Gentileza gera Gentileza”

Os ensinamentos do Profeta na máxima “Gentileza gera Gentileza”

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Tempo de Leitura: 3 minutos
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por Toninho Macedo (*) / Reflexões – 10

A exacerbada destemperança que vem tomando conta do universo político e “evangélico”, bem como de certos segmentos midiáticos no Brasil, quase nos deixa prostrados. Grosserias, xingamentos, desfaçatez, leviandades, enfim…

A impermanência há de ser o seu fadário. Dele não escaparão. E suas tristes marcas não sobreviverão.

E, para nosso consolo, e parafraseando o poeta Mário Quintana, sabemos que “eles passarão e nós… passarinhos”.

Bem quase ia me perdendo neste “emaranhado.” A inspiração para esta semana é a tão cara e, por ora, quase soterrada gentileza.

E “Gentileza gera Gentileza.” Esta foi a cruzada de ensinamento de José Datrino (1917-1996), que se consagrou como o “Profeta Gentileza.”

Assim, a simplicidade de seus “ensinamentos”, grafados em meados dos anos 80 até início dos anos 90, nas 55 pilastras de concreto, sob o Elevado do Caju, num trecho de 1,5 km de extensão, da Rodoviária Novo Rio ao Cemitério do Caju, passou à História. Imortalizou-se. O conjunto de sua obra foi recuperado e tombado pelo Departamento de Patrimônio Cultural do Município do Rio de Janeiro.

Foi objeto de várias teses acadêmicas, personagem de filmes e novela, tema de enredo de Escola de Samba e de músicas:

“Feito louco / Pelas ruas / Com sua fé / Gentileza / O profeta / E as palavras / Calmamente / Semeando / O amor / À vida / Aos humanos”…(Gonzaguinha)

A história do seu “messianismo” começou na década de 1960, logo depois do incêndio do Gran Circus Norte-Americano de Niterói (dezembro de 1961), no qual morreram mais de 500 pessoas, a maioria crianças.

Atendendo aos chamamentos que dizia ter ouvido, dirigiu-se ao terreno do circo para plantar um jardim sobre as cinzas, e ali morou por quatro anos, “trabalhando como consolador voluntário, confortando com palavras de bondade as famílias das vítimas da tragédia.”

Palavras de bondade emanavam de seu coração…

A partir de então passou a se chamar “Profeta Gentileza“. Por mais de vinte anos circulou pela capital fluminense com sua bata branca, cheia de apliques e com seu estandarte, levando sua palavra de amor, bondade e respeito ao próximo, anunciando a gentileza como um antídoto à brutalidade de nosso sistema de relações

Anunciava a “gentileza como o remédio para todos os males”. Deus é “Gentileza porque é Beleza, Perfeição, Bondade, Riqueza, a Natureza, nosso Pai Criador”.
“Gentileza gera gentileza, amor”.
Convidava a todos a serem gentis e agradecidos. Mensagens que acabaram por lhe granjear o epíteto de “maluco”.

Sim, por diversas vezes chegou a ser internado em clínicas psiquiátricas, até que, aquando de sua internação na Casa de Saúde Dr. Eiras, o médico entregou à sua família um atestado de sanidade mental, “alegando que o paciente José Datrino não era doido, e, sim, diferente e sábio.”

O Profeta nasceu em Cafelândia e morreu em Mirandópolis, ambas em São Paulo, cidade de seus familiares, aos 79 anos, em 1996. Mas seu legado só se expandiu.

Gentileza é característica ou particularidade de gentil. De um comportamento distinto, em que há nobreza e/ou elegância, delicadeza, amabilidade, respeito pelo outro,… E é importante que se diga que, mesmo depreciada, não está em extinção.

O Profeta Gentileza tem feito falta.

Gentileza passou a percorrer as ruas da capital fluminense nos anos 1980 para levar sua palavra de amor, bondade e respeito ao próximo. Era assim nos ônibus, praças, pontes, praias, calçadões e até nas apinhadas barcas da travessia Rio-Niterói


Conheça mais:
Guelman, Leonardo- Brasil: Tempo de Gentileza (Editora da Universidade Federal Fluminense). ————___Univvverrsso Gentileza (Ed. Mundo das Ideias).
www.psicanaliseclinica.com
http://www.youtube.com/riocomgentileza
http://www.riocomgentileza.com.br/pilastras.html
http://www.tipomakhia.com/artigo-blog/ghentileza-regular-e-original


(*) Toninho Macedo — Por trás do conhecido Toninho Macedo, há o cidadão Antonio Teixeira de Macedo Neto, que conduziu grandes festivais de cultura e de folclore culminando no maior Festival de Cultura Paulista Tradicional, o “Revelando São Paulo“ – criado em 1996 –, por seis edições memoráveis na Zona Norte (Vila Guilherme, em 2010 a 2014 e 2017/2018), além do interior e litoral.

Nele há também muita experiência e inteligência, que vem da graduação em Licenciatura Plenas em Letras Neo-Latinas (1972) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo-USP (2004). Atualmente é diretor cultural e artístico da Abaçai Cultura e Arte, além de gerir Museu da Inclusão e a Fazenda São Bernardo, fundada em 1881 em Rafard (interior de São Paulo), onde Tarsila do Amaral nasceu e passou a infância — saiba mais clicando aqui


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