da Redação DiárioZonaNorte
- Av. Imirim teve o primeiro nome como Estrada do Imirim, passou para Rua e como Avenida por meio de um Projeto de Lei de nº 434/64 do Vereador Ari Silva, em 12 de maio de 1964; e
- O bairro do Imirim completou 182 anos no dia 13 de maio e seu território está dividido em duas Subprefeituras: Santana/Tucuruvi e Casa Verde/Cachoeirinha.
Depois de quatro anos de obras, onde um trecho parecia ter sofrido um ataque de guerra, a Avenida Imirim, um dos principais eixos viários da Zona Norte, moradores, comerciantes e motoristas – incluindo passageiros de ônibus em dificuldades em pontos no meio das obras – ainda reclamam do convívio diário no cenário de intervenções que deveriam ter sido concluídas há quase dois anos.
São as obras atrasadas para o novo corredor de ônibus, que seguem em ritmo lento, que recebeu mais uma data de promessa de entrega apenas em fevereiro de 2026 – mais seis meses além do último prazo anunciado.

Já em fevereiro do ano passado, seis meses da obra iniciada, o Sindicato do Comércio Varejista e Lojista do Comércio de São Paulo – Sindilojas-SP chegou a protestar junto às autoridades, solicitando “a retomada das obras com o objetivo de evitar prejuízos aos mais de 150 estabelecimentos no local”.
Desde 2023, esse é o cenário caótico de obras intermináveis. O corredor exclusivo de ônibus, prometido como modernização da mobilidade urbana e marco por ser a primeira via da Zona Norte a contar com enterramento de fios, continua arrastado.

As obras foram contratadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) e São Paulo Obras (SP Obras), as intervenções tinham prazo inicial de nove meses e orçamento de R$ 36,1 milhões.
A entrega estava prevista para 2022, mas até hoje os serviços não foram finalizados. Em abril de 2024, o SPTV 1ª Edição destacou os problemas gerados pelo atraso: buracos abertos e refeitos, congestionamentos constantes e prejuízos aos comerciantes.
Mesmo após novo prazo para outubro de 2024, divulgado pela Prefeitura de São Paulo, o corredor não saiu do papel. Agora, em agosto de 2025, um ano após a segunda data prometida, a administração municipal anunciou a aceleração das obras, com conclusão prevista somente para fevereiro de 2026.

Investimento quase triplicado
Esse projeto de requalificação começou com orçamento de R$ 36,1 milhões já chega a R$ 97,5 milhões, quase o triplo do valor inicial. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a ampliação dos recursos se justifica pela inclusão de novas etapas e melhorias, como calçadas acessíveis, sinalização inclusiva, semáforos inteligentes e modernização das paradas de ônibus.
Segundo a SP Obras, o novo Corredor de Ônibus, com 4,6 km de extensão entre a Avenida Deputado Emílio Carlos e a Alameda Afonso Schmidt, deve beneficiar 112 mil pessoas por dia, oferecendo mais conforto, acessibilidade e rapidez no transporte público.
Entre os avanços divulgados pelo órgão municipal estão:
- Drenagem superficial: mais de 4,2 km concluídos.
- Guias e sarjetas: 8,5 km instalados.
- Pavimentação: aplicação de mais de 11 mil toneladas de concreto e asfalto.
- Calçadas acessíveis: 6,2 km com rampas e piso tátil.
- Valas técnicas: 6,3 km para telecomunicações e iluminação pública.

Modernização do transporte
O projeto prevê 35 paradas de ônibus renovadas, com piso rígido para suportar maior fluxo, superguias de 28 cm para embarque facilitado e totens de informação acessível. A nova sinalização também inclui dispositivos sonoros e botões sinalizadores para pessoas com deficiência.
Outro destaque é a implantação de semáforos inteligentes, dando prioridades para os ônibus, que ajustam automaticamente o tempo de abertura de acordo com o fluxo de veículos e pedestres, prometendo mais fluidez ao trânsito local.

Enterramento de cabos e fios
Uma das novidades prometida mais aguardada é o enterramento da rede elétrica, responsabilidade da concessionária Enel. A Prefeitura de São Paulo disponiblizou a esse investimento adicional de R$ 48 milhões à concessionária de energia elétrica.
Com isto, a Avenida Imirim será a primeira via da Zona Norte a receber esse tipo de modernização. A medida elimina a poluição visual dos fios aéreos, reduz riscos de acidentes, aumenta a durabilidade das redes e garante maior segurança durante tempestades.
No entanto, o custo elevado do processo — em média oito vezes maior que a rede aérea — gera debates com a Enel. Embora traga mais confiabilidade ao fornecimento, em caso de falhas a recomposição é complexa e demorada. Além disso, os custos tendem a ser repassados às tarifas de energia em revisões futuras, impactando todos os consumidores.
A Enel informou ao DiárioZonaNorte que a obra da Av. Imirim é a única via pública com enterramento em andamento na região e que sua conclusão está prevista para o início de 2026. A concessionária reforça que a decisão de enterrar cabos não parte dela, mas de alinhamentos com o poder público.
Nos projetos da Prefeitura de São Paulo já há obras aprovadas para o boulevard da Rua Leite de Morais (mais informações: clique aqui), em Santana, contem no planejamento de aterramento de cabos e fios. Outro projeto é o da Rua Voluntários da Pátria.

Reformas com isenção de impostos
A vereadora Cris Monteiro (Novo) apresentou o Projeto de Lei 838/2025, que cria o Programa de Contrapartida de Melhoria Urbana em São Paulo. A proposta prevê parcerias entre poder público e iniciativa privada para financiar obras como reforma de calçadas, iluminação, arborização, acessibilidade, infraestrutura subterrânea e, principalmente, o enterramento da fiação aérea.
Atualmente, apenas 1% da rede elétrica da capital está no subsolo, contra 11% no Rio de Janeiro. O projeto prevê que grandes empreendimentos contribuam com o enterramento dos fios nas áreas onde atuam, em troca de isenção temporária de taxas e prioridade no licenciamento.
Para a vereadora, os fios soltos representam risco à segurança, poluem visualmente a cidade e aumentam a vulnerabilidade em temporais. O texto também cria o Marco Regulatório do Enterramento de Fiação, com regras claras e incentivos para ampliar a rede subterrânea. A proposta prevê ainda penalidades para descumprimento e é defendida como instrumento estratégico para uma São Paulo mais moderna, segura, limpa e resiliente.

Os moradores e comerciantes da região da Avenida Imirim terão a novidade de uma via sem os postes com fios enrolados. Hoje, a Enel aluga os espaços dos postes para a empresas de telecomunicações, como a Vivo, Claro e Tim.
Quem vive ou circula pela Av Imirim, resta aguardar. Se as novas previsões forem cumpridas, a entrega deve ocorrer marcando finalmente uma transformação urbana esperada há quatro anos. Até lá, os moradores seguem convivendo com transtornos, na esperança de que o corredor de ônibus traga os benefícios prometidos.
<< Com apoio de informações: SP Obras/Prefeitura de São Paulo>>
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