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O amor e o hobby pelos discos de vinil chegam à Zona Norte

Tempo de Leitura: 4 minutos
da Redação DiárioZonaNorte

Lá se vão 69 anos do nascimento do antigo 78 rotações em acetato e  quase 30 anos do declínio natural dos elepês de vinil para os CDs e fitas cassetes. Mas como tudo na evolução deixa marcas, os fãs continuam até hoje em busca dos discos tradicionais.

E, segundo pesquisas internacionais, cresce no mercado dos Estados Unidos e na Europa. E a tendência é o crescimento dos toca-discos em destaque nas residências, evidentemente com as características mais evoluídas com a contribuição da tecnologia.

A mídia evoluiu e a venda, troca e compra dos discos de vinil permanece, no paralelo. Não há mais a profusão de lojas disponibilizando os discos em vinil.

Mas surgiram as lojas especializadas, vendas pela internet  e também as feiras em lugares públicos – que chamam a atenção dos aficionados, com os preços também acessíveis.

Nestes lugares também a importância de ter contato com outros fãs e receber informações dos expositores, que vivem o mercado no dia a dia. No Brasil, voltou a ser um mercado crescente como paixão e hobby.

NOVO PONTO

Na Zona Norte/Nordeste, surgiu um point dos tradicionais elepês bem no coração do bairro de Santana.  Neste final de semana, aconteceu pela terceira vez o Santana Rocks, bem na rua tradicionalíssima de comércio na Voluntários da Pátria, esquina com a Dr. Cézar.

Através do apoio de algumas lojas – até como marketing e chamariz para novos clientes – os corredores da Galeria Santana Center (Rua Dr. Cézar, 40 ) recebeu 15 bancas em variados estilos musicais, com atrativo de chopp artesanal, refrigerante diferente de baunilha e um pick-up para experimentar e testar os elepês.

“Aqui tem gosto para tudo e oferecemos um pouco disto nos variados estilos, até com relíquias”, adverte Rodrigo Alves – que nasceu há 30 anos na Rua Chico Pontes na Vila Guilherme, passou pela Vila Maria e agora mora no Barro Branco — , proprietário da Choke Discos que promove o encontro.

O organizador da feira já acertou o ponto fixo na mesma Galeria todo começo de  mês, o que já está no calendário nos próximos dias 08 de julho e 05 de agosto, sempre aos sábados das 10 às 18 horas

 “Desta forma, o pessoal já fixa na agenda e avisa os amigos e fãs da boa música”, comenta Rodrigo Alves – que é administrador de empresas, fez educação física, ajuda o escritório de advocacia da mulher e tem os discos como hobby nos momentos de lazer que acabou criando vendas pela internet.

“Sou um apaixonado por esse segmento, o amor foi crescendo e acabei me especializando na venda de discos até chegar a dar uma oportunidade maior para outros amigos interessados na feira”, explica ele.

UMA GRANDE PAIXÃO

Rodrigo Alves não quer parar por ai, já que tem experiências anteriores em feiras em Santo André, Guarulhos e no Beco 203 (“um bar enorme  e com mesas grandes na Rua Augusta”) e pretende criar mais atrativos

“Vou trazer lançamentos de bandas independentes aqui junto à feira, venda de fitas cassetes e criar um novo espaço aos domingos – já que a galeria fica fechada”, planeja ele. Durante as feiras, o organizador cria expectativas com sorteio de vários discos para os frequentadores e pensa em mais atrativos.

É fato. No meio das bancas, mesmo com interesse comercial, nota-se a paixão de cada expositor e as diferenças de modo de vida. Tem professor de História, barman,  agente de viagens e até um brasileiro que mora  no Texas (EUA).

Clayton Rogério casou-se com uma americana, há oito anos, e foi morar na cidade americana de Austin, onde há muitas lojas de discos com grandes novidades do mercado.

“Sou um apaixonado por jazz e comecei a mexer com os discos”,  e hoje tem a Maloka Discos com a supervisão de seu primo Rogério que faz as vendas de “novidades” e “pega pedidos especiais” que é enviado por despacho do Correios ou quando ele vem ao Brasil – como agora, por períodos curtos.

CONEXÃO BRASIL-ESTADOS UNIDOS

Em sua banca, logo na entrada da galeria, a Maloka Discos tem coleções exclusivas de discos que não aparecem no Brasil. Como uma coleção do 25º Aniversário de Elvis Presley, em estojo com oito discos, livros de fotos e material de colecionador mais autógrafos.

O custo é alto, mas é para colecionador e de edição limitada, 700 reais. Tem cantores de jazz que não foram lançados no Brasil e muita coisa que Clayton estuda disco a disco para selecionar para venda. E lá nos Estados Unidos, ele inverte as vendas da Maloka Discos para os discos de artistas brasileiros.

Mas as caixas de plástico em várias cores, dos vários expositores, ficam montadas e perfiladas no corredor, com opções de rock, samba, reggae, jazz,  sertanejo e outros gêneros.

Em cada caixa chegam mais de 300 discos bem embalados e de qualidade. Os preços variam de 10 reais a 1 mil reais, dependendo da compra há cortesias. No local, há sempre vendas de aparelhos de toca-discos nacionais e importados para as pessoas que queiram iniciar ou voltar ao vinil.

AS SENSAÇÕES DO PASSADO

No meio de manequins nas portas das lojas, das roupas infantis ou de adulto nas vitrines, o movimento constante de fãs mexendo nos discos. Os dedos correndo capa a capa em busca do interprete de interesse ou ritmo de agrado.

No meio do corredor, Lodair Campos, um segurança particular, ao lado da esposa e da filhinha:”Além de retornar no tempo, as minhas memórias de quando cheguei aqui, temos  a sensação de voltar ao lugares de nosso passado”, declarou após ter comprado três elepês de MPB – e ter ganho um outro de cortesia.

Outro frequentador da feira, o advogado Celso de Arruda Martins, define a paixão pelo retorno aos discos de vinil: “É ter várias sensações junto com o disco, desde apreciar a capa, contra-capa, livretos e o que mais portar.

Mas  segurar o disco e colocá-lo no prato para ouvir aquilo que você mais gosta no seu gênero. E participar efetivamente de todo o processo com um som que parece melhor, mais nítido. É outra sensação! E ter o cuidado de preservá-lo”. E agora é aguardar a nova edição da feira.

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SERVIÇO

4ª Santana Rocks – Feira de Discos da Zona Norte – 08 de julho de 2017

Organização: Choke Discos – Fone: 9-7484.1518 – chokediscos@gmail.com

Galeria Santana Center – Santana – Zona Norte/Nordeste

Apoio: Dengo Baby/Kids/Teens – Zurya Cabeleireiros – Stilosa Jeans e Acessórios – Mr Bud Tabacaria & Plantas Caseiras === Galeria Santana Center/R.Dr. Cézar,40 – Santana

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