da Redação DiárioZonaNorte ===

Com seus  20 meses no ar e mais de 500 entrevistas, o programa jornalístico “Metrópole em Foco” da Rádio Trianon AM-740, desta 2ª feira (05/11/2018), trouxe um tema muito delicado e perturbador. O governo municipal quer levar a Cracolândia do centro da cidade às portas da Zona Norte. Em um terreno na Av. Cruzeiro do Sul, ao lado da Marginal e na frente do Shopping D, foi escolhido como o local ideal. Só esqueceram de consultar e avisar os moradores, entidades, empresas e escolas do local. Mais uma vez, as determinações saem “de cima para bairro”, até com outros interesses, mas não os da população, que mantem os cargos e geram os recursos ao poder público. <Ver reportagem – link: clique aqui.

O debate “ao vivo” === Sob o lema  do “Metrópole em Foco”, “discutindo a cidade que queremos, seus problemas e suas soluções”, o jornalista e radialista Pedro Nastri (*), com a retaguarda na produção de Duda Jr., recebeu “ao vivo”, no estúdio no prédio da Fundação Cásper Líbero da Avenida Paulista, os representantes do Movimento Contra a Cracolândia na Zona Norte: Alba Medardoni (presidente da Associação Amigos do Mirante e Região), Dr. Cláudio Moreira do Nascimento (presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-OAB-Subseção Santana), Joanna D´Arc Figueira Cruz (advogada, moradora na região e líder comunitária) e o Engº Luis Cláudio Matos (diretor do Instituto Federal de São Paulo).  Junto aos convidados, a presença do DiárioZonaNorte – que apoia a causa.

Um grande movimento === E o tempo passa nos 90 minutos do programa, que tem o patrocínio exclusivo da instituição de cooperativa de crédito Sicredi, e o assunto foi amplamente explorado. O que ficou claro, do começo ao fim, foi a falta de transparência do governo municipal e o debate com os maiores atingidos neste assunto. Percebe-se que não houve um levantamento e planejamento do local e suas consequências. Ao lado do Santuário das Almas, o terreno que já foi um espaço ocupado por uma favela e depois depósito de material da Ilume-Iluminação Pública da Prefeitura de São Paulo, está situado em local de grande movimento em pessoas e de veículos. À sua frente, o Shopping D com o movimento de milhares de pessoas na semana toda e nos finais de semana, ao lado o Instituto Federal São Paulo (a antiga Escola Técnica Federal), com o vai e vem diário de mais de 800 alunos, de menores de idade a jovens. Mais alunos em várias faixas de idade no Colégio da Policia Militar-Cruz Azul.

Muito mais gente === A poucos metros, ao atravessar a Ponte Cruzeiro do Sul, ao lado da Zona Norte, está localizado o Terminal Rodoviário Governador Carvalho Pinto (o conhecido Terminal Rodoviário do Tietê), nada mais do que o maior da América Latina e o segundo maior do mundo atrás do Terminal de Nova York. Ali circulam em média  mais de 100 mil pessoas em dias normais.  Como se nota, é uma região de grande movimento. Não muito longe, deste 1975 existe a antiga Estação Ponte Pequena do Metrô (Linha Azul), que dez anos após mudou o nome para Armênia – os imigrantes que ajudaram na construção. Só nesta plataforma circulam 20 mil pessoas/hora/pico e, ao lado, tem o Terminal Metropolitano operado pela Empresa Municipal de Trasporte Urbano (EMTU), que movimenta linhas para Guarulhos, Mogi das Cruzes, Barueri e Osasco. Do outro lado da Avenida Santos Dumont tem o Clube Municipal  Esportivo Tietê; do lado de cá, a Associação Atlética São Paulo. E assim vai: Clube Espéria, Complexo do Anhembi, Campo de Marte, Aeronáutica, Centro Comercial de Santana (Rua Voluntários da Pátria e outras), Parque da Juventude, Biblioteca de São Paulo, ETEC Pq.Juventude, Estações do Metrô (Tietê, Carandirú e Santana), Universidade Sant´Anna, Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), Sesc Santana, Wydham Nortel Hoteis e muitas empresas. E ainda colocamos na mesma conta, o grande movimento diário e datas especiais do Shopping Center Norte, Novotel, LarCenter e ExpoCenterNorte – semanalmente com feiras e exposições temáticas. <<Leia reportagem com mais detalhes – clique aqui >>

Eis a questão === “Não é transferir o problema de um lugar para outro, simplesmente”, comentou Alba Medardoni, da Associação Amigos do Mirante. E consta que não houve nenhum estudo mais aprofundado de impacto social e ambiental com o que há existe no local e na interferência da qualidade de vida e segurança aos moradores. “Ninguém é contra, mas deve haver bom senso. Temos que ver os cuidados com os dependentes químicos, pois trata-se de saúde mental. Um local apropriado, com recursos, não próximo de moradores e locais de grande fluxo”, completou a líder comunitária. Ela ainda referiu-se que “tudo de ruim vem para a Zona Norte e há muitos anos nada temos de melhorias”. Em seguida, foi apoiada pela advogada e líder comunitária na Ponte Pequena – onde mora há mais de 30 anos –, Dra. Joanna D´Arc Figueira Cruz, que reforçou as colocações lembrando que o local pode virar “uma tragédia social”, já que a Prefeitura quer transferir um dos Atende do centro (que o programa que substitui os anteriores do estadual Redenção e do governo Haddad, o Braços Abertos) e estão indicando o terreno junto a Rua Porto Seguro, na Av. Cruzeiro do Sul. Ela lembrou que na região já há outros pontos de atendimento e aumentou em mais de 100 por cento a população de rua. “Do jeito, a população não vai poder sair de suas casas. Todos ficarão reféns”, acrescentou.

Os cuidados aos dependentes === Já o diretor do Instituto Federal de São Paulo, Engº Luis Cláudio Matos, tem o olhar também para a saúde pública, com os cuidados aos dependentes químicos, que precisam de ajuda e oportunidades. “Mas há também a preocupação com o que vem por trás dos viciados, que é o tráfico de drogas. Isso nos preocupa com as nossas crianças e os jovens”, arrematou. Já o Dr. Claudio Moreira do Nascimento, da OAB-Santana, foi taxativo ao afirmar que é sabido “é dever do estado em ouvir a população, que é soberana e deve ter participação”. Segundo o advogado, a segurança e a saúde públicas são de responsabilidade do governo. E acrescentou que “a população não foi ouvida e houve uma decisão precipitada do governo”. Ele irá oficiar a Prefeitura e a Câmara Municipal, “tem que nos ouvir e poderemos acionar o Ministério Público”.

Os ofícios e os processos === Na verdade, o primeiro passo neste sentido já foi dado pelo moradores da Ponte Pequena, os mais próximos do terreno da Av. Cruzeiro do Sul. Segundo a advogada Joanna D´Arc, os abaixo-assinados já serviram como ofícios aos agentes públicos – incluindo até o governo estadual – e as secretarias municipais envolvidas no assunto, com cópia ao Ministério Público – que foi o único que protocolou e automaticamente virou processo. “Não queremos e não admitiremos a imposição”, declarou Joanna contra a Cracolândia. Segundo ela, é obrigação dos órgãos públicos em buscar melhorias para a população, com ações participativas. “Queremos melhorias, podemos ajuda, mas que sejam serviços úteis à todos”, finalizou.

Vamos ajudar === Na participação da população e de entidades, o Engº Luis Claudio, diretor geral do Instituto Federal de São Paulo, deixou pontos positivos à disposição para ajudar à comunidade e indiretamente aos governantes. O instituto poderá ajudar nos projetos de locais disponíveis da Prefeitura para que sejam abertos ou haja reformas para equipamentos públicos. Luis Claudio observou que a região da Ponte Pequena não tem “absolutamente nada” de atrativos para seus moradores, a não ser o Museu dos Transportes da CMTC que está lá esquecido no tempo e no espaço – e os cinemas do Shopping D. Há um projeto já em andamento na Câmara Municipal, com apoio da vereadora Sandra Tadeu, para a viabilização de um Centro Cultural. O instituto também tem o projeto de reformulação da Praça Kantuta, que fica próxima – no Canindé -, onde reúne-se a comunidade boliviana.

O povo tem vez! === Depois de uma hora e meia, o “Metrópole em Foco” terminou contando com a revisão do projeto de transferência da  Cracolândia, deixando o terreno da Ponte Pequena para um serviço de maior utilidade para os moradores. E que o problema da Cracolândia tenha outro destino, em lugar afastado – quem sabe em algum terreno da Marginal -, mas em condições de dar assistência social e de saúde aos dependentes. E outro lado que reapareceu foi o ato de cidadania da poluação. Neste ano, é o segundo caso com a Cracolândia – antes, em abril, os moradores de uma rua de Vila Mariana impediram o asfalto em cima do calçamento de paralelepípedos, pois não foram consultados.

Nova passeata === E para mostrar novamente o problema, está marcada uma nova passeata nesta 4ª feira (07/11/2018), com concentração às 15 horas em frente ao Teatro Municipal, seguindo pelo Viaduto do Chá até o prédio da Prefeitura de São Paulo. Muitas faixas, muitos cartazes e atrás o povo querendo ser ouvido antes das decisões precipitadas, sem diálogo!

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Reveja a reportagem da Reunião na Igreja de N.S. Salette, que aconteceu no dia 25/10/2018, movimentando os moradores, entidades e empresas das regiões da Ponte Pequena e de vários bairros da Zona Norte. Clique aqui

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(*) Pedro Nastri, 62 anos, paulistano do Brás, jornalista há 29 anos (Casper Líbero) com passagens por  Notícias Populares, Folha da Tarde, Jornal Gazeta Esportiva, Popular da Tarde, Tv Gazeta e Rádio Trianon.  Poeta e escreveu algumas peças teatrais, que foram encenadas em auditórios confinados. Conhecedor da história da cidade de São Paulo e, em especial, ao bairro do Brás.  Nastri foi diretor Cultural da API – Associação Paulista de Imprensa (janeiro de 2010 – 2013 (3 anos), diretor da União Brasileira de Imprensa – UBI (2011/2015).  Desde 2013 é  colunista do jornal Gazeta SP, diretor Associação de Jornais de Bairro da União Paulista de Imprensa; vice-presidente União Brasileira de Imprensa e Assessor de Imprensa Instituto do Câncer.

(*) Metrópole em Foco – Rádio Trianon AM 760 – de 2ª a 6ª feira, das 09h30 às 11h00. WhatsApp: 11-9.4939.1293.========= Fone: 4116.7898 == Sintonia: www.radiotrianon.com.brouwww.radios.com.br/aovivo/Radio-Trianon-740-AM/14495 E-mail: metrópole.trianon@gmail.com  ===  Um programa jornalístico que traz as denúncias sociais, os problemas da região como saúde pública, transporte, segurança, habitação, educação, entre outros, e suas soluções. É o espaço para a comunidade reivindicar os seus direitos, tornando-se, desta forma, o instrumento de comunicação a serviço do interesse público para cobrar das autoridades soluções aos mais variados problemas. O programa conta com convidados para falar sobre temas de importante relevância para os bairro e a população que ali vive. O objetivo é discutir ideias e levar até os ouvintes / internautas os assuntos com profundidade, dando a eles condições para formar opiniões e entender a realidade local. Conta, ainda, com a participação do Jornal de Bairro da região, veículo este que está mais próximo a realidade de seus leitores.

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