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“Cura”, de Deborah Colker, é a construção da esperança, onde quer que ela esteja

Tempo de Leitura: 3 minutos

por Aguinaldo Gabarrão (*)

Desde a criação de sua companhia em 1994 – e lá se vão 27 anos –, os públicos brasileiro e do mundo são surpreendidos com as produções de Deborah Colker, bailarina e coreógrafa. Seu projeto mais recente, “Cura”, fala de seu enfrentamento pessoal diante do que ela não pode resolver: a mutação genética sofrida por seu neto Theo, atualmente com 12 anos. Essa condição rara recebe o nome de epidermólise bolhosa distrófica e causa a falta de colágeno sete, uma proteína responsável por colar a derme à epiderme.

“Cura” reflete a indignação da diretora. Assistir ao espetáculo criado, coreografado e dirigido por Colker é ler os movimentos da vida que pulsam para além da revolta, pois o inconformismo arrastou a diretora e sua trupe à pesquisa do sentido da cura em seus aspectos multifacetados: a cura que transcende o próprio corpo e se instala na alma; a aceitação do inevitável como condição de liberdade espiritual; a luta e a dor contra o preconceito. Neste estado de coisas, quais as possibilidades de cura?

A provocação reverbera em cada coreografia, pontuada em quadros de plasticidade tocante e sensorial.

Em “Cura”, a ciência não briga com Deus; antes, busca o contato, nesta linha tênue entre a razão e a fé. As referências científicas, alicerçadas em projeções de palavras e frases, permeiam a cenografia enxuta e visualmente poderosa. É um poema concretista que grita ao público os elementos químicos e grafias emocionais, impregnados do sopro da vida e da voz infantil de Theo, narrador das histórias de matrizes africanas, imbricadas com sua própria história pessoal.

E em tempos de pandemia, com uma plateia ainda protegida por máscaras num mundo que anseia pela cura, os bailarinos de Deborah Colker acolhem o público entre cânticos para elevá-lo à cura possível: a boa e velha esperança.


Assista ao documentário sobre “Cura”,  com Débora Colker. Clique na imagem:


Serviço:

CURA

  • Onde: Teatro Alfa
  • Endereço: R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro – SP
  • Telefone: (11) 5693-4000
  • Quando:até domingo (14/11/2021)
  • Classificação: Livre
  • Horários: 5ª feira (11) e 6ª feira (12) – às 20h30
  • Final de semana: Sábado (13), 20h00, e domingo (14), 18h00
  • Sessão extra: sábado (13/11), 17h00 (*)
  • Ingressos: R$200 (plateia) e R$25 a R$50 (balcão)
  • Compra de ingressos: Sympla – clique aqui ou (11) 5693.4000

Ficha técnica

  • Elenco:Angélica Bueno, Gabriel Guimarães, Jaime Bernardes, Jorge Ferreira, Leony Boni, Luan Batista, Marta Batista, Mozart Mizuyama, Olivia Pureza, Vitória Lopes e Yasmin Mattos. Estagiários: Ana Livia Costta e Alexsander Costa
  • Criação e Direção Musical: Carlinhos Brown
  • Criação, Coreografia e Direção: Deborah Colker
  • Direção de Arte e Cenografia: Gringo Cardia
  • Dramaturgia: Nilton Bonder
  • Direção Executiva: João Elias
  • Desenho de luz: Maneco Quinderé
  • Figurino: Claudia Kopke
  • Site: https://www.ciadeborahcolker.com.br/companhia

         (*) Até 28/12, “Cura” segue em turnê por mais seis capitais no Norte/Nordeste.


       (*) Aguinaldo Gabarrão – ator e consultor de treinamento corporativo. Um eterno colaborador do DiárioZonaNorte

     


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