Unidade da Prefeitura de São Paulo, na Zona Norte, acompanha 1,4 mil pessoas com autismo e oferece suporte direto a mais de 1,3 mil famílias
Um ano após a inauguração, o Centro TEA Marina Magro Beringhs Martinez, mantido pela Prefeitura de São Paulo, já apresenta resultados concretos no atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo.
Localizada em Santana, na Zona Norte da capital, a unidade ultrapassou a marca de 300 mil atendimentos e acompanha atualmente cerca de 1,4 mil pessoas com diagnóstico confirmado, além de prestar suporte contínuo a mais de 1,3 mil famílias.
O equipamento público integra a política municipal de ampliação da rede de atendimento especializado e propõe um modelo que vai além do acompanhamento clínico tradicional. A estrutura combina atendimentos individuais com atividades coletivas, com foco no desenvolvimento da autonomia, da convivência social e da qualidade de vida.
Avanços que começam dentro de casa
Os efeitos do acompanhamento aparecem no cotidiano das famílias. Crianças que passaram a ler e escrever, que ganharam independência em tarefas simples e que ampliaram a interação social ajudam a traduzir o impacto do serviço.
Entre os casos acompanhados está o de Lourenzo Gonzaga de Souza, de 12 anos. Após iniciar o atendimento no Centro TEA, ele avançou na alfabetização e desenvolveu maior autonomia. Hoje, além de ler e escrever, realiza atividades do dia a dia e se adapta melhor a ambientes como transporte público e viagens.
A mudança também é percebida na rotina de Monique, de 8 anos. Desde que começou a frequentar a unidade, passou a assumir pequenas responsabilidades com mais independência, criando uma relação mais segura com a própria rotina.
Acolhimento que se estende às famílias
O impacto do Centro TEA não se limita aos usuários atendidos. O espaço também funciona como rede de apoio para familiares, que encontram orientação e troca de experiências ao longo do acompanhamento.
José Maximiano da Silva, avô de um adolescente atendido desde a inauguração, relata que o ambiente favorece o acolhimento e fortalece vínculos entre as famílias, criando uma rede de suporte que se mantém para além das atividades oferecidas.
Essa dimensão faz parte da proposta da equipe. A educadora física Isabela de Oliveira Luz explica que o cuidado com os responsáveis é essencial para o processo, permitindo que eles também tenham espaço de escuta e apoio enquanto os filhos participam das atividades.
Atendimento personalizado e equipe multidisciplinar
Cada usuário é acompanhado por meio de um plano individual, definido por uma equipe multidisciplinar formada por profissionais como assistentes sociais e psicólogos. O acompanhamento é contínuo e passa por ajustes de acordo com a evolução de cada pessoa, sempre com participação ativa das famílias.
Além dos atendimentos individuais, o Centro TEA oferece atividades coletivas voltadas ao desenvolvimento de habilidades sociais e autonomia. Entre as mais procuradas estão práticas de vida diária, atividades aquáticas, culinária, música e jardinagem.
Nas oficinas de culinária, por exemplo, o trabalho considera as particularidades sensoriais de cada participante. A professora Francini Silvestre Gea explica que a aproximação com as atividades acontece de forma gradual, respeitando o tempo de cada um, e que os aprendizados frequentemente são levados para dentro de casa.

Socialização e autonomia como eixo do atendimento
O desenvolvimento da convivência social também é um dos principais resultados observados. Participantes relatam melhora na interação e na construção de vínculos após o início do acompanhamento.
Atualmente, cerca de 60,37% dos atendidos são crianças entre 6 e 13 anos. Adolescentes representam 15,84% e adultos, 23,79%, o que demonstra a abrangência do serviço em diferentes fases da vida.
A estrutura do espaço foi pensada para estimular a autonomia em diferentes contextos. A unidade conta com piscina coberta, quadra esportiva, oficinas culturais e uma casa adaptada, onde os usuários podem praticar habilidades de autocuidado em um ambiente semelhante ao doméstico.
Investimento público e expansão da rede
Instalado em Santana, o Centro TEA Marina Magro Beringhs Martinez recebeu investimento de R$ 119,4 milhões. O projeto integra a estratégia da Prefeitura de São Paulo para ampliar o atendimento às pessoas com autismo na cidade.
A iniciativa é conduzida pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED) e atende moradores de todas as regiões da capital. A previsão é de que mais três unidades sejam implantadas até 2028, ampliando o acesso ao serviço especializado.
O nome que carrega um legado
O Centro TEA leva o nome de Marina Magro Beringhs Martinez, procuradora do município que atuou por duas décadas na defesa de direitos sociais. Conhecida como Dra. Marina Magro, também era mãe de um jovem com autismo, experiência que influenciou sua atuação na área.
Falecida em novembro de 2024, acompanhou o início do projeto e foi uma das defensoras da criação do espaço. A unidade que hoje atende milhares de famílias materializa parte do compromisso que marcou sua trajetória.
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