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O debate sobre bem-estar financeiro ganhou espaço entre os principais temas da agenda econômica nacional. Na 4ª feira, 20 de maio, o Sicredi promoveu, em São Paulo, a primeira edição do Fórum de Bem-Estar Financeiro.
O evento reuniu representantes do setor financeiro, especialistas em comportamento, pesquisadores, lideranças do cooperativismo e autoridades do Banco Central do Brasil para discutir os desafios da relação dos brasileiros com o dinheiro.
Realizado no Teatro B32, na região da Avenida Faria Lima, o encontro reuniu mais de 400 convidados e integrou as ações da 13ª Semana Nacional de Educação Financeira (Semana ENEF).
Saúde Social e Econômica do País
Ao longo da programação, os debates abordaram inclusão financeira, crédito, endividamento, inovação tecnológica, open finance, comportamento financeiro e os impactos emocionais das decisões econômicas.
Durante a abertura do evento, o presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ e diretor do World Council of Credit Unions (WOCCU), Manfred Dasenbrock, reforçou a relação entre bem-estar financeiro e os princípios cooperativistas. Segundo ele, a educação financeira faz parte da essência do modelo cooperativo e contribui diretamente para o desenvolvimento das comunidades.

O diretor-presidente do Banco Cooperativo Sicredi e da Confederação Sicredi, César Gioda Bochi, destacou que o tema deixou de ser apenas uma questão individual e passou a impactar diretamente a saúde econômica e social do país.
O executivo afirmou que a ampliação da inclusão financeira trouxe avanços importantes, mas que agora o desafio passa pela qualidade dessa inclusão e pela capacidade de apoiar decisões mais conscientes ao longo do tempo.

Open Finance, inteligência artificial e segurança digital entram no centro do debate
Um dos painéis mais acompanhados do fórum discutiu como tecnologia, inteligência artificial e compartilhamento de dados vêm transformando o acesso da população aos serviços financeiros.
No painel “Inovação a serviço de uma vida financeira sustentável”, Ana Carla Abrão, diretora-presidente do Open Finance Brasil, Diego Perez, conselheiro da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), e Leandro Vilain, CEO da Associação Brasileira de Bancos Comerciais (ABBC), analisaram os avanços do open finance no Brasil e os desafios relacionados à segurança digital.

Os participantes destacaram que o compartilhamento inteligente de dados pode ampliar o acesso da população a produtos mais personalizados e adequados à realidade financeira de cada pessoa.
A tecnologia também foi apontada como aliada na organização financeira, no planejamento de gastos e na tomada de decisões mais conscientes.
Diego Perez afirmou que a combinação entre inteligência artificial, educação financeira e análise de dados pode transformar a forma como consumidores administram o próprio dinheiro.
Já Leandro Vilain observou que as ferramentas digitais ajudam a compreender diferentes perfis de renda e comportamento financeiro, permitindo soluções mais adequadas para cada realidade familiar.
A discussão também abordou o avanço das fraudes digitais e da engenharia social. Os especialistas defenderam que segurança cibernética e uso responsável de dados serão fundamentais para garantir confiança no sistema financeiro nos próximos anos.
Segundo Ana Carla Abrão, o sistema de open finance brasileiro já contabiliza cerca de 100 milhões de consentimentos ativos e mais de 10 bilhões de chamadas de API por semana, consolidando o país entre os principais mercados globais da área.

Endividamento preocupa especialistas e acende alerta para uso do crédito
O crescimento do endividamento das famílias brasileiras apareceu como um dos principais pontos de atenção do encontro.
Durante a palestra “O que é bem-estar financeiro: a visão do G20”, Luis Mansur, chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Banco Central do Brasil (BC), explicou que o conceito de bem-estar financeiro vai além do acesso ao crédito.
Segundo ele, o tema envolve capacidade de organização financeira, segurança diante de imprevistos, planejamento de longo prazo e sensação de estabilidade em relação ao futuro.
Dados apresentados durante a palestra mostram que 77% das famílias brasileiras estão endividadas e que cerca de 30% da renda familiar está comprometida com dívidas.
Mansur destacou que o alto endividamento da população deixou de ser apenas uma questão individual e passou a representar risco econômico relevante também para governos e instituições financeiras. O tema, inclusive, entrou oficialmente nas discussões internacionais lideradas pela presidência brasileira do G20.
Segundo o representante do Banco Central, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) deve incorporar, a partir de 2026, indicadores relacionados ao bem-estar financeiro em suas métricas internacionais.
Saúde financeira passa a ser medida como indicador social
Outro painel do evento discutiu a importância da criação de indicadores capazes de medir a saúde financeira da população brasileira.
Amaury Martins de Oliva, diretor-executivo de Sustentabilidade, Cidadania Financeira, Relações com o Consumidor e Autorregulação da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), apresentou o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB), desenvolvido em parceria com o Banco Central.
A ferramenta gratuita permite que consumidores façam um diagnóstico da própria situação financeira, avaliando fatores como endividamento, capacidade de poupança, equilíbrio entre renda e despesas e preparo para emergências.
Livia Bastos Gratz, assessora do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Banco Central, alertou que o crédito vem sendo utilizado por muitas famílias como complemento de renda para despesas do dia a dia, comportamento que pode agravar a vulnerabilidade financeira.
O professor Mateus Canniatti Ponchio, da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), acrescentou que o endividamento não pode ser analisado apenas sob o ponto de vista econômico.
Segundo ele, fatores emocionais, hábitos de consumo, contexto social e experiências pessoais também influenciam diretamente as decisões financeiras das pessoas.

Emoções, comportamento e consumo também influenciam a relação com o dinheiro
A palestra de encerramento foi conduzida por Michael Norton, professor da Harvard Business School, especialista em comportamento do consumidor e decisões financeiras.
O pesquisador apresentou estudos sobre como emoções, impulsos e vieses cognitivos afetam escolhas econômicas no cotidiano.
Segundo ele, compreender o comportamento humano é essencial para criar políticas, produtos financeiros e estratégias de educação financeira mais eficientes.
Norton também destacou pesquisas que apontam que pessoas tendem a sentir maior satisfação ao investir em experiências, relações sociais e ações voltadas ao outro, em vez de concentrarem consumo apenas em bens materiais.
Cooperativismo reforça papel da educação financeira nas comunidades
O cooperativismo apareceu ao longo do evento como um dos instrumentos de aproximação entre instituições financeiras e população.
Tânia Zanella, presidente do Sistema OCB, afirmou que a gestão financeira faz parte da estrutura do cooperativismo e destacou a parceria entre cooperativas e Banco Central na ampliação da educação financeira no país.
Dirlene Silva, CEO da DS Estratégias de Educação & Inteligência Financeira, defendeu que falar sobre dinheiro ainda é um tabu para muitas famílias brasileiras e que ampliar o debate sobre educação financeira também significa ampliar oportunidades de transformação social.
Vivian Rodrigues, cofundadora da Nossa Escola para Planejadores Financeiros, ressaltou que o bem-estar financeiro depende tanto de fatores individuais quanto estruturais, incluindo renda, contexto social e acesso à informação.
Sicredi amplia ações de educação financeira em todo o país
Durante o evento, o Sicredi também apresentou números relacionados às iniciativas de educação financeira desenvolvidas pela instituição.
Segundo a cooperativa, mais de 70,8 milhões de participações foram registradas em ações educativas realizadas ao longo de 2025 em 1.841 municípios brasileiros.
As iniciativas incluem oficinas, cursos online gratuitos, conteúdos em áudio, séries educativas, materiais voltados a adolescentes e ações desenvolvidas em parceria com a Mauricio de Sousa Produções.
A instituição informou ainda que sua rede conta atualmente com mais de 3 mil agências no Brasil e participação ativa na programação da Semana ENEF em centenas de municípios.

Cooperativismo amplia presença na maior cidade da América do Sul
O avanço do cooperativismo financeiro também faz parte da expansão do Sicredi na capital paulista. Em São Paulo e no Grande ABC, a atuação é liderada pela Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, instituição financeira cooperativa que vem ampliando presença em regiões estratégicas da cidade nos últimos anos.
Após consolidar operações em polos empresariais como Avenida Paulista, Rebouças, Berrini e Faria Lima, a cooperativa alcançou 32 agências na capital paulista. Nos últimos meses, foram inauguradas novas unidades nos bairros de Pirituba, São Mateus, Casa Verde, Vila Leopoldina, Vila Prudente, Tucuruvi, Jabaquara, Centro Histórico, Butantã, São Miguel Paulista, Vila Guilherme, Penha, Liberdade, Socorro, e Parelheiros, fortalecendo a presença da instituição em diferentes regiões da cidade e também no Grande ABC.
O modelo cooperativo adotado pelo Sicredi tem como base a circulação de recursos dentro das próprias comunidades onde atua. Na prática, os recursos movimentados pelos associados permanecem na região, impulsionando o desenvolvimento local, o empreendedorismo, a geração de empregos e o fortalecimento da economia regional.
A instituição oferece mais de 300 produtos e serviços financeiros de natureza bancária . Entre eles estão seguros, consórcios, crédito empresarial, crédito rural, investimentos e soluções voltadas à sustentabilidade. O objetivo é atender diferentes perfis de associados, desde famílias até pequenos, médios e grandes empreendedores.
No agronegócio, as linhas de crédito ajudam produtores rurais a ampliar a produção de alimentos, investir em energia renovável, sistemas de irrigação e soluções ambientais. No segmento empresarial, o crédito contribui para expansão de negócios, geração de renda e fortalecimento das economias locais.
Esse movimento é conhecido dentro do cooperativismo como ciclo virtuoso. Os associados movimentam recursos na cooperativa, novos integrantes passam a fazer parte do sistema e os investimentos continuam circulando dentro da própria comunidade, promovendo crescimento coletivo.
Sobre o Sicredi
O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa com mais de 10 milhões de associados em todo o país. O modelo de gestão é baseado na participação dos próprios associados, que também atuam como donos do negócio.
A instituição está presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, com mais de 3 mil agências físicas e um portfólio completo de soluções financeiras e não financeiras.
Sobre a Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP
A Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP é uma das mais de 100 cooperativas que integram o sistema Sicredi. A cooperativa atua em 43 municípios do Paraná e em oito municípios do estado de São Paulo, incluindo a capital paulista e cidades do Grande ABC.
Com 37 anos de história, a cooperativa conta atualmente com cerca de 100 agências e mais de 285 mil associados. Mais informações estão disponíveis em Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP
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