endometriose mãe
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Ela provoca dores incapacitantes, silencia carreiras, compromete relacionamentos e ainda rouba, de muitas mulheres, o sonho da maternidade. A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais prevalentes e menos compreendidas do mundo — e o Brasil carrega um peso especialmente pesado nessa história.

No Dia Mundial da Endometriose, celebrado em 7 de maio, o Dr. Alfonso Massaguer, especialista em Reprodução Humana Assistida e fundador da Clínica Mãe, em São Paulo, traz uma mensagem que precisa chegar a milhões de mulheres: o diagnóstico de endometriose não é uma sentença contra a gravidez.

Um problema de saúde pública invisível

Os números são expressivos e alarmantes. No mundo, a endometriose atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, o equivalente a aproximadamente 190 milhões de pessoas. No Brasil, estima-se que cerca de 7 milhões convivam com a doença. Apesar disso, o caminho até o diagnóstico continua sendo longo e doloroso — em todos os sentidos.

A endometriose leva, em média, sete anos para ser diagnosticada no Brasil, segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia –   FEBRASGO — sete anos de dor normalizada, de consultas inconclusivas, de sintomas descartados como exagero.

E enquanto o tempo passa, a doença avança. Os atendimentos na Atenção Primária de Saúde relacionados à endometriose subiram de 82.693, em 2022, para 145.744 registros em 2024 — um aumento acumulado de aproximadamente 76% em apenas três anos.

Esse crescimento, segundo especialistas, reflete não apenas o avanço da doença, mas também o início de uma mudança cultural: mulheres que, antes, aceitavam a dor como algo inevitável, passaram a buscar respostas.

A endometriose e o impacto na fertilidade

Entre as consequências mais devastadoras da endometriose está o comprometimento da capacidade reprodutiva. A doença cria um ambiente adverso na pelve, podendo dificultar a fertilidade, afetar os ovários, prejudicar a ovulação e, em alguns casos, ser causa de trabalho de parto prematuro.

A endometriose pode interferir na fertilidade por diferentes mecanismos: inflamação na pelve, alterações na anatomia das trompas e ovários, formação de aderências e, em alguns casos, impacto na qualidade dos óvulos.

Dados científicos indicam que a doença pode estar presente em até 50% das mulheres com infertilidade — um número que revela a dimensão do problema e a urgência de um diagnóstico precoce para quem deseja engravidar.

A FIV como resposta: quando a ciência encontra o sonho

Para mulheres com endometriose que enfrentam dificuldades para conceber, a Fertilização in Vitro (FIV) representa hoje a alternativa mais robusta e eficaz disponível na medicina reprodutiva.

Nas formas mais graves da endometriose, a FIV é o procedimento mais indicado, sendo fundamental individualizar a assistência ao casal que deseja engravidar — avaliando fatores como idade, tempo de infertilidade e condições clínicas e emocionais.

Na FIV, o encontro entre óvulo e espermatozoide ocorre em ambiente laboratorial altamente controlado, contornando os obstáculos anatômicos e inflamatórios impostos pela endometriose no organismo da mulher.

A mulher pode fazer a preservação da fertilidade antes da cirurgia da endometriose, caso indicada, congelando óvulos ou embrião, porque pode ser que na cirurgia prejudique o ovário.

A porcentagem de sucesso da FIV varia entre 45% e 60%, dependendo principalmente da idade da mulher, da receptividade do endométrio e da qualidade do embrião formado — e ela é eficaz mesmo em casos de endometriose severa, obstruções tubárias e outros quadros complexos de infertilidade.

Para o Dr. Alfonso Massaguer, o que transforma esses percentuais em histórias reais de maternidade é a combinação entre tecnologia de ponta e um olhar profundamente individualizado sobre cada paciente.

“A endometriose é traiçoeira justamente porque não tem uma única face. Cada mulher a vive de forma diferente — na intensidade da dor, no impacto na fertilidade, nas respostas ao tratamento. Por isso, quando falamos em FIV para pacientes com endometriose, não estamos falando em um protocolo único. Estamos falando em construir um caminho personalizado, que respeite a história clínica e o desejo de cada mulher. O que posso dizer, com mais de 25 anos de experiência, é que a endometriose não é o fim dessa história. Para a grande maioria das nossas pacientes, ela é apenas um capítulo difícil — antes de um desfecho possível e muitas vezes lindo.”

Diagnóstico precoce: a diferença que o tempo faz

O Dr. Alfonso Massaguer reforça que o timing do diagnóstico é determinante. Quanto mais cedo a endometriose é identificada, maiores são as possibilidades de preservar a fertilidade e ampliar as janelas terapêuticas disponíveis — incluindo o congelamento de óvulos como estratégia preventiva para mulheres que ainda não desejam engravidar no momento, mas querem guardar essa possibilidade para o futuro.

O alerta vale especialmente para mulheres jovens: apesar da maioria dos sintomas iniciais aparecerem durante a adolescência, o diagnóstico definitivo frequentemente acontece de forma tardia, em estágios mais avançados da doença. Dor menstrual intensa, cólicas que comprometem a rotina, dor durante as relações sexuais e dificuldade para engravidar são sinais que nunca devem ser normalizados.

Sobre o Dr. Alfonso Massaguer e a Clínica Mãe

Com mais de 25 anos de experiência em Reprodução Humana Assistida, o Dr. Alfonso Massaguer (CRM 97335 | RQE 42794) é formado pela Faculdade de Medicina da USP, com especialização pelo Hospital das Clínicas.

Membro das sociedades americana e europeia de reprodução humana, ele fundou e dirige a Clínica Mãe — referência nacional e internacional no tratamento de infertilidade e em procedimentos de alta complexidade.

Anualmente, a clínica recebe pacientes de diversos países em busca de soluções para a infertilidade, unindo tecnologia laboratorial de última geração a protocolos altamente individualizados e humanizados.

<com apoio de informações: Fragata Comunicação – jornalista Matheus Fragata>

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