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O Aeroporto Campo de Marte, um dos marcos históricos da aviação brasileira e peça central na formação urbana do bairro de Santana, na Zona Norte da cidade de São Paulo, entra em uma nova etapa de sua trajetória com a entrega das obras de modernização da Fase 1B do contrato de concessão.
Conduzidas pela PAX Aeroportos, as intervenções somam cerca de R$ 120 milhões e reposicionam o terminal no ecossistema da aviação geral, com foco na segurança operacional, eficiência e capacidade de absorver parte da demanda aérea da capital paulista.
Modernização reposiciona terminal histórico
As obras incluem a construção de uma nova taxiway, implantada a uma distância maior da pista principal, além de novas vias de serviço, requalificação da pavimentação, atualização dos sistemas de iluminação e sinalização e implantação de áreas de segurança de fim de pista. O conjunto amplia a confiabilidade operacional e prepara o aeroporto para uma nova etapa de uso.
A modernização abre caminho para a futura implementação de operações por instrumentos, ainda que em modelo de não precisão, o que tende a reduzir a dependência das condições climáticas e aumentar a previsibilidade das operações.
Para o Ministério de Portos e Aeroportos, o projeto insere o Campo de Marte em uma agenda mais ampla de requalificação da infraestrutura aeroportuária voltada à aviação regional e executiva, segmento que ganha relevância com a saturação de terminais como Aeroporto de Congonhas.

Crescimento projetado e integração com novas tecnologias
Estudo encomendado pela Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC, na época da concessão do aerporto, projetava que o movimento do aeroporto deve mais que dobrar até 2052, passando de cerca de 94 mil para 218 mil passageiros por ano.
No mesmo movimento, o governo federal lançou a primeira consulta pública voltada à Mobilidade Aérea Avançada, segmento que envolve drones e aeronaves elétricas de decolagem vertical, os chamados eVTOLs. A iniciativa busca estruturar o marco regulatório para a operação dessas tecnologias no país.
O Aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, foi escolhido como um dos primeiros pontos estratégicos para a implantação de vertiportos urbanos, estruturas destinadas à operação de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas popularmente como “carros voadores”
A iniciativa faz parte de uma parceria anunciada entre empresas do setor aéreo e está inserida no ambiente regulatório experimental da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), responsável por acompanhar e supervisionar o desenvolvimento dessa nova infraestrutura no país.

Por que o Campo de Marte?
Localizado em uma das regiões mais estratégicas da capital paulista, o Campo de Marte reúne características consideradas essenciais para o início da mobilidade aérea avançada no Brasil. A infraestrutura já existente permite a instalação de hangares, áreas de apoio e conexões com regiões de alta demanda econômica e logística.
A expectativa é que o aeroporto funcione como um hub da futura rede de mobilidade aérea da Região Metropolitana de São Paulo, conectando pontos como os principais aeroportos internacionais, a região da Faria Lima, Alphaville, ABC paulista, Campinas e a Baixada Santista.

Intervenções ambientais e debate urbano
A modernização do sítio aeroportuário também envolveu a reconfiguração de áreas internas, incluindo a remoção de cerca de 200 árvores em trechos próximos à pista principal. Segundo levantamento técnico realizado pela empresa Rumo Soluções Ambientais, contratada pela Pax para o trabalho, parte dos exemplares apresentava comprometimento fitossanitário ou era composta por espécies exóticas invasoras.
A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo autorizou a supressão de árvores mediante compensação ambiental, que prevê o replantio com espécies nativas no prazo de até 12 meses.

A CETESB também condicionou a intervenção à recuperação de cerca de 52 hectares de áreas verdes em diferentes pontos do estado, incluindo o futuro parque municipal no entorno do aeroporto e áreas de preservação em outras regiões.
Apesar do enquadramento legal, o tema mobiliza discussões entre especialistas e moradores. Há questionamentos sobre o impacto da retirada de exemplares antigos e sobre a efetividade da compensação ambiental em áreas urbanas com fragmentos remanescentes de Mata Atlântica.
Santana no centro de uma transformação silenciosa
Inserido em uma das regiões mais tradicionais da Zona Norte, o Campo de Marte mantém papel estratégico que vai além da aviação. Inaugurado em 1929, é o aeroporto mais antigo de São Paulo e sua presença contribuiu para o desenvolvimento urbano de Santana e influencia diretamente a dinâmica imobiliária, ambiental e de mobilidade da região.
A entrega da primeira fase das obras sinaliza um novo ciclo para o aeroporto, que combina modernização técnica, pressão por eficiência e desafios relacionados à convivência com a cidade.
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