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Perspectivas 2026 para o Mercado de Loteamentos. AELO espera queda dos juros

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O mercado de loteamentos no Brasil encerrou 2025 em ritmo consistente de crescimento, com avanço nas vendas, valorização dos preços e geração de valor, segundo a mais recente Pesquisa AELO–Secovi-SP, elaborada pela Brain Inteligência Estratégica.

Os dados, que analisam o desempenho nacional e trazem um recorte detalhado do Estado de São Paulo, mostram um setor resiliente e dinâmico, mesmo diante de oscilações pontuais nos lançamentos ao longo do ano.

Em nível nacional, o Valor Geral de Vendas (VGV) acumulado apresentou crescimento superior a 20% em alguns recortes, enquanto o preço médio do metro quadrado em loteamentos fechados registrou valorização de até 14%. Os lançamentos variaram ao longo do período, mas fecharam os últimos 12 meses com alta de até 13,3%, indicando retomada gradual do ritmo de novos projetos.

Desempenho robusto

No Estado de São Paulo, o desempenho foi ainda mais robusto. As vendas cresceram 20% no acumulado de janeiro a setembro de 2025, mantendo o ritmo positivo observado nos últimos anos.

Desde 2019, os lançamentos superam 50 mil lotes por ano, e o estoque atual representa apenas 24,3% do total lançado, índice considerado saudável e que sinaliza bom equilíbrio entre oferta e demanda.

Outro destaque é a valorização dos preços. Em 2025, o valor do metro quadrado dos loteamentos abertos e fechados teve alta média de 11% no estado, reflexo da migração da demanda para cidades do interior, da maior qualificação dos empreendimentos e do interesse contínuo de famílias e investidores por projetos de urbanização planejada.

Desafios macroeconômicos e a importância da queda dos juros

Para a Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO), o setor chega a 2026 em posição de destaque no mercado imobiliário, mas enfrenta desafios importantes ligados ao ambiente macroeconômico, especialmente à trajetória da taxa Selic.

Segundo o presidente da entidade, Caio Portugal, os juros elevados em 2025 reduziram o apetite de investidores e adiaram decisões de compra em alguns nichos. “Quando a taxa se mantém elevada, os setores produtivos ficam aquém da sua capacidade de gerar emprego e renda. Não há alternativa: é preciso responsabilidade fiscal para permitir juros mais baixos”, afirma.

Ele explica que, diferentemente de outros segmentos do mercado imobiliário, os loteamentos dependem majoritariamente de capital próprio e de operações estruturadas para financiamento. “A manutenção da Selic em 15% ao ano diminui a atratividade para o mercado imobiliário em geral. No segmento de loteamentos, quando o empreendedor acessa o mercado financeiro, o faz por meio de operações de equity ou estruturadas. Com juros elevados, o interesse do investidor diminui ou as decisões de compra são prorrogadas”, destaca.

Reforma Tributária traz previsibilidade ao setor

Apesar do cenário desafiador, a aprovação da Reforma Tributária foi avaliada de forma positiva pela AELO, ao reconhecer as especificidades do setor e preservar condições adequadas de operação. “Entre os pontos garantidos no texto sancionado estão o redutor de alíquota de 50%, o redutor social de R$ 30 mil por lote e regras claras sobre doações de áreas públicas e parcerias entre loteador e terrenista”, explica Caio Portugal.

Para a entidade, a regulamentação prevista para 2026 será decisiva para assegurar segurança jurídica e neutralidade tributária na atividade de parcelamento do solo urbano, criando um ambiente mais previsível para investidores e empreendedores.

Caio Portugal - presidente da AELO
Caio Portugal -presidente da AELO – Associação das Empresas de Loteamentos Urbanos

Segurança jurídica e combate a golpes serão destaque em 2026

Além dos fatores econômicos, 2026 será estratégico para o fortalecimento da segurança jurídica e da proteção ao consumidor. A AELO dará continuidade e ampliará a campanha “Lote Legal”, com ações digitais, parcerias institucionais e iniciativas educativas voltadas a consumidores e agentes públicos.

O objetivo é combater loteamentos clandestinos e práticas ilegais que prejudicam compradores e competem de forma desleal com empreendedores regulares. “Nem todo lote é o que parece ser. A documentação é o primeiro passo para não cair em armadilhas”, alerta Caio Portugal.

A entidade também chama atenção para o uso indevido do termo “fração ideal”, frequentemente explorado por golpistas. “Em um condomínio regularizado, ‘fração ideal’ é a parte proporcional que cada morador tem do terreno e das áreas comuns. O problema é que esse termo vem sendo usado para vender partes de terrenos ainda não desmembrados e nem aprovados. Isso a lei não permite”, explica o presidente da AELO.

Ele orienta que o consumidor sempre exija a matrícula individual do lote e confirme o registro no cartório de imóveis competente antes de fechar negócio. “Golpistas usam promessas semelhantes para enganar compradores desavisados. Verificar a regularidade do empreendimento é essencial.”

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Fonte: AELO

Investimentos, sustentabilidade e papel estratégico do setor

Mesmo com os desafios, os indicadores mostram um setor resiliente, com empreendedores cada vez mais qualificados e foco crescente em infraestrutura, tecnologia e sustentabilidade. “Nos últimos cinco anos, o setor investiu cerca de R$ 23 bilhões em infraestrutura, como saneamento, energia e pavimentação, além de preservar áreas verdes equivalentes a 13 mil campos de futebol e plantar 2,2 milhões de árvores”, destaca Caio Portugal.

Para 2026, a expectativa é de aumento moderado nos lançamentos, continuidade do crescimento das vendas e manutenção da valorização dos preços, acompanhando a evolução do ambiente econômico. “Com a esperada queda da Selic para patamares mais adequados, abaixo de 12% ao ano, acreditamos que os empreendedores ampliarão a oferta de loteamentos em todos os segmentos de renda”, conclui.

<com apoio de informações: Vera Moreira Comunicação – jornalista Vera Moreira>

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